

A Ambipar (AMBP3) informou nesta sexta-feira (4) que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu um prazo adicional, até 7 de maio de 2025, para que a Trustee apresente o registro de uma oferta pública de aquisição (OPA) por aumento de participação na companhia. Antes, a data limite era até 21 de abril.
A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) da CVM determinou no dia 20 de março que a Trustee realizasse a OPA. Segundo a área técnica do órgão, a gestora, em nome de seus fundos de investimento, atuou em conjunto com o controlador da Ambipar nas compras de ações realizadas entre julho e agosto de 2024. O movimento resultou, em 12 de julho do ano passado, na ultrapassagem do limite de 1/3 de ações em circulação.
As partes, no entanto, podem recorrer da decisão. Ao E-Investidor, em março, a companhia de soluções ambientais afirmou que “recebeu com surpresa” o comunicado divulgado pela CVM sobre a OPA. “A Ambipar, bem como seu controlador, Tercio Borlenghi Junior, atua em total conformidade com a legislação vigente e com as normas regulatórias estabelecidas para o mercado. A Ambipar buscará as devidas informações para tomar as providências cabíveis junto a esse órgão de controle”, disse na época.
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Advogados consultados nesta matéria explicaram que a exigência da OPA por aumento de participação ocorre como uma forma de proteger os investidores – afinal, quando um acionista ou um grupo de acionistas adquire uma participação relevante em uma companhia de capital aberto, ultrapassando o limite legalmente estabelecido, de 1/3 de ações em circulação, a liquidez dos papéis da empresa pode correr riscos.
A OPA por aumento de participação não implica, necessariamente, na saída da empresa da Bolsa. Para que a companhia deixe de ser listada na B3, seria necessário que uma OPA específica para fechamento de capital fosse lançada e que atingisse os requisitos estabelecidos pela CVM, incluindo a aceitação de acionistas minoritários e um preço justo definido por avaliação independente.
As movimentações da Trustee na Ambipar
Enquanto o CEO da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior detém uma participação de 73,48% da empresa, a Trustee tem atualmente 8,98% do capital social da companhia, o equivalente a 15 mil ações ordinárias. A casa, no entanto, já chegou a ter uma posição de 15,03%.
O primeiro comunicado ao mercado sobre o aumento da participação da gestora ocorreu em 12 de julho de 2024, quando a Trustee atingiu 11.030.300 ações da Ambipar, correspondentes a 6,60% do capital social. Cerca de duas semanas depois, em 25 de julho, a casa anunciou um novo aumento, elevando sua participação para 11,03% do capital social, o equivalente a 18.419.100 ações.
Já em agosto, a gestora alcançou a posição máxima de 15,03% do capital social da Ambipar, reiterando o desejo de indicar dois novos nomes para integrar o conselho da empresa. “Oportunamente, também enviaremos um novo comunicado para a companhia para indicação dos nomes, bem como solicitação de Assembleia Geral Extraordinária de Cotistas para deliberarem sobre o tema”, reforçou a casa à época.
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Nos corredores da companhia, conforme mostramos nesta reportagem, o aumento de posição da Trustee foi visto com bons olhos. O entendimento era de que a experiência da casa poderia ajudar no plano de desalavancagem da empresa e melhorar a sua estrutura de capital.
Em outubro, no entanto, a gestora começou a reduzir sua posição na Ambipar. Na época, a casa deixou de deter 15,03% para possuir 11,89% do capital social, o equivalente a 19.862.870 ações ordinárias – porcentagem novamente reduzida em janeiro, quando alcançou o atual patamar de 8,98%.
No início de 2025, a Trustee declarou que, devido à redução de sua participação na Ambipar, não teria mais interesse em indicar membros para o conselho de administração da empresa.