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Empresas brasileiras emitiram US$ 20 bi em títulos “verdes” em 2 anos

Dados do Banco Central mostram que títulos sustentáveis apresentam riscos financeiro e de imagem

Por Eduardo Rodrigues, Estadão Conteúdo

26/09/2022 | 16:41 Atualização: 26/09/2022 | 16:42

O volume financeiro global de emissões sustentáveis chegou a US$ 1,6 trilhão no biênio 2020-2021. Sede do Banco Central, em Brasília (DF). Foto: Dida Sampaio/Estadão
O volume financeiro global de emissões sustentáveis chegou a US$ 1,6 trilhão no biênio 2020-2021. Sede do Banco Central, em Brasília (DF). Foto: Dida Sampaio/Estadão

O volume financeiro global de emissões de títulos sustentáveis chegou a US$ 1,6 trilhão no biênio 2020-2021, quase o dobro de todo o fluxo entre 2015 e 2019. Os papéis brasileiros representaram cerca de US$ 20 bilhões no período, mas quase o triplo do verificado entre 2015 e 2019. O BC destaca que as emissões brasileiras de títulos sustentáveis representam pouco mais de 1% das emissões globais, sendo que o Brasil é o segundo maior emissor da América Latina, atrás somente do Chile.

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O Banco Central divulgou na tarde desta segunda-feira (26) um boxe do Relatório de Economia Bancária (REB) com um panorama sobre as “emissões de títulos relacionados à sustentabilidade por empresas brasileiras no mercado internacional e doméstico”.

O documento aponta que as os Green, Social, Sustainability Bonds (GSS) dominavam as emissões no mercado externo até 2020, sendo superados pelos Sustainability-Linked Bonds (SLBs) no ano passado. No primeiro tipo de título, os recursos estão diretamente ligados a projetos sustentáveis, enquanto no segundo tipo o dinheiro não está “carimbado”, mas está ligado a metas ESG que devem ser atendidas pelos tomadores.

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“As emissões de SLBs no ano de 2021 superaram, em quantidade e volume financeiro, o total de green bonds emitidos desde 2015. Os green bonds predominam entre os emissores bancários, enquanto para as empresas não financeiras destacam-se os SLBs”, explica o BC.

Já as emissões no mercado doméstico continuam sendo majoritariamente na forma de green bonds, sobretudo por meio de debêntures (68%) e letras financeiras (8%), mas também via Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),  Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs) e empréstimos.

As empresas não financeiras são as principais emissoras de papéis sustentáveis, sendo responsáveis por 88% dos títulos emitidos no mercado externo e 89% do volume doméstico desde 2016. “Os setores de papel e celulose e alimentos e bebidas são predominantes nas emissões no mercado externo, enquanto o de energia elétrica destaca-se nas emissões no mercado doméstico”, detalha o documento.

A maior parte dos recursos levantados vem do exterior. O mercado externo responde por 70% do volume financeiro emitido desde 2015, sendo que 65% desse valor foi obtido somente no ano passado. “Em 2021, cerca de apenas 7% das emissões no mercado doméstico apresentaram características de sustentabilidade, sendo tal proporção de 47% no caso das emissões externas”, acrescenta o boxe.

Riscos

O documento do BC alerta que o financiamento por meio de títulos sustentáveis apresenta alguns riscos, entre eles o financeiro e o de imagem. “O risco financeiro decorre do aumento no custo da dívida (step-up dos cupons) em caso de descumprimento das metas quando o financiamento acontece sob a forma de SLBs. O risco de imagem pode ser associado tanto ao descumprimento das metas como ao greenwashing (termo que se refere à falsa aparência de sustentabilidade), prática que coloca em risco a própria reputação do mercado de emissões sustentáveis”, conclui o BC.

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A autoridade monetária irá publicar no próximo dia 6 de outubro o Relatório de Economia Bancária de 2021, às 8 horas. Às 11 horas, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, Renato Gomes, e o diretor de Fiscalização, Paulo Souza, concederão entrevista coletiva virtual sobre o documento.

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