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Tempo Real

Dólar hoje: moeda fecha em queda, com intervenção do Banco Central no radar

Na sessão desta terça-feira (2) o real amargou e registrou o pior desempenho entre seus pares

Por Antonio Perez

02/04/2024 | 17:47 Atualização: 02/04/2024 | 18:04

Moeda americana. (Foto: Envato Elements)
Moeda americana. (Foto: Envato Elements)

Apesar da intervenção do Banco Central, com venda de US$ 1 bilhão de swaps cambiais, e do recuo global do dólar, o real apresentou fôlego bem reduzido na sessão desta terça-feira (2). Operadores afirmam que a busca por proteção cambial no segmento futuro, em razão de fatores técnicos e de ruídos políticos domésticos, prejudicam o desempenho da moeda brasileira.

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Com mínima a R$ 5,0231, pela manhã, e máxima a R$ 5,0628, o dólar à vista encerrou cotado a R$ 5,0583, praticamente estável (-0,02%). Após subir 3,34% no primeiro trimestre, a moeda apresenta valorização de 0,86% nos dois primeiros pregões de abril, o que leva os ganhos acumulados no ano para 4,22%.

O real amargou, de longe, o pior desempenho entre seus pares. Os pesos chileno e colombiano subiram mais de 0,90% em relação ao dólar, enquanto o peso mexicano exibiu ganhos ao redor de 0,30%. Termômetro do desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY caiu cerca e 0,20%, mas manteve-se em nível elevado, ao redor dos 104,800.

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“O desempenho do real é preocupante. Tem a questão técnica, mas também a percepção de uma piora da qualidade da política econômica e a tentativa de ingerência em empresas, o que aumenta a percepção de risco”, afirma o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, ressaltando que crescem os temores de que o governo aumente os gastos após a queda de popularidade do presidente Lula.

Na parte técnica, o real é pressionado pelo vencimento, em 15 de abril, de mais de US$ 3,5 bilhões em NTN-s A3, títulos corrigidos pela variação da cotação de venda do dólar. Na prática, que tem esses papéis está “comprado em dólar”. Quando os títulos vencem, os detentores podem ir ao mercado para recompor sua posição, o que aumenta a demanda por compra no mercado futuro.

Ontem, no comunicado do leilão adicional de swap cambial, o BC informava que iria atuar para suprir a “demanda por instrumentos cambiais resultantes dos efeitos do resgate de NTN-A3”. A entrada de um comprador relevante poderia gerar disfuncionalidades no mercado e provocar uma escalda da taxa de câmbio. Caso o ambiente global fosse de dólar fraco, talvez os efeitos do vencimento das NTN-A3 fossem absorvidos sem sobressaltos pelo mercado cambial.

“O Banco Central colocou US$ 1 bilhão em swap hoje. Como o vencimento das NTN é de mais de US$ 3,5 bilhões é provável que ele entre outra vez no mercado para suprir essa demanda. O mercado deve tentar a paciência do BC”, afirma Borsoi.

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Apesar do recuo do índice DXY hoje, o ambiente global ainda é de um dólar forte e taxa dos Treasuries em níveis elevados. A taxa da T-note de 10 anos subiu mais de 1% hoje e, na máxima, tocou o nível de 4,40%, maior nível desde novembro de 2023.

Dados divulgados hoje atestaram a força da economia americana. As encomendas à indústria nos EUA subiram 1,4% em fevereiro, acima do previsto pelos analistas. O relatório de emprego Jotts mostrou que a abertura de postos de trabalho avançou de 8,748 milhões em janeiro para 8,756 milhões em fevereiro, praticamente em linha com o esperado (8,770 milhões).

Com direito a voto nas decisões de política monetária nos EUA, a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, afirmou que precisa de mais sinais sobre a trajetória de antes de decidir para corte de juros – e que não espera ter o nível necessário para tomar tal decisão na reunião do Fed marcada para 1° de maio.

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