Segundo a Fitch, a transação terá impacto limitado na expectativa de redução da alavancagem da Suzano, dada a forte geração de fluxo de caixa operacional esperada. A agência diz reconhecer que, embora a companhia precise integrar operações em diferentes mercados e capturar potenciais sinergias, a Suzano tem expertise industrial e posição de liderança em celulose. A Fitch ainda destaca a capacidade da empresa de aumentar o uso de fibra curta em produtos de papel, em linha com a tendência do mercado internacional de migração de fibra longa para fibra curta.
Com a transação, a empresa será a oitava maior produtora global de papéis de higiene e a dependência da Suzano da Ásia, incluindo a China, também deve diminuir, de 33% para 28%.
“A nova entidade deverá melhorar a diversificação de negócios e regional da Suzano. A contribuição do segmento de bens de consumo para sua receita consolidada deve aumentar de 6% para 31%, enquanto a do EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização]
deve aumentar de menos de 5% para 14%, apesar das margens operacionais menores que as de celulose”, diz a agência de risco.
A Fitch acredita que a JV adicionará US$ 3,3 bilhões à receita e US$ 500 milhões ao Ebitda da Suzano, que foi de US$ 4,1 bilhões em 2024, sem considerar sinergias. A empresa espera atingir sinergias de US$ 175 milhões ao longo de quatro anos.
A Fitch acrescenta ainda que a conclusão do negócio, prevista para meados de 2026, deve permitir que a empresa reduza sua alavancagem em 2025. “Em base pró-forma, a JV deve aumentar a dívida líquida/Ebitda da Suzano em 0,1-0,2 vez, sem considerar potenciais sinergias, e não deve impactar a expectativa da Fitch de alavancagem líquida abaixo de 3 vezes após 2026”, diz a classificadora de risco.
A Fitch classifica a Suzano com IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local ‘BBB-‘, Perspectiva Positiva, e Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA(bra)’, perspectiva Estável.