Às 9h50 (de Brasília), o Brent para junho recuava 1,86%, a US$ 102,04, enquanto o WTI para maio caía 1,90%, a US$ 99,45. Mais cedo, o Brent chegou a romper o nível simbólico dos US$ 100, com queda próxima de 5%, mas reduziu perdas e voltou a operar acima desse patamar.
Expectativa de trégua dita o ritmo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera retirar as tropas do Irã em duas ou três semanas. Teerã, por sua vez, indicou disposição para encerrar a guerra, desde que haja garantias contra novas agressões. O mercado, porém, trata o otimismo com cautela, especialmente diante do histórico de declarações contraditórias.
Hoje, às 22h, Trump deve se pronunciar novamente, evento que concentra a atenção dos investidores e pode redefinir o humor das cotações.
Petróleo ainda pressiona inflação e ativos
No pré-mercado de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que ações estrangeiras sejam negociadas em bolsa americana) da Petrobras (PETR3; PETR4) acompanharam o movimento da commodity. O papel equivalente à ação ordinária caía 1,83%, enquanto o da preferencial recuava 1,47%, refletindo a correlação direta com o preço do barril.
No câmbio, a queda do petróleo ajuda a sustentar o apetite por risco global, favorecendo moedas emergentes como o real e pressionando o dólar. Ainda assim, o cenário permanece aberto a reversões rápidas.
Economistas ouvidos pelo Banco Central avaliam que o petróleo deve permanecer acima dos níveis pré-guerra, com impacto relevante sobre a inflação. Parte das projeções já aponta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima do teto da meta de 4,5%.
O alerta mais contundente veio da Europa. O dirigente do Banco Central Europeu, Yannis Stournaras, afirmou que um prolongamento do conflito com preços acima de US$ 150 por barril pode levar a economia europeia à recessão. Não é o cenário base, mas tampouco pode ser descartado.