

O euro vai ser um dos ativos beneficiados com a nova política comercial dos Estados Unidos, assim como o Brasil é um dos países que irão sofrer menos com o tarifaço americano. A avaliação é do gestor Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset Management.
“O euro se beneficia porque a Europa é outra grande região do mundo onde dá para alocar capital. A bem da verdade, não tem tantos lugares para ir”, afirmou Stuhlberger. Ele afirmou que há empresários relatando que não pretendem investir nos Estados Unidos durante a gestão Trump porque, mudando o mandatário nas próximas eleições americanas, a política comercial tende a mudar também.
Outro motivo para a valorização do euro é o fato de os ativos na Europa serem “extremamente mais baratos do que os dos Estados Unidos”. No caso do Brasil, o gestor afirmou que, num primeiro momento, o Brasil deve experimentar um aumento das exportações com o tarifaço americano. Para o País se tornar um destino atraente para alocação em ativos financeiros, o gestor afirma que mudanças estruturais precisam ser feitas. Apesar disso, ele diz que já há algumas oportunidades, especialmente em títulos atrelados à inflação.
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O gestor da Verde Asset contou que passou parte da madrugada desta quinta-feira (3) operando e montando posições em busca dessas oportunidades. Entre as mudanças na carteira, uma delas foi o aumento da posição aplicada em NTN-B 2030.
O gestor argumentou que, embora a dívida pública brasileira persista numa trajetória insustentável, o momento é bom para montar posição nos títulos soberanos indexados à inflação. Inclusive, diz Stuhlberger, a Bolsa brasileira ficou, comparativamente, mais cara que as NTN-Bs de duration semelhante, no caso o contrato para 2040. “A Bolsa ‘ex commodities’ teve um desempenho cerca de 0,7% maior que as NTN-Bs 2040 por diferentes motivos. Então, as Bs [os títulos atrelados à inflação] estão mais baratos que a Bolsa”, afirmou.
Stuhlberger disse que a preferência pela NTN-B 2030 é porque esse vencimento “é mais garantido”, ou seja, tem um risco menor que contratos com prazos maiores. “A ‘B-40’ tem um tail risk [risco de cauda] maior no caso de o PT ganhar as eleições [presidenciais em 2026”, afirmou.
Trade eleição
O gestor do fundo Verde afirmou que ainda é cedo para montar um ‘trade eleição’, uma operação que aposta de forma direcional na alternância de poder em Brasília no ano que vem. “Em geral, esse ‘trade de eleição’ faz sentido um ano antes da eleição. Então, estamos a seis meses dessa data”, afirmou. “Até o ano que vem, o Lula ainda tem ‘muita coisa para queimar’: pode aumentar o valor do Bolsa Família e adotar outras medidas”, afirmou Stuhlberger, reforçando que ainda é cedo para saber se haverá um rali na Bolsa brasileira apostando na saída do Poder Executivo do governo do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Agora, tudo leva a crer que há uma perda estrutural na popularidade do Lula e que não tem como recuperar isso. Claro, isso também depende de quem for o candidato. Se não for o Tarcísio [governador de São Paulo], a competitividade [da candidatura adversária] fica menor. Tarcísio tem chances muito maiores que outros candidatos”, disse.
Proteção da carteira
Apesar de apontar o ouro como o melhor ativo de proteção no atual grau de incerteza global, o gestor afirmou que não tem posição no metal precioso. “Infelizmente”, disse, pontuando que o preço do contrato de ouro tem renovado preços recordes com a piora do sentimento global.
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O bitcoin é outro ativo apontado pelo gestor como um ativo de proteção para o atual momento, mas carrega a complexidade de ter uma correlação mais direta com bolsas. “O bitcoin é risk on e risk off. Com a bolsa americana caindo, ele sofre”, disse Stuhlberger, que tem “uma posição pequena” no criptoativo.
Além dessas posições, Stuhlberger tem uma posição de proteção (hedge) contra uma eventual recessão moderada nos Estados Unidos com uma operação envolvendo uma combinação de puts no índice S&P500. Apesar da desaceleração da economia americana em curso e da força do euro, o fundo Verde não está vendido em dólar. “Estamos zerados”, afirmou.