“Enxergamos o mercado internacional como uma via de duas mãos, trazendo para os investidores locais alternativas de diversificação em dólar, com a eterna discussão de quando isso vai acontecer de fato, de forma intensa, dado o juro a 15% e muito concentração em renda fixa. E outro pilar é ‘vender Brasil‘, e temos tido diversas ações, tentando vender nossa expertise para o estrangeiro. Não é fácil, pela volatilidade da moeda e pela falta de conhecimento. É uma combinação de fatores que não é trivial”, afirma Ricardo Eleutério, diretor de operações (COO, na sigla em inglês) da Bradesco Asset Management.
Segundo Eleutério, o principal pilar da estratégia não é falar de cenário, mas sim vender as oportunidades do mercado brasileiro. “Falar só de Brasil, vender o ‘single country‘, não é fácil pela perspectiva de concentração em um único país”, diz o executivo. Ele menciona que falar sobre o tamanho do juro real brasileiro, por exemplo, não é motivo suficiente para “emplacar” a alocação do estrangeiro.
Por outro lado, Eleutério destaca que em termos de questões regulatórias, o mercado brasileiro está mais à frente do que o investidor estrangeiro observa. “É um desafio explicar para os americanos a robustez do nosso mercado. O Brasil é visto como um país de alto risco, sem ter controles regulatórios ou em desenvolvimento. Então nosso trabalho é explicar esses processos, controles e robustez que nos permite receber investimentos do mercado americano”, afirma Vinicius Rodrigues, diretor-executivo da BTG Pactual US Capital LLC.
David Rincón, responsável pelo Desenvolvimento de Negócios na América do Sul na Creand Wealth & Securities, trouxe o ponto de vista do estrangeiro, avaliando que o Brasil tem potencial para ganhar espaço se as instituições seguirem disseminando esse conhecimento. “O sentimento que o estrangeiro tem de Brasil é misto. Eles sabem do potencial, das oportunidades, mas ainda tem a questão de ser um mercado emergente. Ainda há falta de conhecimento real sobre o mercado”, diz.