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Fundo Verde, de Stuhlberger, vê credibilidade fiscal jogada fora e se protege da exposição a ativos brasileiros

A gestora avalia o pacote de gastos como um “trem da alegria” mirando a eleição presidencial de 2026

Por Bruna Camargo

12/12/2024 | 9:27 Atualização: 12/12/2024 | 9:27

Luis Stuhlberger, responsável pelo fundo multimercado Verde Asset Menagement (Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO)
Luis Stuhlberger, responsável pelo fundo multimercado Verde Asset Menagement (Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO)

O fundo Verde, da gestora que tem como sócio-fundador Luis Stuhlberger, avalia que o pacote de corte de gastos anunciado em novembro pelo governo foi um “trem da alegria” mirando a eleição presidencial de 2026, e preferiu se proteger da exposição aos ativos domésticos. Assim, o fundo tem posição levemente vendida (que aposta em baixa) na Bolsa brasileira e comprada (que aposta na alta) em dólar contra o real, segundo a carta mensal da Verde.

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“A opção pelo populismo ficou patente na resolução que o governo deu ao pacote fiscal. Depois de dois meses de idas e vindas, desidratação a olhos vistos, e críticas de todos os lados, quando finalmente um módico controle de gastos ia ser anunciado, ele foi embalado para presente junto com um corte de impostos bastante agressivo. O governo busca argumentar que o corte é ‘neutro’, mas sabemos que é assimétrica a probabilidade de o Congresso aprovar o corte até cinco mil reais (chance alta) versus a de aprovar toda uma nova metodologia de Imposto de Renda acompanhada de aumento para rendas mais altas (chance bem mais baixa)”, avalia a equipe de gestão da Verde. O documento descreve que “a nesga de credibilidade fiscal que restava ao atual governo foi jogada fora”.

A avaliação da gestora é que o pacote de corte de gastos se transformou “num trem da alegria mirando 2026”. “A política econômica se vê desancorada, com apenas a ação do Banco Central (BC) no sentido de controlar a inflação oferecendo algum conforto, ainda que sob a sombra do risco de dominância fiscal”, afirma a Verde.

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Por outro lado, a gestora diz que o cenário global segue dominado pelos impactos da vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos. “A formação da equipe de governo e as primeiras declarações do presidente eleito reforçam expectativas que já vinham se consolidando: tarifas e imigração dominando a agenda, com provável pressão especialmente sobre a China. Já do lado fiscal, a indicação de Scott Bessent como secretário do Tesouro, e da dupla Elon Musk e Vivek Ramaswamy no Departamento de Eficiência do Governo, por ora sinalizaram uma situação de controle das contas públicas, o que ajudou as taxas de juros longas a se manterem bem-comportadas nas últimas semanas”, descreve a carta mensal. “Continuamos a esperar o anúncio de novas tarifas contra a China dentre as primeiras medidas do novo governo.”

Assim, a Verde manteve a exposição em bolsa global estável. A alocação comprada em juro real nos Estados Unidos também continua, mas a gestora informa ter iniciado um hedge (proteção para tentar diminuir os efeitos da volatilidade do mercado financeiro sobre seus ativo) parcial em juros nominais. Em moedas, a posição vendida em euro foi zerada, assim como a comprada na rúpia indiana. Ainda, a Verde reduziu marginalmente a posição em cripto após a boa performance recente.

Em novembro, o Verde FIC FIM apresentou alta de 3,29%, acima do indicador de referência, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que teve alta de 0,79%. O acumulado de 2024 está em ganhos de 9,69%. Segundo a carta mensal, a performance positiva veio das posições em dólar contra o euro e o renminbi, inflação implícita no Brasil, ações, cripto e cupom cambial. Já as perdas, consideradas marginais, vieram de posições em commodities.

* Com informações do Broadcast

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