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Mercado

‘Estamos preparados para as aulas 2021 em qualquer modalidade’, diz CEO da Yduqs

Eduardo Parente comenta sobre o ano de 2020 do segmento e perspectivas para o futuro

Eduardo Parente, CEO da Yduqs
Eduardo Parente, CEO da Yduqs. Foto: Reginaldo Teixeira
  • O setor de educação foi obrigado a se adaptar da noite para o dia ao ensino EAD e instituições de ensino permanecem fechadas desde março mesmo com o afrouxamento das medidas de restrição social, diferente de outros segmentos
  • Neste cenário, as ações da Yduqs (YDUQ3) e da Cogna (COGN3) caíram 32,76% e 59,49%, respectivamente, em 2020 enquanto o Ibovespa subiu 2,92%
  • Eduardo Parente, CEO da Yduqs, afirma que setor deve se recuperar em 2021 e perspectiva para o longo prazo também é positiva

A pandemia da covid-19 afetou negativamente quase todos os segmentos da economia, principalmente aqueles que dependem de presença física. Mas, com o passar do tempo, as medidas de restrição social se afrouxaram e muitos desses setores começaram a se recuperar.

O setor de educação, no entanto, foge à regra. Desde março, escolas e faculdades estão fechadas e as instituições de ensino se viram obrigadas a se adaptar ao ensino a distância (EAD) do dia para a noite.

A Yduqs (YDUQ3), detentora da Estácio, Ibmec e outras seis instituições de ensino superior, teve que migrar seus 300 mil alunos da base presencial para um modelo on-line. “Conseguimos mesmo com todas as dificuldades de acesso e implementação”, diz Eduardo Parente, CEO da Yduqs.

Essa rápida e não planejada mudança provocou um efeito imediato de queda das ações. Em 2020, a Yduqs (YDUQ3) acumulou desvalorização de 32,76%. A sua concorrente Cogna (COGN3) teve um ano ainda mais difícil e caiu 59,49%, o segundo pior desempenho do Ibovespa no ano – o IBOV subiu 2,9% no período.

Porém, para 2021 as perspectivas são positivas. Neste ano, até o fechamento do mercado desta sexta-feira (22), a Yduqs (YDUQ3) tem valorização de 1,28%, a R$ 33,34. A Cogna (COGN3), no entanto, ainda amargura no campo negativo, com queda de 4,75%, a R$ 4,41. O principal índice da B3 tem desvalorização 1,38%, aos 117.380,49 pontos, até o momento.

Confira a entrevista exclusiva de Eduardo Parente, CEO da Yduqs, ao E-Investidor sobre como foi enfrentar os desafios de 2020 e porque as perspectivas são positivas para este ano e também para o futuro.

E-Investidor – Qual é a sua avaliação de 2020 para o setor de educação como um todo?

Eduardo Parente – Enfrentamos três crises em sequência. Primeiro, com o FIES perdendo força. Depois, com uma crise econômica prolongada e desemprego elevado, que são condições duras para nossos alunos, que em sua grande maioria pagam por seus estudos. Por fim, tivemos a pandemia da covid-19, que trouxe novas restrições e intensificou os efeitos da crise econômica.

Com isso, tivemos aumento da inadimplência e menos gente procurando o ensino superior. A análise geral para o setor de educação é a de um segmento que sofreu muito com a pandemia e que ainda não voltou aos patamares do início de 2020, diferentemente de algumas outras indústrias, que já registraram recuperação.

E-Investidor – Quais foram as lições aprendidas no ano da crise?

Parente – Esse período de pandemia mostrou que tomamos boas decisões no passado e que o nosso conservadorismo foi acertado. Uma das boas decisões a que me refiro diz respeito a um trabalho consistente sobre nossos custos.

A Yduqs vem, há alguns anos, eliminando itens periféricos que não contribuem para a formação dos alunos, o que em última análise representa a possibilidade, para muitos deles, de continuar estudando.

Especificamente sobre a pandemia, conseguimos migrar 300 mil alunos de nossa base presencial para um modelo ao vivo pela internet em uma semana, mesmo com todas as dificuldades de acesso e implementação.

Saímos de 2020 com a certeza que nosso sistema é muito robusto e consegue ser rentável mesmo com uma sequência de crises. Consolidamos um novo entendimento sobre como a tecnologia pode sustentar a entrega de ensino de qualidade para um número cada vez maior de pessoas.

E-Investidor – Quais são as mudanças permanentes que a pandemia trouxe para a Yduqs?

Parente – Sempre tivemos uma cabeça orientada ao que cabe no bolso dos alunos, mas a experiência de 2020 nos deixou muito mais engajados, ainda mais atentos a isso. Acredito que agora toda a organização agora entende melhor a importância do trabalho que fizemos para a eliminação de tudo o que não agrega à formação do aluno.

Em segundo lugar, e aqui houve um grande salto, vivenciamos uma nova realidade em relação a tecnologia. Entendo que muitas pessoas, o corpo docente, em especial, viam a tecnologia como algo distante, eventualmente até como uma inimiga, por assim dizer.

