Apontado como amigo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, o empresário do setor de tecnologia Alberto Leite foi sócio do resort Tayayá durante cinco meses e patrocinou evento com juízes da corte junto ao Banco Master.
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Apontado como amigo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, o empresário do setor de tecnologia Alberto Leite foi sócio do resort Tayayá durante cinco meses e patrocinou evento com juízes da corte junto ao Banco Master.
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Leite se tornou investidor do Tayayá depois que os irmãos do ministro e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, deixaram o quadro societário do empreendimento. Procurado, Leite diz que nunca manteve vínculos societários, relações comerciais, contratos com ministros de cortes superiores ou com familiares e que o empresário e suas empresas nunca tiveram e não têm processos em trâmite no STF ou no STJ (leia o posicionamento abaixo). Zettel e Vorcaro não se manifestaram.
Como revelou com exclusividade o E-Investidor/Estadão, dois irmãos do ministro Toffoli foram sócios do resort Tayayá durante quase três anos. No período, dividiram a sociedade com um fundo de investimento atrelado a Zettel. O empreendimento fica localizado em Rio Claro (PR).
Os irmãos de Toffoli e o cunhado de Vorcaro deixaram a sociedade no mesmo mês, em fevereiro de 2025. José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli venderam as participações para o advogado de Goiás, Paulo Humberto. Já Zettel vendeu sua fatia, detida por meio de um fundo de investimento, ao empresário Alberto Leite.
Após cinco meses, Leite também revendeu a participação no resort, equivalente a cerca de 15% do negócio, para o advogado Humberto. As informações foram publicadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pelo E-Investidor.
Leite é fundador da companhia de tecnologia FS Security, que patrocinou em 2024 o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias. O evento teve a participação dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. O Banco Master, de Vorcaro, também era patrocinador do evento, como apontou o Estadão. Ainda em 2024, o empresário recebeu o ministro Dias Toffoli em um camarote para assistir à final da Champions League, em Londres, publicou na época o jornal O Globo.
Dias Toffoli é relator das investigações sobre supostas fraudes no Banco Master. A atuação do magistrado, entretanto, está sob questionamento público após a divulgação do vínculo financeiro dos irmãos dele com Zettel, também investigado no caso Master.
O Master foi liquidado pelo Banco Central no final do ano passado sob justificativa de “grave crise de liquidez” e “violações às normas” que regem o Sistema Financeiro Nacional.
Grande emissor de títulos bancários, o Master deixou uma conta de quase R$ 50 bilhões a ser paga pelo Fundo Garantidor Créditos (FGC) em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) vendidos a investidores e cobertos pelo fundo.
Posicionamento de Alberto Leite, do Grupo FS
“O patrocínio do Grupo FS foi firmado exclusivamente com uma empresa, o Grupo Voto, responsável pela realização do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias.
Não se tratou de patrocínio a partes, participantes, autoridades ou painelistas individualmente, mas de uma ação institucional regular, firmada diretamente com a empresa organizadora do evento. O patrocínio foi realizado com cota minoritária, com ampla e clara exposição institucional de marca, reforçando a lisura e a transparência da atuação do grupo. Reforça-se que o empresário Alberto Leite e suas empresas nunca tiveram e não têm processos em trâmite no STF ou no STJ, tampouco tiveram ou mantêm contratos com governos, em qualquer esfera.
Não há e nunca houve vínculos societários, relações comerciais, contratos ou processos envolvendo o empresário ou suas empresas com ministros de cortes superiores ou com seus familiares. Reforça-se que as operações citadas foram regulares, em condições usuais de mercado, devidamente registradas nos órgãos competentes e realizadas em estrita conformidade com a legislação, normas e regras vigentes, incluindo tributos devidamente recolhidos.
A posição do investidor no empreendimento (Tayayá Resort) sempre foi exclusivamente a de cotista minoritário, sem qualquer participação na gestão ou nas decisões, tratando-se de investimento normal como vários outros realizados. Por fim, diante da ausência de qualquer ilegalidade, preocupa que relações institucionais legítimas passem a ser tratadas como insinuação, colocando sob suspeita uma atuação empresarial regular e transparente e indevidamente trazendo para o centro de uma crise um grupo que emprega, investe e contribui para o desenvolvimento da infraestrutura crítica digital do país.”
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