O Citi classificou o balanço como negativo. Apesar de o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ter vindo acima das estimativas, o banco chama atenção para a continuidade da queima de caixa e o elevado nível de alavancagem, em um ambiente ainda desafiador para o setor petroquímico global. A avaliação é de que, mesmo com algum alívio marginal nas margens, não há, por ora, perspectiva de melhora relevante na geração de caixa.
Parte desse alívio pode vir do cenário externo. O Citi observa que a companhia parece mais otimista para 2026, com expectativas de spreads petroquímicos mais altos impulsionados pelas tensões no Oriente Médio que têm provocado interrupções na oferta global e elevação de preços. A combinação com taxas mais altas do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) também pode favorecer as margens. Ainda assim, os analistas ponderam que esses fatores não configuram um catalisador forte para as ações da Braskem, diante das incertezas sobre a estrutura de capital e uma eventual mudança no controle acionário.
Na mesma linha, o Banco Safra descreve o desempenho operacional como fraco, ainda que dentro do esperado. O Ebitda recorrente ajustado somou US$ 109 milhões no trimestre, queda de 27% em relação ao período anterior, pressionado por menores volumes vendidos e spreads (diferença entre o preço de compra e venda de um ativo) deprimidos. O resultado final, por sua vez, foi fortemente impactado por efeitos não recorrentes: a companhia registrou prejuízo de US$ 1,9 bilhão, muito acima do esperado, influenciado principalmente pela baixa contábil de US$ 1,4 bilhão em ativos fiscais diferidos, um efeito sem impacto relevante de caixa no período.
A geração de caixa é o principal ponto de atenção
A Braskem reportou queima de caixa de US$ 140 milhões no trimestre, ainda que menor que a do trimestre anterior. A alavancagem permanece elevada, com a relação dívida líquida/Ebitda em níveis considerados críticos, refletindo um quadro de estresse financeiro. Ao fim do período, a companhia tinha cerca de US$ 2 bilhões em caixa, frente a vencimentos de dívida estimados em aproximadamente US$ 1,5 bilhão em 2026.
Do ponto de vista operacional, o cenário segue pressionado em diferentes geografias. No Brasil, a receita líquida caiu 11% na comparação anual, afetada pela queda nos preços e volumes de resinas e químicos básicos. As operações nos Estados Unidos e Europa também registraram retração, com Ebitda negativo, enquanto no México houve recuperação parcial, impulsionada pelo aumento das vendas de polietileno após paradas de manutenção, embora ainda abaixo das expectativas.
Em meio a esse contexto, a companhia tenta ajustar sua estratégia para lidar com o aumento dos custos de insumos. O CEO da Braskem, Roberto Ramos afirmou que a empresa passou a importar mais etanol dos Estados Unidos como alternativa à alta da nafta, pressionada pelo conflito no Oriente Médio. Segundo ele, apesar da elevação de preços, não houve comprometimento na oferta do insumo. Já a diretora de RI, Rosana Avolio, destacou que o cenário geopolítico pode trazer efeitos positivos, caso os preços das resinas avancem diante de paralisações produtivas globais. O CFO Felipe Jens acrescentou que a companhia busca capturar oportunidades, mesmo com a pressão de custos logísticos e de matérias-primas.