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Mercado

Por que lucro trimestral da Vale é maior do que o resultado anual de 2020

O preço recorde do minério de ferro tem beneficiado a companhia

Mineradora Vale
Fachada da Sede da Vale no centro do Rio de Janeiro. Foto: Fabio Motta/Estadão
  • O lucro trimestral da Vale entre janeiro e março de 2021 foi maior que os resultados anuais de todas as empresas da Bolsa desde pelo menos 1988, com exceção de Petrobras e da própria mineradora
  • O resultado expressivo de R$ 30,5 bilhões entre janeiro e março é 3006,1% maior que o obtido no mesmo período de 2020
  • Alta do minério de ferro e aumento da produção estão por trás dos resultados, que devem se repetir no próximo trimestre

A Vale (VALE3) alcançou um feito espantoso no primeiro trimestre de 2021. O lucro líquido de R$ 30,5 bilhões nos três primeiros meses do ano é maior do que os R$ 26,7 bilhões registrados em 2020. Como se não bastasse a mineradora ter feito em apenas três meses o que levou 12 meses no ano anterior, nenhuma outra empresa listada na Bolsa de Valores brasileira conseguiu obter, em mais de três décadas, um lucro líquido anual superior a esse trimestre da Vale.

Aliás o lucro trimestral da mineradora é, segundo dados da Economatica Brasil, maior que todos os lucros anuais já registrados por empresas listadas desde 1988, o primeiro ano do qual a consultoria tem dados – as únicas exceções são a Petrobras e a própria Vale. Mas o que explica um desempenho tão ímpar?

Desde que foi privatizada, em maio de 1997, a Vale coleciona grandes números. De acordo com a Economatica, o valor de mercado da Vale saltou 1222,5%, de R$ 43,4 bilhões para os atuais R$ 574,2 bilhões (US$ 106 bilhões), o maior da América Latina. A companhia também ocupou o posto de maior pagadora de dividendos da região em 2020, com US$ 3,6 bilhões distribuídos, seguida pela petrolífera colombiana Ecopetrol (US$ 2,5 bilhões) e pelo Itaú Unibanco (US$ 2,3 bilhões).

O caixa de US$ 13,5 bilhões (R$ 73,4 bilhões) também é o maior entre as companhias latinas. Por outro lado, a dívida líquida da mineradora, de R$ 8 bilhões em 2020, está no menor patamar desde 2001, quando chegou a R$ 6,7 bilhões. Até abril deste ano, o déficit ainda estava em R$ 5,2 bilhões, o que faz a métrica Ebitda/Dívida (que indica a capacidade de uma empresa arcar com os débitos), chegasse ao número ‘impressionante’ de 107,24%.

“É uma marca espantosa. Isso significa que, em menos de um ano de operação, a Vale conseguiria cobrir toda essa dívida. As últimas vezes que vi essa métrica ultrapassar os 100%, em 2005 e 2011, foram em momentos antes de a mineradora realizar alguma aquisição”, explica Einar Rivero, gerente de relacionamento da Economatica. “A companhia conseguiria fazer aquisições muito facilmente nos próximos meses.”


Tamanho sucesso é refletido nas ações da companhia, que recentemente foi protagonista dos desastres de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. Desde a privatização, os papéis tiveram um retorno de 14.950,24%, ante 1.084,7% de valorização do Ibovespa no mesmo período. A Vale detém o maior peso no principal indicador da B3, 14,4%. A fatia significa que qualquer movimentação na mineradora influencia pesadamente a Bolsa.

Segundo Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, todos esses números são resultado de uma gestão eficiente.“A Vale é uma price maker [que dita o preço] no mercado global de minério, com economia de escala. Quanto mais a empresa evolui, maior fica a margem bruta e ela consegue ter recorrentemente o nível de diluição do seu custo.”

Trimestre histórico

O resultado expressivo de R$ 30,5 bilhões entre janeiro e março é 3.006,1% maior que o registrado no mesmo período de 2020 pela empresa, de R$ 984 milhões. O EBTIDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado também alcançou um patamar recorde para o trimestre, de R$ 45,7 bilhões – um salto de 253,9% em relação ao 1º tri de 2020. Na mesma toada, a receita líquida mais que dobrou, passando de R$ 31,2 bilhões para R$ 69,3 bilhões.

Segundo a Vale, os resultados positivos refletem a consistência no cumprimento das promessas de redução de riscos da companhia. O ‘Acordo Global de Brumadinho‘ seria um dos exemplos. A resolução entrou em vigor em abril e incluiu o repasse de R$ 37,7 bilhões ao estado de Minas Gerais para reparação de danos causados pelo estouro da barragem na Mina Córrego do Feijão, que matou 272 pessoas.

