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Mercado

As 5 ações brasileiras que mais desvalorizaram em 2022

Papéis do setor de tecnologia foram especialmente impactados

Por Artur Nicoceli

29/12/2022 | 18:40 Atualização: 29/12/2022 | 20:56

O mercado de renda variável passou por maus bocados ao longo deste ano, graça a alta inflacionária pelo mundo e a subida desenfreada dos juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O Comitê de Política Monetária subiu a taxa Selic em 2 pontos percentuais ao longo desde ano, o que favoreceu o interesse dos investidores pela renda fixa.

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O Ibovespa encerrou esta quinta-feira (29), último pregão do ano, com alta anual de 4,69%, aos 109.734,60 pontos.

A inflação e os juros altos não foram apenas responsáveis pela mudança na alocação da carteira dos acionistas, mas também pela queda de diversos setores na bolsa. Segundo Ricardo França, analista da Ágora Investimentos, o ano de 2022 foi um ano desafiador para as empresas de consumo e varejo, com a deterioração das premissas macroeconômicas, poder de compra das famílias reduzido e a taxa de juros alta por um longo período.

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O setor de tecnologia foi especialmente impactado. Esse mercado é conhecido por demandar crédito para aumentar a produção e melhorar o market share. No entanto, com os juros brasileiros na casa dos dois dígitos, o acesso ao dinheiro ficou mais difícil, o que penalizou o crescimento das empresas e, consequentemente, trouxe queda para os papéis na bolsa brasileira.

Um levantamento realizado pela Ágora apontou quais foram as ações que mais caíram ao longo de 2022. Vale lembrar que o desempenho de um papel no passado, seja positivo ou negativo, mesmo que historicamente, não é garantia que o movimento se repetirá no futuro – veja nesta matéria o que o mercado espera do Ibovespa em 2023.

Confira abaixo as cinco ações da Bolsa que mais caíram em 2022.

  • 1) IRB Brasil (IRBR3) – fechou com desvalorização de 78,60%, a R$ 0,86

De acordo com Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil, o IRB Brasil nunca mais foi o mesmo desde o escândalo de gestão que inflava os números da empresa para aumentar os bônus dos gestores, que ocorreu em fevereiro de 2020. Em um determinado momento, foi espalhada a notícia de que Warren Buffett era um acionista do ressegurador com uma posição relevante, o que foi desmentido posteriormente.

Com isso, as ações caíram e os resultados financeiros do IRB não se mostraram animadores ao mercado, diz Alves. O chefe da Ação Brasil afirma ainda que os investidores se afastaram do papel porque pode haver um aumento de capital da companhia via nova emissões de ações no primeiro trimestre de 2023, o que tende a diluir ainda mais a posição dos acionistas na companhia.

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“A companhia vai cada vez mais diluir as ações [para tentar capitar mais recurso]”, afirmou o especialista. Em setembro, a companhia realizou um follow-on (oferta subsequente de ações) bilionário e, neste mês, realizou o processo de agrupamento de ações ordinárias, na proporção de 30 papéis para um.

Vale destacar que, a companhia saiu da carteira do Ibovespa, por conta do preço dos papéis.

  • 2) Americanas (AMER3),  – fechou com desvalorização de 68,80%, a R$ 9,65

Para Luis Novaes, analista da Terra Investimentos, o setor de varejo foi impactado pela redução do poder de compra potencializado pela inflação alta.

“Assim, com a demanda enfraquecida e maiores custos, os balanços financeiros foram ruins [ao longo dos trimestres], e isso foi refletido no desempenho das ações da Americanas”.

Vale destacar que uma postura mais dura e restritiva por parte do Banco Central, dado o cenário de inflação persistente, sobretudo no primeiro semestre, imprimiu uma forte aversão a risco para empresas desse setor.

  • 3) CVC (CVCB3) – fechou com desvalorização de 66,50%, a R$ 4,49

O setor de aéreas e viagens na totalidade foi impactado pela pandemia, e a CVC, como empresa atuante no mercado, sofreu significativamente com isso.

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Os mesmos efeitos negativos que afetam o poder de compra da população quanto aos gastos com consumo afetam os gastos com viagens, pois não são itens essenciais. “As passagens aéreas com altos preços também são um desestimulante para a realização das viagens”, diz Novaes.

Vale ressaltar que a CVC demonstra certa recuperação, tendo em vista que o setor ainda não atingiu os mesmos volumes de 2019. “A empresa deve seguir se recuperando alinhada com o setor. Entretanto, a recuperação é gradual e não deve trazer resultados significativos [em 2023]”, ressalta Novaes.

  • 4) Qualicorp (QUAL3) – fechou com desvalorização de 64,60%, a R$ 5,87

Para Tales Barros, especialista de Renda Variável da Acqua Vero Investimentos, a Qualicorp até reportou resultados em linha com o esperado pelo mercado, “que não eram lá tão ambiciosos’. Entretanto, apesar de o aumento nos juros serem refletidos nos reajustes de preço dos planos de saúde, houve uma alta nos cancelamentos, que, por sua vez, trouxe um impacto negativo na cotação das ações.

De acordo com a teleconferência do terceiro trimestre da companhia, o cancelamento de planos no terceiro semestre de 2022 foi de 15%.

  • 5) Méliuz (CASH3) – fechou com desvalorização de 63,60%, a R$ 1,18

De acordo com Ricardo França, analista da Ágora, a Méliuz, por ser uma companhia de crescimento, foi penalizada ao longo deste ano. “Como uma empresa de crescimento, grande parte do seu fluxo de caixa futuro é atribuído a anos mais distantes do dia de hoje, de forma que, ao trazer estes fluxos ao valor presente, o efeito dos juros elevados reduz drasticamente o valor da companhia e consequentemente penaliza as ações”.

 

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