As ações da Azul, negociadas sob o código AZUL54, dispararam nesta sexta-feira (9), após registrarem forte queda nos últimos pregões diante da oferta bilionária de ações feita pela empresa no âmbito da sua reestruturação financeira. O papel fechou em alta de 200%, cotado a R$ 75, em meio a sucessivos leilões. O Ibovespa subiu 0,27%, aos 163.370,31 pontos.
Segundo Artur Horta, head de análise da The Link Investimentos, o movimento de alta tem explicação essencialmente técnica e está ligado à dinâmica do aumento de capital.
De acordo com ele, quando o papel cai abaixo do preço de entrada da operação, “perde-se a simetria para novas vendas”, o que tende a reduzir a pressão vendedora. Horta avalia que boa parte das vendas mais recentes já havia ocorrido desde dezembro, quando o lote de 10 mil ações chegou a ser negociado por cerca de R$ 8 mil, esvaziando o fluxo adicional de oferta no mercado.
Além disso, o analista destaca que os credores que participam do aumento de capital entram na operação a preços mais elevados, o que pode incentivá-los a recompor posições para reduzir o preço médio.
“O que compensa para eles seria voltar talvez a comprar para poder diminuir o preço médio”, afirma.
Esse movimento, combinado à recompra de posições vendidas por investidores que aguardavam o papel atingir o preço de conversão, ajuda a explicar o repique observado nesta sessão.
Para Horta, a combinação desses fatores (interrupção da pressão vendedora, possível entrada de compradores técnicos e fechamento de posições vendidas) cria um ambiente propício para uma forte reação de curto prazo ou até para uma estabilização das ações. Ainda assim, ele faz um alerta ao investidor.
Apesar da disparada, o papel segue altamente especulativo. “Eu não acho que a Azul ainda está atrativa para o investidor”, diz, ressaltando que será necessário acompanhar como a companhia vai se comportar após o aumento de capital, a divulgação dos próximos balanços e as orientações da empresa sobre seus indicadores financeiros antes de avaliar se o preço faz sentido para uma decisão de investimento de prazo mais longo.