A cautela antes do anúncio de mais medidas econômicas em um contexto de necessidade de ajuste fiscal e queda da popularidade presidencial pesou sobre o câmbio. Os juros futuros também acentuaram a alta depois da convocação do pronunciamento de Lula.
A última semana de fevereiro ainda é de agenda esvaziada, mas indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos podem impactar os mercados aqui e lá fora. “O dólar segue forte no exterior, com uma variação mínima já que internamente não temos notícias relevantes. No cenário internacional, persistem incertezas sobre as tarifas comerciais dos EUA e o desfecho das negociações sobre a guerra na Ucrânia, especialmente após trocas de críticas entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky”, destaca Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.
O Boletim Focus desta segunda-feira trouxe uma novidade em relação ao câmbio. A projeção para o dólar ao final de 2025 caiu para R$ 5,99; é a primeira vez que a estimativa vai abaixo de R$ 6 desde meados de janeiro. A mediana do Focus para os próximos anos, no entanto, subiu de R$ 5,90 para R$ 5,92 em 2027 e R$ 5,93 ao final de 2028.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, analisa: “A nova revisão da expectativa de inflação no Boletim Focus divulgado hoje, com a mediana subindo de 5,60% para 5,65%, sinaliza uma tendência que pode exigir mais esforços do Banco Central brasileiro para convergir as expectativas este ano. A divulgação do IPCA-15 de fevereiro amanhã será de grande importância para o panorama da inflação este ano, especialmente após mais uma revisão de alta nas projeções do Focus.”
Depois de atingir a máxima histórica de R$ 6,26 ao final de dezembro, o dólar vem em um movimento de queda expressiva ante o real. Até a última sexta-feira (21), a moeda americana acumulava uma queda de 7,27% em 2025, fazendo o real ser a segunda melhor moeda do mundo no ano.