No Brasil, as ações da Prio (PRIO3) subiram 5,12% e lideraram os ganhos do Ibovespa. Os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) também se saíram bem: os ordinários (PETR3) avançaram 4,63% e os preferenciais (PETR4), 4,58%. As ações da Brava Energia (BRAV3) e da Petrorecôncavo (RECV3), por sua vez, tiveram ganhos de 2,84% e 3,33%, respectivamente.
Mesmo com o desempenho positivo das ações no pregão, a Ágora Investimentos e o Bradesco BBI veem riscos em investir no setor petroleiro apenas pelo conflito geopolítico. “Em nossa avaliação, ampliar exposição ao setor com base em um evento cuja duração ainda é incerta — e que pode se encerrar rapidamente — representa um movimento taticamente arriscado”, afirma os analistas Vicente Falanga, do BBI, e Ricardo França, da Ágora.
A principal incerteza, segundo eles, reside na duração e na intensidade do conflito. Caso o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, permaneça parcialmente comprometido e o prêmio geopolítico se sustente, há espaço para preços de petróleo mais altos no curto prazo — movimento que os Estados Unidos tendem a monitorar de perto dada a sua potencial influência sobre a inflação.
Para as empresas sob a cobertura da Ágora e do BBI, o impacto dependerá da relação entre a alta do Brent e o aumento dos custos de frete e seguro. “Companhias mais expostas ao preço à vista e com menor proteção, como Petrobras, Prio e Petrorecôncavo, tendem a capturar melhor eventuais altas adicionais do petróleo. Já empresas com maior cobertura de proteção, como Brava Energia, devem sentir um efeito mais moderado no curto prazo”, afirmam os analistas.
Como mostramos aqui, a alta do petróleo pode turbinar o caixa das petroleiras. Para cada aumento de US$ 10 por barril do Brent, a XP Investimentos estima que o rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE yield) aumente aproximadamente 10 pontos percentuais para a Brava, 6 pontos percentuais para a Petrorecôncavo e 5 pontos percentuais para a Prio e a Petrobras. Esse indicador sinaliza quanto caixa uma empresa gera para os acionistas proporcionalmente ao preço da ação.