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Mercado

Esqueça a recuperação em V ou em Swoosh. O futuro da economia é um ?

Entenda por que os especialistas não têm certeza sobre o formato da recuperação econômica

Swoosh, o símbolo na Nike (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
  • Os economistas estão escrevendo suas projeções a lápis com as mesmas advertências que os meteorologistas escrevem suas previsões
  • Mas os analistas têm se aventurado a apostar que uma marca pode ser a grande símbolo da recuperação: o swoosh da Nike.

(Jeanna Smialek/NYT News Service) – Existe um amplo consenso de que a economia dos Estados Unidos começará a voltar ao normal em breve, após o isolamento provocado pelo coronavírus. Mas o grande debate é se essa recuperação será semelhante a um V, um W, um L ou um Swoosh, a marca da Nike. No entanto, a cada dia economistas e analistas estão recorrendo a um outro símbolo: um ponto de interrogação. Os analistas costumam rotular suas expectativas de recuperação após a recessão com letras – um V sugere uma recuperação rápida, um W dá um mergulho duplo e assim por diante – mas é difícil fazer isso desta vez.

Quando todos os 50 estados americanos começarem a se abrir e os consumidores saírem de suas casas, o caminho a seguir é muito incerto, tornando o prognóstico arriscado. Surtos vindos de uma segunda onda de vírus, mudanças no comportamento do consumidor ou uma onda de fechamento inesperado de negócios podem mudar o futuro. Isso deixou os economistas inseguros com a rapidez ou suavidade da recuperação da economia dos EUA, levando muitos a oferecer uma variedade de cenários em vez de previsões assertivas.

Não são apenas os analistas de Wall Street que evitam cravar uma letra do alfabeto em favor de uma variedade de hipóteses. Do Federal Reserve (Fed) à Casa Branca, os especialistas sugeriram que apresentar prognósticos confiáveis ​​é provavelmente mais enganoso do que útil. John C. Williams, presidente do Fed de Nova York, disse na semana passada que é importante que os formuladores de políticas econômicas se preparem para todas as eventualidades, em vez de se concentrarem em um único tipo de recuperação. “Tivemos discussões durante toda a minha carreira sobre recuperações em forma de V, em L e em U”, afirma Williams. “Uma coisa que aprendi foi não entrar nesse jogo de cartas”.

Larry Kudlow, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse em um evento do Washington Post que compartilha da expectativa do presidente Donald Trump por uma rápida recuperação, mas sugeriu que existem amplas possibilidades em torno dessas estimativas. “É realmente difícil criar um modelo baseado em um vírus ou uma pandemia, pois são fatores não vemos há cem anos. Você pode ter seus próprios V’s, uns maiores e outros menores”, afirmou Kudlow. “E existem combinações de U e V”. Ciente dessa incerteza, a Casa Branca confirmou que nem sequer fará uma atualização de suas previsões econômicas, quebrando décadas de tradição. Os economistas estão escrevendo suas projeções a lápis com as mesmas advertências que os meteorologistas escrevem suas previsões.

O indescritível V

Como os economistas sabem que a atividade econômica desacelerou acentuadamente durante o primeiro semestre de 2020, o melhor resultado possível é uma recuperação rápida, criando um formato em V em que a economia volta ao nível de produção de 2019 em apenas alguns trimestres. Mas, infelizmente, os especialistas dizem, desta vez, que a projeção é provavelmente um sonho.

Em uma nota intitulada “V é muito improvável”, Michael Feroli, economista-chefe do JPMorgan Chase, descreveu a trajetória como aquela em que a economia “é desligada e ligada, como um interruptor de luz”. Como variáveis ​​econômicas como desemprego e produção frequentemente enfrentam uma resistência persistente após um choque único, esse tipo de resultado é bastante duvidoso, disse ele. A redução de gastos do setor público e privado provavelmente afetará o crescimento por algum tempo, dificultando a retomada da economia.

L é para baixas expectativas

Assim como apenas os muito otimistas esperam um V perfeito, apenas os pessimistas estão projetando um L, no qual o crescimento permanece em níveis muito baixos ou próximo ao que for atingido no segundo trimestre. Mas a economia já está mostrando uma recuperação parcial, sugerindo que essa formação é improvável. Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor está se recuperando e as reivindicações de seguro desemprego, embora estejam ainda elevadas, estão diminuindo. A indústria automotiva espera que as vendas de carros novos se recuperem em junho.

Os dados de mobilidade do Google sugerem que as pessoas estão se movimentando mais, ,mostrou a TD Securities em uma pesquisa. Mas a retomada em áreas que impulsionam o crescimento – varejo, restaurantes e salas de cinema – continua mais contida. “Nenhum dos estados americanos mostra um aumento repentino de atividade”, diz Jim O’Sullivan, estrategista-chefe da TD Securities nos EUA, observando que alguns lugares estão mais adiantados no processo de reabertura. Embora a recuperação atual pareça impedir um L, afirma O’Sullivan, os dados limitados até agora corroboram a ideia de que a recuperação será mais gradual do que o colapso.

W depende do que vem a seguir

Isso nos leva a um cenário que ainda está sobre a mesa: uma recuperação em forma de W. Pode ser que a economia se recupere parcialmente antes de mergulhar novamente em meio a uma segunda onda de infecções, à medida que as pessoas passem por uma nova exposição ao coronavírus ou se a doença voltar com força a partir do segundo semestre, quando começa o outono no Hemisfério Norte. Embora os economistas geralmente digam que um W seja sempre possível, eles não estão dispostos a cravar essa previsão, em razão de duas incógnitas: se existe outro pico de infecções e se os estados americanos se fecharão novamente se isso voltar a acontecer. Mas os analistas têm se aventurado a apostar que uma marca pode ser a grande vencedora: o swoosh da Nike.

A onda e o swoosh

A expectativa-base do Escritório de Orçamento do Congresso americano sugere que o crescimento se contrairá acentuadamente no segundo trimestre, antes de fazer uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre. Aqui não há um rótulo para a forma de recuperação, apenas que a subida será mais lenta do que a queda. Mas essa trajetória parece a marca estampada nos uniformes das principais seleções americanas.

No entanto, existem grandes incertezas em torno dessa previsão. Ondas adicionais de infecção, variações no comportamento do consumidor e a linha do tempo de uma vacina funcionam como coringas que podem mudar o caminho a seguir. Uma série de riscos pode levar a piores resultados, enquanto um avanço da vacina pode melhorar a trajetória. Quanto mais rápida for a recuperação, maior a chance de parecer um swoosh, pois o crescimento melhora lentamente antes de acelerar. Porém, se ocorrerem mais infecções e uma vacina continuar apenas no campo das pesquisas, a economia também poderá enfrentar uma recuperação com picos de ondas e de vales, à medida que o isolamento vai e vem.

Então, o que é mais provável?

“Todos nós estamos alertando antes de qualquer opinião: não somos epidemiologistas”, diz O’Sullivan, explicando que a gama de possibilidades de resultados econômicos é ampla, pois vai de encontro ao que acontece com a saúde pública. Por ser um novo coronavírus e um choque totalmente incomum para a economia, ninguém sabe o que vem a seguir. Até os economistas do Fed, que nunca se intimidam em fazer uma previsão, pareceram inseguros. A ata da reunião do final de abril mostrou que a equipe ofereceu uma previsão em que as paralisações diminuem gradualmente e o crescimento é retomado na segunda metade de 2020. Mas com o alerta: “uma projeção mais pessimista não será menos plausível do que essa previsão”.

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