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Negócios

Mastercard e Visa se movimentam para entrar no páreo dos pagamentos digitais

Empresas de cartão recorrem a parcerias e aquisições nos setores de software e compensação rápida

Por E-Investidor

02/10/2020 | 19:07 Atualização: 04/10/2020 | 20:11

Foto: Daniel Acker/Bloomberg)
Foto: Daniel Acker/Bloomberg)

(The Economist) – O maior elogio que qualquer sistema de pagamento pode receber é ser esquecido. “Ninguém gosta de pagar”, diz Diana Layfield, executiva da equipe de pagamentos do Google. “As pessoas querem é ter acesso ao que aquele pagamento permite”. Por isso, as grandes brigas do setor costumam ocorrer nas sombras. A mais recente envolve bandeiras de cartão, empresas de tecnologia e governos – todos interessados em controlar os caminhos virtuais por onde circula o dinheiro digital.

Leia mais:
  • Pix acirra disputa no mercado de pagamentos digitais
  • Mastercard: Pandemia incentivou pagamentos por aproximação
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Nos últimos tempos, autoridades públicas, bandeiras e até o SWIFT (principal serviço de comunicação bancária para pagamentos entre países) têm movimentado o mercado e mostrado que as linhas dessa batalha estão mudando de lugar.

Até algum tempo atrás, o sistema de pagamento eletrônico mais parecia uma espécie de correio de dinheiro. Muitos países contam com uma rede nacional, de baixo custo, comandada pelo governo – e é ela que transfere recursos entre bancos. À semelhança do serviço postal, o depósito às vezes levava dias para chegar e era difícil de ser rastreado.

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Com isso, as câmaras de compensação (nome técnico para esses sistemas nacionais) eram usadas sobretudo para pagamentos recorrentes, como salários e benefícios – que não exigem autorização imediata. Para operações isoladas, como compras, as pessoas recorriam a redes privadas de cartões, que permitem transações instantâneas por meio da tecnologia usada nos terminais.

No entanto, com o avanço da economia digital, muitos governos aprimoraram seus esquemas e passaram a autorizar operações on-line em segundos. Atualmente, 55 países – do Canadá a Singapura – contam com sistemas de pagamento entre bancos, em “tempo real”. Outra meia-dúzia de nações está perto de lançar esse serviço.

Além de transportar dinheiro, a chamada “compensação rápida” também leva e traz uma grande quantidade de dados, o que permite a remetentes e destinatários acompanhar o processo – reduzindo, por consequência, os índices de fraude. Os bancos centrais se consideram mais confiáveis e resistentes.

Empresas de tecnologia, como o Google, construíram aplicativos próprios de pagamento, que rodam sobre esses “trilhos” já existentes. E os usuários aproveitam a possibilidade de transferir e rastrear valores de forma simples e rápida.

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As empresas de cartão de crédito, porém, farejam uma ameaça. Assim, Mastercard e Visa, que juntas movimentam 90% dos pagamentos globais com cartão no mundo (sem contar a China), encontraram uma maneira esperta de reagir: decidiram entrar na festa.

No dia 29 de setembro a Mastercard anunciou uma colaboração com a ACI Worldwide, que produz software para sistemas de pagamento em tempo real. Graças à parceria, a bandeira de cartões vai oferecer esses serviços em todo o mundo.

Essa novidade é a continuação da tentativa de se afastar dos cartões físicos, iniciada pela Master em 2016, Naquele ano, a empresa comprou a Vocalink – companhia de software que construiu e opera a maior câmara de compensação da Grã-Bretanha, além de trabalhar na área também em outros países.

De seu lado, a Visa também estabeleceu a própria alternativa para compensações rápidas, batizada de Visa Direct. Ela oferece serviços como ferramentas de segurança que tornam mais fortes as redes de pagamentos de diferentes nações.

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Por ora, os sistemas nacionais de pagamento são apenas isso – nacionais. Embora tenham sido erguidos sobre fundamentos semelhantes, a maior parte deles não pode operar em conjunto (os esquemas europeus são uma exceção).

Com isso, abre-se espaço para outros participantes. Algumas empresas especializadas criaram os próprios “trilhos”, que ajudam os bancos de um país a se conectarem com as redes de pagamento de outro.

O SWIFT, há tempos criticado por ser lento e custoso, também está se mexendo. No dia 17 de setembro, anunciou uma estratégia para “facilitar pagamentos instantâneos, seguros e simples”, graças à tecnologia de nuvem. A mudança equivale ao salto que se dá entre enviar para o exterior pacote “trambolhudo”, que demora para chegar e custa caro, e mandar um e-mail em segundos.

Os planos do SWIFT podem caminhar rápido. A cooperativa conta com mais de 11 mil membros, em sua maioria bancos. Só que as bandeiras também enxergam uma oportunidade nesse terreno.

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Em 2019, tanto Master quanto Visa compraram empresas de processamento de transferências interbancárias, por meio de ligações diretas com os sistemas locais de compensação. Além disso, o plástico dos cartões está perdendo espaço: na semana passada, a Mastercard se autodenominou
uma “empresa global de tecnologia para diversos tipos de pagamento”.

Encarregado das novas plataformas do gigante para a área, Paul Stoddart descreve as incursões da marca nesse universo como uma forma de oferecer mais alternativas aos clientes.

Diante das taxas de crescimento de dois dígitos das empresas de cartão e compensação rápida nos últimos anos, a explosão do mercado de pagamentos digitais provavelmente significa que ainda há muito espaço para faturar com essa mudança. Mas, só para garantir, as bandeiras estão apostando em todos os cavalos do páreo.

(Tradução: Beatriz Velloso)

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