O dólar se fortaleceu ante boa parte dos pares globais nesta terça-feira, após a decepção com a magnitude do corte de juros na China imprimir cautela nos mercados, o que reforçou a demanda pela segurança da moeda americana e também do iene. Sinais de resiliência da economia dos EUA ajudaram a amplificar o movimento.
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A decisão do Banco do Povo da China (PBoC) de reduzir as principais taxas de referências de empréstimos (LPR) em 10 pontos-base veio em linha com o consenso de analistas, mas economistas vinham especulando sobre a necessidade de um relaxamento mais agressivo. A avaliação é de que a desaceleração da atividade justifica medidas de estímulos contundentes, particularmente no setor imobiliário.
A repercussão ao anúncio se traduziu em fuga de ativos de risco, em benefício do dólar. O índice DXY, que mede a divisa dos EUA ante seis rivais fortes, fechou em alta de 0,02%, a 102,540 pontos. No fim da tarde em Nova York, o dólar cedia a 141,44 ienes.
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A BBH enxerga fatores positivos às perspectivas da moeda norte-americano, à medida que dirigentes do Federal Reserve (Fed) devem reforçar a sinalização de retomada do aperto monetário em julho, após a pausa na semana passada. “No entanto, uma recuperação maior do dólar pode ter que esperar até a próxima semana, quando os principais dados dos EUA devem mostrar força contínua em junho”, destaca.
Os ganhos do dólar foram potencializados pela informação de que as construções de moradias iniciadas dos EUA registraram inesperado salto de 21,7% em maio ante abril. Amanhã, o presidente do Fed, Jerome Powell, participará de audiência no Congresso e deve abordar a situação da economia americana.
Do outro lado do Atlântico, o euro recuava a US$ 1,0919 e a libra cedia a US$ 1,2765 euros. Nos últimos dias, dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) indicaram expectativa por mais aumento de juros adiante. Hoje, Gediminas Simkus comentou, inclusive, que não descarta uma elevação em setembro, a depender da evolução da inflação.
No Reino Unido, o foco se voltará para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) amanhã, que ajudará a balizar as apostas para a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) na quinta-feira. O Lombard Odier projeta que a taxa básica britânica subirá de 4,5% atualmente até o pico de 5,5% em algum momento nos próximos meses.
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Entre emergentes, o dólar avançava a cerca de 803,80 pesos chilenos, no dia seguinte à decisão do Banco Central do Chile de manter a taxa de juros em 11,25% e sinalizar mais cortes à frente.