Fundada em 1994 por Bezos, que, antes disso, atuou por quase 10 anos em Wall Street, o e-commerce iniciou focado na venda de livros. Hoje, a Amazon é transnacional: atua em 15 países (na Ásia, Europa, América do Norte, América do Sul e Oceania) e opera uma gama ampla de produtos dentro do comércio eletrônico, além de desenvolver computação em nuvem, inteligência artificial e streaming. Agrada ainda o fato da entrega da Amazon ser extremamente ágil, um dos fatores de encantamento dos clientes.
Entender a importância de identificar o comportamento dos clientes muito antes dos concorrentes é um dos fatores que ajudou a Amazon se tornar uma gigante dentro das bigtechs. Quem tem um de seus produtos mais famosos – o Kindle, leitor digital lançado em 2007 – sabe o quão certeiro é o algoritmo ao criar uma conectividade com o cliente e, por consequência, impulsionar vendas. Criar novos produtos e frentes de atuação – como o Amazon Prime Vídeo, serviço de streaming que também oferece vantagens para compras no e-commerce – é outra característica forte.
Outro fator que permitiu a Amazon sair em vantagem na pandemia foi o fato de ela ser dona da rede de supermercados Whole Food Market. A empresa precisou inclusive fazer uma lista de espera para os novos clientes que queriam fazer supermercado on-line, tamanha demanda.
Varejo do futuro
A união de tecnologia com varejo é o que torna a Amazon imbatível e promissora aos investidores. A estrutura logística complexa, com muitos armazéns de produtos, funcionários e caminhões, é um bom indicativo ao investidor, diz o analista de investimentos Ernani Reis, mesmo que seja uma operação cara. “O mercado continua seguindo os passos da Amazon. Muitas empresas no Brasil vem se inspirando no caminho dela”.
O posicionamento de Bezos frente à pandemia, que vem destacando os esforços da organização para manter a operação da maneira mais segura possível, vem impactando o mercado de maneira positiva. E nem mesmo o envolvimento da Amazon em episódios de funcionários de armazéns da empresa, que protestaram quando houve contaminação e até mortes de trabalhadores por covid-19 abalaram o desempenho. Em janeiro, uma ação da Amazon valia US$ 1.892. Hoje, está em US$ 2.961, sendo que registrou uma alta histórica no dia 10 de julho, quando bateu US$ 3.200. Nada mal para quem começou na Bolsa de Valores em 1997, com ações negociadas a US$ 18.
O estrategista de investimentos Marco Saravalle acredita que empresas com ponta em varejo, como a Amazon, devem seguir apresentando bons resultados no mercado em curto prazo. “Ela está sabendo surfar muito bem a onda de distanciamento social, e deve sair mais forte desse período. Tem se mostrado muito resiliente e criativa em atender esse novo momento que estamos vivendo. A Amazon e outras bigtechs também têm muito caixa, e devem fazer recompra de ações. O que sustenta o patamar de preços e traz uma valorização”.
Como investir?
Os caminhos para ser acionista apenas da gigante Amazon estando no Brasil são dois: por BDRs (Brazilian Deposit Recipts), certificados emitidos no Brasil que representam ações de empresas do exterior, ou abrindo conta em uma corretora no exterior. A segunda opção é mais viável para quem tem um capital menor para investir, pois os BDRs são permitidos somente para investidores qualificados, que tem mais de R$ 1 milhão em investimentos ou são profissionais.
Na opinião de Marco Saravalle, a estratégia mais interessante para brasileiros é optar por fundos que acompanhem a bolsa americana, ou, que componham várias ações de tecnologia. “Nós brasileiros dificilmente seremos estrategistas que vamos entender bem de Amazon, Google ou outras. Minha recomendação é fazer essa diversificação, para mitigar o risco”.
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