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Ibovespa hoje fecha em alta de olho na pesquisa sobre Lula, Lei Magnitsky e ata do Fed; dólar cai a R$ 5,47

Índice buscou se recuperar após perdas da véspera, quando ações dos maiores bancos tombaram na B3

Por Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

20/08/2025 | 8:52 Atualização: 20/08/2025 | 17:49

A avaliação positiva do governo Lula subiu segundo a pesquisa Genial/Quaest. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
A avaliação positiva do governo Lula subiu segundo a pesquisa Genial/Quaest. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Após uma abertura em baixa, o Ibovespa hoje ganhou fôlego e fechou o pregão em alta. Nesta quarta-feira (20), o índice avançou 0,17%, aos 134.666,46. Investidores acompanharam os desdobramentos da decisão do ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o crescimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

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Na ata do Fed, dirigentes apontaram que os efeitos das tarifas de Donald Trump “estavam se tornando mais aparentes nos dados, como indicado pelos recentes aumentos na inflação de bens”, enquanto a inflação de serviços continuou a desacelerar. Segundo o documento, “muitos participantes notaram que pode levar algum tempo para que os efeitos completos das tarifas mais altas sejam sentidos nos preços de bens e serviços ao consumidor”.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, avalia que o comitê, que teve uma decisão dividida na última reunião, reiterou sua postura de ser muito dependente de dados. “Ele reafirmou que continuará a considerar uma ampla gama de informações ao tomar suas decisões futuras, incluindo as condições do mercado de trabalho, as pressões inflacionárias, as expectativas de inflação, e os desenvolvimentos nos mercados financeiros e internacionais”, destaca.

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A fraca tração desta quarta-feira no IBOV acompanhou o movimento das bolsas americanas. Os ajustes do índice da B3 aconteceram após a queda de 2,10% ontem.

Somado a isso, com a agenda de indicadores praticamente vazia e a falta de novas notícias acerca da tensão entre Brasil e Estados Unidos no que diz respeito aos bancos, o pregão foi classificado pelos operadores como de instabilidade. Ajudou, nesse sentido, a queda do dólar hoje. A moeda americana recuou 0,51% a R$ 5,4729.

Na avaliação de Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, os bancos brasileiros possivelmente tenderão a seguir a Lei Magnitsky, em uma leitura de redução de danos. “Do ponto de vista de bem estar social, faz muito mais sentido congelar o ministro Alexandre de Moraes do que colocar em xeque todo o sistema financeiro nacional”, argumenta.

  • Veja como ações de bancos reagem em meio à repercussão da decisão de Dino e Lei Magnitsky

No exterior, o dia foi de alta dos preços do petróleo, o que apoiou as ações da Petrobras (PETR3/0,83%; PETR4/0,6%). Hoje, o conselheiro do presidente dos EUA, Peter Navarro, voltou a criticar a compra de petróleo da Rússia pela Índia e disse que, se os indianos interrompessem a compra da commodity de Moscou, ajudaria a acabar com a guerra na Ucrânia.

Ainda sobre commodities hoje, o minério de ferro voltou a recuar na China e em Cingapura, influenciado pela perspectiva de corte na produção chinesa, o que pressionou a Vale (VALE3/-0,45%).

Ibovespa hoje: os principais assuntos desta quarta-feira (20)

Bolsas de NY fecham sem direção única após ata do Fed

Cautela pós-Fed foi sentida nas Bolsas internacionais. (Foto: Adobe Stock)

Os índices das bolsas de Nova York fecharam sem direção única Dow Jones subiu 0,04%, enquanto Nasdaq e S&P recuaram 0,67% e 0,24%, respectivamente. O dólar hoje, por sua vez, mostrou estabilidade frente a moedas principais, após a ata do Fed. O índice DXY, teve leve queda de 0,05% aos 98,218 pontos.

