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Ações da Azul (AZUL54) despencam 90% após megadiluição bilionária e aumento histórico de capital

Papéis chegaram a entrar em leilão no pregão com conclusão de oferta de R$ 7,4 bilhões, que elevou o número de ações para mais de 1,45 trilhão e redesenhou a estrutura de capital da companhia

Por Isabela Ortiz

08/01/2026 | 11:40 Atualização: 08/01/2026 | 19:28

Ações da Azul despencam na B3 após megadiluição bilionária e reestruturação financeira nos Estados Unidos. (Foto: Adobe Stock)
Ações da Azul despencam na B3 após megadiluição bilionária e reestruturação financeira nos Estados Unidos. (Foto: Adobe Stock)

As ações da Azul (AZUL54) despencaram 90,20% cotadas a R$ 25. Os papéis chegaram a entrar em leilão até as 11h, segundo informações da Agência Bovespa, após a colocação de uma operação envolvendo 23,7 milhões de ações ao preço de R$ 127,00, intermediada por Ágora e Terra Investimentos, movimento que ampliou a volatilidade do pregão.

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A forte reação do mercado ocorre na esteira da conclusão da oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais, anunciada pela companhia na noite de quarta-feira (7), como parte do processo de reestruturação financeira da Azul nos Estados Unidos. A operação totalizou R$ 7,441 bilhões e já havia provocado um tombo de cerca de 55% no fechamento do pregão anterior.

Em fato relevante, a aérea informou que o conselho de administração aprovou um expressivo aumento de capital por meio da emissão de 723.861.340.715 novas ações ordinárias (ON) e igual número de ações preferenciais (PN).

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Os papéis foram precificados a R$ 0,00013527 no caso das ON e a R$ 0,01014509 no das PN, o que resultou em um aporte de aproximadamente R$ 97,9 milhões via ações ordinárias e de R$ 7,34 bilhões via ações preferenciais.

Na prática, a operação redesenha completamente a estrutura de capital da companhia. Com a conclusão da oferta, o novo capital social da Azul passa a ser de R$ 14,57 bilhões, dividido em cerca de 1,45 trilhão de ações, todas nominativas e sem valor nominal.

Desse total, aproximadamente 726 bilhões são ações ordinárias e 724,7 bilhões são preferenciais, um volume que ajuda a explicar a pressão intensa sobre as cotações no curto prazo.

Segundo Artur Horta, head de análise da The Link Investimentos, o custo dessa reestruturação para o acionista minoritário é extremamente elevado.

“O custo desse aumento de capital é muito grande para o acionista minoritário. Não vale a pena para o acionista ter ações de uma companhia que vai ter um capital social dividido por 1,4 trilhão de ações”, afirma.

Ele destaca que foram emitidas mais de 700 bilhões de ações ON e PN, o que gera uma diluição sem precedentes. “Se o acionista minoritário já tinha pouco, imagina agora o quanto a participação dele vai cair. Então ele vende”, resume.

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Além disso, os investidores que participaram da oferta receberam bônus de subscrição para cada ação ordinária e/ou preferencial adquirida. Esses bônus dão direito à subscrição futura de ações, aumentando ainda mais o potencial de diluição e adicionando um componente extra de complexidade à leitura do papel pelo mercado.

Para Horta, o ganho financeiro no balanço só tende a compensar essa destruição de valor quando o preço da ação refletir integralmente o tamanho da diluição.

“Não faz sentido para o investidor entrar antes ou durante o aumento de capital. Ele tem que entrar depois que essas ações caírem o tanto que foi a diluição, algo próximo de 99,9%. Esse é o ponto de equilíbrio”, explica.

Credores geram pressão vendedora

Do ponto de vista técnico, o analista destaca que a queda expressiva também está ligada à forma como os credores entram na nova estrutura acionária. No caso da ação preferencial, negociada agora sob o código AZUL54, o lote padrão é de 10 mil ações.

“O credor entra na Azul 54 a R$ 101 nesse lote. No dia em que a oferta foi anunciada, esse mesmo lote estava acima de R$ 8.000”, lembra. Diante disso, muitos credores se antecipam e vendem o papel a preços mais altos, gerando pressão vendedora, para depois recomprar ou entregar as ações recebidas no aumento de capital.

“Até que esse lote fique próximo de R$ 100 ou R$ 101, vai haver uma pressão vendedora muito grande”, diz.

Por que a queda é tão acentuada?

Nesse contexto, Horta avalia que a queda de mais de 60% é explicada justamente por esse processo de convergência do preço de mercado ao preço do aumento de capital.

“A queda ocorre até que a ação converta para o preço do aumento de capital. Agora, ela já está bem próxima disso, então a gente pode até ver alguma estabilização daqui para frente”, afirma.

E do ponto de vista financeiro?

A companhia destaca que a reestruturação permitiu a capitalização de cerca de R$ 7,4 bilhões em créditos, por meio da troca obrigatória de dívidas representadas por notas com vencimento entre 2028 e 2030. Esses títulos carregavam cupons elevados, entre 10,875% e 11,93% ao ano, e tiveram seus juros perdoados no contexto da operação, reduzindo significativamente o endividamento e o custo financeiro no médio e longo prazo.

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Para o analista, é justamente aí que passa a estar o foco do mercado a partir de agora.

“O problema da Azul era um problema financeiro. Do lucro operacional para cima, a companhia mostrava bons indicadores. Do lucro operacional para baixo, o custo financeiro da dívida levava a prejuízo e queima de caixa”, explica. Com a conversão de dívida em equity, grande parte dessas dificuldades foi diluída. “Daqui para frente, o mercado vai olhar para lucro líquido e geração de caixa para precificar a companhia novamente”, ressalta.

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