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Fed começa a reduzir portfólio de ativos; processo pode levar anos

Não há consenso sobre os efeitos das compras de ativos do Fed e a redução do portfólio

Por Estadão Conteúdo

02/06/2022 | 15:20 Atualização: 02/06/2022 | 15:14

FED (Foto: Andrew Hamik/ Associated Press)
FED (Foto: Andrew Hamik/ Associated Press)

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começou nesta quarta-feira o processo para reduzir seu portfólio de ativos, de US$ 8,9 trilhões. O Fed expandiu de modo dramático seu portfólio em março de 2020, a fim de estabilizar os mercados, e então continuou a comprar Treasuries e títulos lastreados em hipotecas (MBS, na sigla em inglês) em grandes quantidades depois disso, a fim de garantir estímulo adicional à economia e conter os retornos de longo prazo. As compras foram encerradas em março de 2022 e o Fed tem se mantido com balanço constante, já que reinveste o obtido com os títulos que vencem em novos bônus.

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A partir de 1° de junho, o Fed deixará até US$ 30 bilhões em Treasuries e US$ 17,5 bilhões em MBS vencer a cada mês sem reinvestir o montante obtido. O banco central reduz seu balanço de modo passivo, assim. Em setembro, o BC permitirá até o dobro de vencimentos – US$ 60 bilhões em Treasuries e US$ 35 bilhões em MBS, a fim de reduzir seu portfólio.

O Fed já disse que, no longo prazo, deseja deter primariamente Treasuries. Vendes os títulos lastreados em hipoteca mais rápido altera a composição de seu balanço. Na última década, o Fed não vendeu ativamente os MBS, mas nunca descartou isso. Os dirigentes não decidiram se ou quando poderiam vender títulos, e as atas das reuniões recentes não dão muitas pistas sobre o debate. Como os juros de hipotecas têm aumentado de modo substancial, o Fed terá de avaliar os efeitos econômicos de qualquer dessas vendas. Nas taxas de juros atuais, o Fed provavelmente venderia esses ativos com prejuízo.

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Na prática, o Fed criava dinheiro do nada para comprar os bônus. Agora, ele destruirá o dinheiro do mesmo modo. O processo não envolve dinheiro em papel, apenas dinheiro eletrônico que na prática some do sistema financeiro.

Não há consenso sobre os efeitos das compras de ativos do Fed, chamadas às vezes de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês), e a redução do portfólio, chamada às vezes aperto quantitativo (QT). Vários analistas sugerem que esse aperto poderia ser equivalente a uma alta de 25 pontos-base ou de 50 pontos na taxa de referência de juros de curto prazo.

Em teoria, as compras de Fed deveriam reduzir os juros de longo prazo, pressionando a diferença entre o retorno do bônus de longo prazo e os de curto prazo. Analistas do JPMorgan Chase estimaram que a cada US$ 1 trilhão em compras de bônus do Fed durante a crise de 2008 reduziu esse prêmio no juro da T-note de 10 anos de 0,15 a 0,20 ponto porcentual. A redução no balanço tenderia a elevar o prêmio, ao aumentar o estoque de bônus que os investidores privados precisarão absorver, levando os preços para baixo e elevando os retornos dos bônus.

Além disso, não está ainda claro quando será o fim do processo de redução do balanço do Fed. Diretor do BC, Christopher Waller já afirmou que, na avaliação dele, as reservas como parcela do Produto Interno Bruto (PIB) – cerca de US$ 3,8 trilhões, ou 16% do PIB no fim de março, poderiam recuar a níveis vistos no início de 2019, quando estavam em cerca de 8% do PIB. Projeções publicadas no mês passado pelo Fed de Nova York sugerem que isso seria consistente com um recuo no balanço de cerca de US$ 6 bilhões até meados de 2025. O desempenho econômico, claro, também será importante para isso, já que o Fed poderia acabar o processo mais cedo se em alguns anos os dirigentes passarem a querer não elevar, mas cortar os juros.

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*Com informações do Dow Jones Newswires.

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