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Mercado

Quais setores da Bolsa se beneficiam com a Selic em alta?

Ações de bancos e seguradoras podem ter ganhos com elevação da taxa de juros

Quais setores da Bolsa se beneficiam com a Selic em alta?
Ações de bancos como o Bradesco costumam se valorizar com Selic alta. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
  • A Selic subiu 1 ponto percentual e atingiu 12,75% ao ano. Apesar de esperada, a mudança pode gerar impacto nas ações da maioria das empresas listadas no Ibovespa
  • Historicamente, o setor bancário é um dos que se beneficiam com a alta da taxa Selic. Isso acontece porque os bancos conseguem aumentar o “spread bancário” nas transações de crédito
  • Normalmente, as importadoras também são beneficiadas com o aumento da taxa de juros no País, já que a tendência é que o real se valorize com esse movimento. No entanto, a elevação da taxa de juros nos EUA deve fortalecer o dólar, atenuando o impacto no real

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros do País nesta quarta-feira (4). A Selic subiu 1 ponto percentual e atingiu 12,75% ao ano. Apesar de esperada, a mudança pode gerar impacto nas ações da maioria das empresas listadas no Ibovespa.

Muitos investidores devem optar por retirar seus investimentos da renda variável para aplicar em ativos que trazem boa rentabilidade, impulsionados pela alta da Selic e que, ainda por cima, são mais seguros, como a renda fixa.

No entanto, há também papéis na bolsa de valores que podem sair ganhando com a elevação dos juros.

Historicamente, o setor bancário é um dos que se beneficiam com a alta da taxa Selic. Isso acontece porque os bancos conseguem aumentar o “spread bancário” nas transações de crédito, obtido com a diferença entre os juros que os bancos pagam quando os clientes investem em algum produto oferecido por eles e os juros cobrados nos empréstimos ou financiamentos. Com isso, eles conseguem elevar as margens de lucro.

Por isso, Ariane Benedito, economista da CM Capital, avalia que há uma expectativa positiva para os balanços dos bancos. Além disso, ela afirma que é comum investidores alocarem recursos em grandes bancos visando ao pagamento de dividendos.

O setor bancário sentiu as perdas das últimas semanas. No intervalo de um mês, enquanto o Ibovespa perdeu 10,67%, Bradesco (BBDC3) e Itaú (ITUB4) tiveram quedas acentuadas, de 8,27% e 12,54%, respectivamente. O Banco do Brasil (BBAS3) teve alta de 0,82%.

Já no pregão desta quarta-feira (4), BBAS3 e BBDC3 subiram 2,64% e 1,44%, respectivamente. As ações do Itaú caíram 0,13%. No mesmo dia, o Ibovespa valorizou 1,70%.

O saldo de 2022 é muito positivo para o setor bancário, apesar do cenário de risco no mundo inteiro, com a guerra entre Rússia e Ucrânia e o temor da inflação alta. Banco do Brasil e Itaú tiveram alta de 23,27% e 14,11%, respectivamente, durante o ano. O Bradesco tem crescimento tímido, de 2,72%. Nesse mesmo período, o principal índice da bolsa de valores apresenta alta de 3,36%.

“Os bancos de grande capitalização aqui no Brasil também são historicamente resilientes, conseguem se adaptar a diferentes cenários e podem ser boas escolhas (para o investidor)”, diz Ricardo França, especialista da Ágora Investimentos.

Outro setor que é citado pelos analistas é o de seguros. Vitorio Galindo, analista de investimentos e head de análise da Quantzed, explica que as seguradoras conseguem aplicar o dinheiro das prestações pagas pelos clientes quando contratam um seguro. “Dinheiro parado lá é remunerado pelo CDI. Se o CDI está 2%, o retorno é muito pequeno, mas com  CDI a mais de 10%, isso é muito relevante. Com isso, há empresas que conseguem retorno financeiro maior do que o próprio resultado operacional delas”, avalia Galindo. Entre as empresas desse setor, a BB Seguridade (BBSE3) é a que se destaca em 2022, acumulando alta de 28,13%.

Normalmente, as importadoras também são beneficiadas com o aumento da taxa de juros no País, já que o aumento da Selic interfere no câmbio, à medida que atrai investidores do exterior para os títulos públicos brasileiros, pressionando o dólar para baixo em relação ao real.

No entanto, o Federal Reserve Bank (FED), banco central dos Estados Unidos, também elevou a taxa de juros americana em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira (4). A mudança não chegou a apreciar o dólar, já que a moeda subiu muito nas últimas semanas, mas impede o real de se valorizar ainda mais.

“Nesse cenário em que o Fed acelera a alta de juros e no qual podemos conviver com um dólar mais apreciado – até porque este ano temos uma eleição pela frente, que pode deixar o câmbio mais volátil -, é importante ter exposição a exportadoras, como Suzano (SUZB3), que tem suas receitas atreladas ao dólar”, diz França, da Ágora. “É uma forma de diversificar o portfólio e ter exposição cambial.”

O real teve valorização de 1,21% frente ao dólar nesta quarta-feira. Isso ocorreu porque o mercado temia que o aumento dos juros americanos pudesse ser de 0,75 ponto percentual. Parte dos riscos já estavam precificados pelo mercado e o discurso de presidente do Fed, Jerome Powell, foi considerado “moderado” pelos analistas, o que levou a um otimismo nas últimas horas do pregão.

Movimento similar também ocorreu com as ações do setor de varejo, que estão entre as que mais sofrem no cenário de alta de juros, acompanhado das techs, mas lideraram as principais altas da bolsa brasileira nesta quarta-feira (4). Os papéis da Magazine Luiza (MGLU3) subiram 7,61% e os da Americanas (AMER3) valorizaram em 7,54%.

Esses ativos foram muito depreciados nos últimos meses, em partes pela pressão da inflação e do temor de decisões ainda mais duras sobre a taxa de juros no Brasil e nos EUA. No acumulado deste ano, os papéis MGLU3 cedem 26,34%, os da AMER3 18,67% e os da Via (VIIA3) caíram 39,36%. Como a decisão do Fed foi considerada “moderada”, as ações subiram no pregão de quarta-feira.

Apesar disso, Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos, afirma que investidores devem encarar o mercado de ações pensando no médio e longo prazos. “Não quer dizer que não existam oportunidades (na bolsa) ou que o investidor deva correr desse tipo de ativo”, diz. “Cenários de curto prazo, como aumentos de juros e eleições, devem ser analisados com cuidado.”

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