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Dólar sobe 0,58% e valoriza 1,19% na semana com crise de bancos lá fora

A moeda terminou a sessão cotada a R$ 5,2702

Por Antonio Perez

17/03/2023 | 18:30 Atualização: 17/03/2023 | 18:30

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

Após recuo de 1,03% ontem, o dólar voltou a subir no mercado doméstico de câmbio nesta sexta-feira, 17, em meio a aumento da aversão a risco no exterior com temores de crise no sistema financeiro americano e europeu. Com máxima a R$ 5,2850, a moeda terminou a sessão cotada a R$ 5,2702, em alta de 0,58%, encerrando a semana com valorização de 1,19%.

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Informações de forte aumento de busca de instituições por linhas de redesconto do Federal Reserve nos últimos dias e o pedido de recuperação judicial do SVB Financial Group, controlador do Silicon Valley Bank (SVB), acenderam o sinal de alerta entre investidores, que ontem haviam comemorado o socorro de US$ 30 bilhões de 11 bancos americanos ao First Republic Bank. Ainda pairam dúvidas sobre a sustentabilidade do Credit Suisse, a despeito de a instituição ter conseguido linha de crédito de mais de US$ 50 bilhões do Banco Central suíço.

Lá fora, o dólar caiu em relação a divisas fortes e moedas de países exportadores de commodities desenvolvidos, mas subiu na comparação com moedas emergentes, em especial latino-americanas, movimento do qual o real não escapou. Como em episódios de estresse ao longo da semana, as maiores perdas ficaram por conta do peso mexicano. As cotações do petróleo voltaram a recuar, com tipo Brent para maio fechando em queda de 2,31%, a US$ 72,97 o barril.

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“Ainda que medidas tenham sido tomadas em ambos os casos, permanece um significativo risk-off já que persiste a incerteza em relação aos desdobramentos da crise nos bancos médios nos EUA e no Credit Suisse”, afirma a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, acrescentando que a China também agiu para dar suporte à liquidez bancária com corte de 25 pontos-base em sua taxa de compulsório. “A decisão veio após ‘hard datas’ chineses indicarem uma retomada menos pujante que a esperada. Esse conjunto de fatores penalizou as moedas de países emergentes e tende a continuar mantendo a aversão ao risco elevada”.

No mercado de renda fixa, a taxa do Treasury de 2 anos, mais ligada à perspectiva para o rumo da taxa básica americana, caiu quase dois dígitos e voltou a operar abaixo da linha de 4,00%. Parte do mercado especula que o Fed possa optar, na próxima quarta-feira, 22, por manter os Fed Funds inalterados, em vez de elevá-los em 25 pontos-base.

O economista-chefe do Instituto Finanças internacionais (IIF), Robin Brooks, observa que os pequenos bancos americanos, quando olhados em conjunto, têm um peso relevante e superam as grandes instituições no segmento imobiliário comercial americano. “O difícil ‘trade-off’ que os EUA enfrentam é entre proteger os depositantes não segurados em pequenos bancos versus uma crise de crédito pontualmente profunda”, afirma Brooks, no Twitter.

Apesar do escorregão com a crise externa, analistas destacam que o real parece, por hora, bem ancorado, dado que a moeda brasileira sofreu menos que seus pares. Embora tenha atingido máxima a R$ 5,3288 na quarta-feira, 15, o dólar respeitou o teto de R$ 5,30 no fechamento. As taxas reais domésticas elevadas, mesmo com eventual redução da taxa Selic nos próximos meses, e certo otimismo com a possibilidade de anúncio do novo arcabouço fiscal estariam dando suporte ao real.

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“A semana foi contaminada pelas preocupações com possível crise financeira depois dos problemas de liquidez dos bancos americanos. Mas o real até que se comportou bem. Temos ainda um patamar de juro elevado que estimula o carry trade e vejo possibilidade de o dólar se acomodar mais perto de R$ 5,15”, afirma o diretor de produtos de câmbio da Venice Investimentos, André Rolha.

Uma ala do mercado alimenta expectativas que a proposta seja divulgada antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira à noite, o poderia abrir espaço, ao lado da piora das condições de crédito, para o colegiado do BC sinalizar possível redução da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, ainda no primeiro semestre.

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