Porém, sentimos na carne o quanto ela foi importante, inúmeras fichas caíram em relação a quanto ela pode nos ajudar de agora em diante e nossa abordagem em relação a tecnologia mudou.

Hoje, a organização inteira vê o digital apoiando os professores e gerando formas complementares de ensino. Isso está muito forte e vai ficar.

Já vínhamos trabalhando há anos a integração articulada entre o digital e o presencial, mas nada como a experiência direta e os resultados positivos para os alunos para consolidar de vez essa forma de educar, que é nova e necessária.

E-Investidor – Há expectativa das aulas presenciais voltarem em 2021?

Parente – Temos a perspectiva de que possamos voltar aos campi este ano. Se já vai ser no primeiro semestre, nós não sabemos, pois dependerá muito do Brasil e das condições locais. Precisamos observar em que ritmo conseguiremos promover a vacinação em massa.

Uma certeza é que, infelizmente, as aulas voltarão após bares, shoppings e academias, o que nos entristece. De qualquer forma, estamos preparados para as aulas 2021 em qualquer modalidade.

E-Investidor – Quais são as perspectivas do setor e para a Yduqs no ano?

Parente – Olhando para a frente, passado o momento agudo da pandemia, eu vejo a tendência do setor de educação crescer mais do que a média. Sobre a Yduqs, o que houve, nos últimos anos, foi uma compensação entre duas forças. De um lado, tivemos uma perda de receita significativa com o FIES, que foi de cerca de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos.

Nesse mesmo período, no entanto, nossos dois principais motores de expansão, que são o EAD (educação a distância) e os cursos de Medicina, cresceram muito e de forma muito consistente. Na Medicina, ampliamos a base de alunos em 50% somente entre 2018 e o ano passado. No EAD triplicamos o número de alunos nesse período de cinco anos.

Hoje, os dois serviços respondem por cerca de 40% da nossa receita total. É um crescimento muito intenso e acima do que o mercado cresceu, mas que passa despercebido, sob os efeitos das perdas com o FIES.

Quando tiramos o FIES da frente, isso fica claro. Sem ele, nossa receita cresceu, em média, 18% por ano entre 2015 e 2019. É um crescimento sustentado.

O que ocorre agora é que 2020 foi o último ano de perda significativa com o FIES, um impacto de cerca de R$ 450 milhões. Para 2021, sem esse componente, os crescimentos de EAD e de Medicina vão aparecer, vamos tirar a névoa da frente.

E-Investidor – E no longo prazo?

Parente – O mercado de ensino superior passou por uma transformação intensa nos últimos 20 anos, graças ao crescimento das instituições privadas. Porém, ele ainda é um mercado muito pulverizado, com boas oportunidades para aquisições.

É um segmento com uma demanda reprimida imensa, com dezenas de milhões de pessoas que concluíram o ensino médio e que, por diversos fatores, não chegaram à universidade.

É um setor que, sob vários aspectos, responde a desafios nacionais, como os de equidade social, produtividade e inovação, para citar alguns deles. Então, sim, é um momento crucial para a educação superior e haverá crescimento.

E-Investidor – Como a Yduqs está se posicionando para se diferenciar no setor?

Parente – Se olharmos separadamente, temos quatro grandes negócios que se comportam de forma diferente. Temos o ensino presencial, que sofre as pressões que mencionei, mas em que continuamos sendo rentáveis, a empresa mais rentável do mercado, e que não apenas convive, mas se fortalece com o digital.

Temos também o EAD, que construímos um modelo muito enxuto, que permite rápido crescimento, e já chegamos a um patamar de qualidade distintivo. O terceiro bloco é formado pelos cursos premium, como Medicina, e todos os do Ibmec, que, além dos bons resultados acadêmicos e de mercado, contam com um crescimento contratado, assegurado para os próximos anos.

Por fim, temos a pós-graduação e ofertas de educação continuada. Na pós, contam conteúdo de excelência e a capacidade de acessar alunos, e nossa rede de instituições oferece ambos, em abundância. Já temos a maior pós do país e muito espaço para crescer.

Por tudo isso, estamos estrategicamente muito bem posicionados em todos os segmentos.

O que me parece mais importante, no entanto, é a visão desse sistema operando conjuntamente, com um elemento adicional: nossa posição única na frente de produção de conteúdo acadêmico digital de ponta.

Temos uma unidade de negócio específica para isso, que se chama EnsineMe, resultado de mais de 10 anos de pesquisa e trabalho com metodologias e conteúdo, que hoje conta com professores das instituições de padrão acadêmico mais elevado no país desenvolvendo esses conteúdos.

Sob esta ótica, a Yduqs se transforma numa grande plataforma tecnológica para o ensino superior. E é com essa plataforma, integrada, com forte base tecnológica e a primeira em pleno funcionamento na educação superior brasileira que penso que iremos nos destacar.

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