Ao longo do pregão, no entanto, o movimento ganhou tração. No fechamento, o WTI para maio avançou 3,33%, a US$ 94,19, enquanto o Brent para junho subiu 3,37%, a US$ 105,32, consolidando-se acima da marca simbólica dos US$ 100. A escalada reflete a recomposição do prêmio de risco em um ambiente marcado por incerteza e respostas rápidas às manchetes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo deve se reunir com representantes iranianos ainda hoje para discutir um cessar-fogo. Do outro lado, Teerã não confirmou oficialmente a negociação e, ao longo da semana, chegou a negar repetidamente qualquer tratativa com Washington. O desencontro de versões mantém o mercado em compasso de espera.
Risco de oferta entra no radar
Além da geopolítica no Oriente Médio, novos focos de preocupação começam a surgir do lado da oferta. Exportadores russos alertaram compradores sobre a possibilidade de força maior nas exportações de petróleo a partir de portos do Báltico, após ataques de drones atingirem estruturas em Primorsk e Ust-Luga.
Os episódios interromperam carregamentos e levaram à suspensão de embarques sem prazo definido em um dos terminais, que movimenta cerca de 700 mil barris por dia. A leitura no mercado é direta. Qualquer disrupção adicional na cadeia de oferta global reforça a pressão altista sobre os preços.
Mercados reagem com aversão ao risco
A alta do petróleo reverberou em várias frentes. No exterior, o avanço da commodity foi concomitante à queda das bolsas europeias e ao fortalecimento do dólar, em um típico movimento de busca por proteção.
Nos Estados Unidos, os índices das bolsas encerraram em baixa, após perdas relevantes na sessão anterior. O ouro avançou, reforçando o tom defensivo. No câmbio, a moeda americana ganhou força globalmente, sustentada tanto pelo aumento da aversão ao risco quanto por sinais de que o choque de energia pode pressionar a inflação.
Dirigentes do Federal Reserve, o banco central dos EUA, têm reforçado essa leitura. A diretora Lisa Cook destacou que a escalada geopolítica desloca os riscos para a inflação, enquanto Michael Barr alertou para o impacto direto dos preços de energia nas expectativas inflacionárias. O pano que se desenha é de juros elevados por mais tempo.
No Brasil, o ambiente internacional influencia fortemente câmbio e mercado. O dólar segue pressionado frente ao real, acompanhando o movimento global, mesmo com o suporte potencial das exportações de commodities. Dados locais, como a taxa de desemprego e o saldo em conta corrente, também entraram no radar.
Petroleiras avançam com alta da commodity
Na B3, o movimento do petróleo sustentou as ações do setor. Petrobras (PETR3; PETR4) avançava, com alta de 1,74% nas ordinárias, a R$ 54,3, e de 2,89% nas preferenciais, a R$ 49,41.
A companhia adiou para 31 de março o leilão de Gás Liquefeito de Petróleo, o GLP, combustível amplamente utilizado em botijões de gás de cozinha, sem detalhar os motivos. Sobre uma possível recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, informou que não há fato novo e que o tema segue em análise interna.
Outras petroleiras também se beneficiaram, com o desempenho positivo se espalhando pelo setor, ainda que com intensidades distintas. A PetroReconcavo (RECV3) avançou 2,11%, a R$ 13,58, enquanto a PRIO (PRIO3) subiu 3%, a R$ 70,82.
Na contramão, Brava Energia (BRAV3) cedeu 1,56%, a R$ 19,56.
Com informações da Broadcast