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Na Europa, as bolsas fecharam sem sinal único. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou em alta de 0,23%, a 559,09 pontos. Em Londres, o FTSE 100 subiu 1,08%, a 9.288,14 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,60%, a 24.277,10 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 0,08%, a 7.973,03 pontos.

Também seguiram em foco os desdobramentos das negociações para o fim da guerra na Ucrânia. A Casa Branca planeja uma possível reunião trilateral entre os presidentes dos EUA, Rússia e Ucrânia.

O presidente Donald Trump sinalizou que os EUA estão preparados para usar poder aéreo em apoio a uma força de segurança europeia na Ucrânia, mas descartou o envio de tropas terrestres.

No comércio, mais de 400 novos produtos entraram na lista de itens sujeitos à tarifa de 50% sobre aço e alumínio, medida voltada a evitar evasão de tarifas e fortalecer indústrias domésticas sob argumento de segurança nacional.

Mercado monitora decisão do STF e popularidade de Lula

A avaliação positiva do governo Lula subiu de 28% para 31 (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

No último pregão, a Bolsa fechou em 134.432,26 pontos, pressionada por temores sobre a relação Brasil-EUA e pelo forte recuo das ações de grandes bancos. O dólar também refletiu o nervosismo, subindo para R$ 5,5009, maior valor de fechamento desde o início do mês.

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Nesta quarta-feira, investidores segueiram atentos aos desdobramentos da decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que afirmou que leis estrangeiras só têm validade no Brasil após homologação judicial — vista como reação à sanção dos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Lei Magnitsky. O setor bancário teme represálias legais tanto nos EUA quanto no Brasil.

  • CEO do Nubank sobre a Lei Magnitsky: cumprimos leis locais e internacionais

Além das tensões diplomáticas, o avanço na avaliação de Lula também mexeu nos negócios. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a maioria dos brasileiros vê o governo como melhor que o de Jair Bolsonaro (PL) – 43% contra 38% –, segundo pesquisa Genial/Quaest. A avaliação positiva de Lula subiu de 28% para 31%, a negativa caiu de 40% para 39%, e a regular foi de 28% para 27%.

Agenda econômica do dia

A agenda econômica desta quarta-feira (20) foi marcada por declarações do diretor Christopher Waller, que tem direito a voto e é candidato à sucessão de Jerome Powell, em evento sobre inovação tecnológica no Wyoming. O dirigente mencionou que o sistema de pagamentos global está passando por uma “revolução impulsionada pela tecnologia”. Waller ainda acrescentou acreditar que as “stablecoins têm potencial para manter e expandir o papel do dólar internacionalmente”.

Segundo o diretor do Fed, o uso da inteligência artificial (IA) em pagamentos também é uma área de inovação privada no setor, mas não deu mais detalhes. “O Fed também realiza pesquisas técnicas sobre a última onda de inovações, incluindo tokenização, contratos inteligentes e IA em pagamentos.”

No Brasil, o presidente Lula se reuniu nesta manhã com ministros e presidentes de bancos públicos para discutir o crédito imobiliário para reforma de casas. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou à tarde do 1º Seminário de Governança, Riscos, Controle e Integridade, promovido pela pasta.

No Congresso, a Câmara deve votar ainda a urgência do projeto de lei do Imposto de Renda (IR). No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) instalou a comissão parlamentar inquérito (CPI) mista sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o plenário pode votar em segundo turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/2023, que limita o pagamento de precatórios por Estados e municípios.

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Entre indicadores, a produção industrial cresceu em julho, mas as expectativas dos empresários do setor para os próximos seis meses recuaram, segundo a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada nesta quarta-feira, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A expectativa para exportações nos próximos seis meses caiu, o que pode ser impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

No Japão, saem à noite também as leituras preliminares de agosto da S&P Global/Jibun Bank para os Índices de Gerentes de Compras (PMIs) composto, de serviços e industrial.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

*Com informações de Paula Dias, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast

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