Contudo, a divisão de lucros foi criticada por familiares das vítimas, que dizem não ter participado das discussão em relação ao valor que seria repassado, segundo reportagem do Estadão publicada em novembro do ano passado.

Escalada do minério

Fora questões de gestão, a conjuntura econômica pós-pandemia beneficia muito a empresa. “Estamos com o minério de ferro na máxima histórica, chegando aos US$ 200 por tonelada. Não há dúvida que isso traz um ganho de margem para a Vale”, afirma Arbetman.

O minério de ferro disparou mais de 100% nos últimos 12 meses. Em abril de 2020, estava no patamar de US$ 80 e já alcançou os US$ 180 neste ano. A valorização ocorre em função do aumento de demanda da China, uma dos primeiros países a entrar em processo de retomada econômica após a pandemia do coronavírus e principal compradora do portfólio de Vale.

A qualidade do minério de ferro extraído pela empresa, principalmente na unidade de Carajás, é outro fator que pesa a favor da mineradora. “Foi feito um prêmio de US$ 8,3 dólares por tonelada, que classificamos como bom, que vem principalmente desse minério de maior qualidade extraído no sistema norte”, diz Arbetman. “Isso é importante em um momento em que a China tenta ser mais verde, em busca de materiais menos poluentes e com nível de produtividade maior.”

Essa também é a visão de Gilberto Cardoso, analista da Ohmresearch e especialista em commodities. “Os preços vêm em alta desde o ano passado e ajudaram muito nessa receita recorde”, diz. “As receitas em real também ficaram muito fortes por conta da apreciação cambial, um dólar mais alto em relação ao ano passado.”

Cardoso ressalta também os baixos custos de operação da empresa, que resultaram na geração de caixa muito forte no período. Segundo o especialista, a fotografia do trimestre é de uma Vale que se recupera das tragédias, com o pagamento de Brumadinho, e que está retomando os patamares de produção.

É esperado um segundo trimestre de mais recordes. “É uma empresa muito sólida financeiramente e operacionalmente. A perspectiva para o 2º tri é de um resultado ainda mais forte. Os preços do minério estão em ascensão e em patamares maiores do que nesses primeiros três meses. Além disso, os volumes de produção também estão maiores por conta da recuperação e sazonalidade”, diz Cardoso.

Recomendações para VALE3

Cotados a R$ 109,02 no fechamento do pregão da sexta-feira (30), os papéis da Vale estão em alta de 30,35% no acumulado de 2021 e de 163,95% nos últimos 12 meses. Segundo os analistas de mercado, ainda há um grande espaço para valorização.

A recomendação de compra da Ohmresearch para a mineradora tinha como preço-alvo o patamar de R$ 120, um salto de 9,2% em relação ao preço atual. Com os novos dados, a casa revisará as análises para cima. “Esse ano a Vale vai gerar um fluxo de caixa livre recorde. Acredito que a mineradora terá um potencial muito forte de pagar dividendos recordes, dividendos extras ou recomprar ações”, afirma Cardoso.

Na Ativa, a recomendação também é de compra, com preço-alvo revisado para cima, de R$ 114 para R$ 120. “A Vale sabe que é possível avançar no nível de produção e de vendas durante o ano”, afirma Arbetman. “No nosso modelo, assumimos um preço médio de US$ 130 dólares para o minério de ferro, bem menor que o atual patamar de quase US$ 200. A mineradora tem um grande espaço para avançar.”

O mesmo acontece na Ágora Investimentos, que recomenda compra com um preço-alvo ainda maior, de R$ 133. “Temos que esperar para ver o cenário de preço, mas, de maneira geral, os números foram pouco acima do esperado, em relação à EBITDA e custos. A divisão de metais básicos também surpreendeu positivamente”, diz José Cataldo, head de research da casa.

Petrobras: um caso à parte

Fora a própria Vale, a única empresa que desde pelo menos 1988 teve resultados anuais superiores aos R$ 30,5 bilhões obtidos no 1º trimestre de 2021 pela mineradora foi a Petrobras.

No total, 14 lucros anuais da petroleira entre 2000 e 2019 superaram a marca. O maior deles foi de R$ 64,7 bilhões, registrado em 2008. Em relação à Vale, quatro lucros anuais superam esse último resultado trimestral, o maior deles registrado em 2011, de R$ 63 bilhões.

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