O Bradesco BBI classificou o balanço do Santander como “ligeiramente negativo” em função da combinação de receitas aquém do esperado e da deterioração de indicadores de qualidade de crédito. Segundo os analistas Marcelo Mizrahi e Eric Ito, chama atenção para a formação líquida de créditos problemáticos que subiu para 2,7% da carteira e para o aumento da carteira renegociada, que alcançou a cifra de R$ 49,4 bilhões.
Apesar desse aspecto negativo, as despesas com provisões (reserva de recursos para cobrir futuras inadimplências) ficaram 10% abaixo do previsto e com queda de 6,4% em relação ao trimestre anterior. Do lado das despesas operacionais, o desempenho também foi positivo e veio abaixo das projeções do BBI. Na comparação trimestral, houve um crescimento de 3,3% e uma queda de 2% em relação ao mesmo período de 2024. Para a casa, o resultado reflete medidas de otimização de estrutura e quadro de pessoal.
Para o BTG Pactual o Santander foi prejudicado por uma taxa Selic muito alta e, com isso, o NII de Mercado (diferença entre a receita de juros e as despesas de juros) deteriorou-se em cerca de R$ 140 milhões em relação ao trimestre anterior, para R$1,5 bilhão. No entanto, isso foi compensado pelas provisões para perdas com empréstimos acima do esperado. Além disso, o BTG Pactual avalia que o plano do CEO Mario Leão de reduzir a ciclicidade, melhorar o financiamento e aumentar a eficiência coloca o Santander na direção certa.
Juros vão definir os próximos balanços do Santander
A XP Investimentos, por sua vez, classificou o balanço como sólido e deu destaque ao Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) de 17,6%. ”Os resultados reforçam um ROE acima do custo de capital, hoje bem estabelecido neste patamar, sugerindo que ganhos adicionais devem depender mais da normalização das margens e das condições macroeconômicas do que de novas melhorias de balanço ou de custos”, destacou a corretora.
Entre os aspectos macroeconômicos, a trajetória dos juros será a mais importante para os próximos resultados trimestrais do Santander. Na terça-feira (3), a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) reforçou a intenção de dar início aos cortes dos juros na reunião de março, mas destacou que o ritmo e a duração do ciclo dependerão dos dados e das projeções, com o balanço de riscos para a inflação ainda elevado no horizonte mais longo.
Apesar dessas condições, as estimativas do Boletim Focus indicam um corte de 2,75 pontos porcentuais até o fim de 2026.
“É preciso acompanhar como esse contexto macroeconômico pode ajudar a carteira de crédito e seus níveis de inadimplência, provisões para que o banco entregue resultados em linha com as expectativas do mercado”, diz Victor Bueno, sócio e analista de ações da Nord Investimentos.
Por volta das 15h (de Brasília), as ações do Santander (SANB11) recuavam 2,70%, sendo negociadas a R$ 34,97.
Com informações do Broadcast*