Reciprocidade do Brasil contra EUA e PCE americano movimentam o Ibovespa hoje. (Foto: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje abriu em alta de 0,30%, aos 141.470 pontos nesta sexta-feira (29). O mercado financeiro hoje acompanha a aplicação da lei de reciprocidade contra os EUA, enquanto reage à inflação americana, medida pelo Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE).
O principal índice da B3 pode operar de forma indefinida, em meio a sinais distintos no exterior. O petróleo e os mercados de ações internacionais caem no último pregão de agosto, enquanto o minério de ferro subiu 0,77% hoje na China.
Por outro lado, o Índice Bovespa deve terminar o mês com a maior valorização desde março. Até agora, acumula ganho mensal de 6%. Na semana, sobe 2,23%. Ontem, fechou com alta de 1,32%, aos 141.049,20 pontos, pela segunda vez na faixa dos 141 mil, refletindo expectativas de cortes da Selic e de mudança na gestão presidencial em 2026.
A valorização ocorreu apesar da operação Carbono Oculto, que mobilizou a Polícia Federal, Receitas Estadual e Federal na quinta-feira (28) na Avenida Faria Lima, movimentando o coração financeiro do país e mirando o setor de combustíveis. A visão de especialistas é de impacto restrito nos mercados, embora o assunto deva continuar sendo monitorado. A partir de hoje, a Receita Federal passará a enquadrar fintechs como instituições financeiras.
Investidores ainda monitoram a crise no Federal Reserve (Fed, o banco central americano), com a demissão da diretora Lisa Cook, e a autorização da aplicação da lei de reciprocidade pelo governo brasileiro contra os EUA, diante da falta de chance de negociação com o presidente norte-americano, Donald Trump. A decisão pode elevar a tensão entre os dois países.
“Não temos ainda claramente de que forma que o presidente vai usá-la [lei de reprocidade] e de que maneira que ele pretende retaliar os Estados Unidos, ou se é só uma pressão para tentar dialogar”, avalia Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
Nesta manhã, foram informados os números da inflação PCE dos EUA — medida preferida do Fed. Apesar de terem ficado conforme o previsto, vieram altos e reforçam cautela, pois a taxa está acima da meta de 2%.
Ainda assim, “não deve alterar a aposta majoritária de corte dos juros na próxima reunião do Fed, em 17 de setembro, o que foi defendido na noite de ontem pelo dirigente Christopher Waller, que já havia votado pela redução no encontro passado. De todo modo, a inflação ainda distante da meta [de 2%] corrobora a avaliação de um ‘corte duro’, com a manutenção de um discurso cauteloso da instituição”, avalia em nota Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
No câmbio, o dólar hoje avança ante rivais no exterior e mostra leve alta de 0,08% ante o real, negociado a R$ 5,4248.
Ibovespa hoje: o que você deve ficar atento nesta sexta-feira (29)
Agenda econômica do dia
A agenda econômica desta sexta-feira (29), último pregão de agosto, traz o Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos de julho, principal termômetro de inflação para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O Ibovespa hoje também acompanha a aplicação da lei de reciprocidade contra os americanos após a decisão do país de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
Em paralelo, o governo brasileiro deve enviar ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que não há previsão de o texto trazer medidas adicionais de receita. No front fiscal, sai o desempenho do setor público consolidado de julho.
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Também nesta quinta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulga a bandeira tarifária de setembro e, no câmbio, há a definição da Ptax (taxa de referência para as operações de câmbio no mercado financeiro, calculada durante o dia pelo Banco Central do Brasil) do mês.
O mercado também monitora a reunião trimestral de diretores do Banco Central (BC) com economistas, em São Paulo, e o presidente da autoridade monetária brasileira, Gabriel Galípolo, que participa de evento do Banco Central do Uruguai, em Montevidéu.
A agenda econômica do mercado externo traz as divulgações da inflação dos EUA medida pelo PCE de julho, Índice de Gerentes de Compras (PMI) e confiança do consumidor da Universidade de Michigan. A Alemanha revela o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto e serão conhecidos o Produto Interno Bruto (PIB) da Índia do segundo trimestre e o do Canadá.
Bolsas globais enfrentam perdas com PCE e Fed
O índice de inflação PCE ajuda a balizar as apostas de juros nos EUA. (Foto: Adobe Stock)
A queda é generalizada entre os futuros de Nova York e bolsas europeias, após S&P 500 e Dow Jones terem renovado recorde no pregão regular da véspera. O PCE deve trazer ajustes nas apostas para cortes de juros nos EUA.
O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,2% em julho ante junho, segundo pesquisa divulgada pelo Departamento do Comércio. Na comparação anual, houve alta de 2,6% em julho. Analistas ouvidos pela FactSet previam acréscimo mensal de 0,2% do PCE e avanço anual de 2,6%.
“A barra para reconsiderar a forte sinalização de um corte de juros em setembro é alta após os comentários dovish (ameno) de Jerome Powell (presidente do banco central americano) no simpósio de Jackson Hole”, diz o banco ING, que esperava um avanço de 0,3% em julho ante junho.
Além de defender corte de juros na reunião de setembro, o diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Christopher Waller, pontuou a favor da continuidade do afrouxamento monetário nas reuniões subsequentes.
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A disputa legal pelo futuro da diretora do Fed, Lisa Cook, segue no radar. Um juiz marcou uma audiência nesta sexta-feira sobre o pedido de Cook para impedir o presidente Donald Trump de demiti-la.
Na Europa, pesam os temores de novos impostos sobre bancos no Reino Unido, para ajudar a equilibrar as contas públicas. Isso deflagrou uma liquidação do setor: ações de bancos como Barclays e Lloyds operam em forte queda na Bolsa de Londres.
Lei de reciprocidade contra os EUA: o que mais esperar do Ibovespa hoje?
Os mercados podem adotar cautela após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizar aplicação da lei de reciprocidade contra os EUA, diante da falta de chance de negociação sobre as tarifas de Donald Trump. O tom negativo no exterior também deve pesar.
No radar, a megaoperação policial contra o PCC — a Operação Carbono Oculto — que mira a Faria Lima e o setor de combustíveis. Gestores veem, no entanto, impactos restritos a uma parcela menor do mercado.
Na quinta-feira (28), dia da operação, o Ibovespa teve fortes ganhos, diante da aposta em corte da Selice expectativa de alternância da presidência nas eleições de 2026.
O presidente Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), possíveis adversários em 2026, travam uma disputa de protagonismo em torno da operação Carbono Oculto. O governo Lula também viu a oportunidade de enquadrar as fintechs sem ter de recuar, como ocorreu em janeiro.
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Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, André Marinho, Isabella Pugliese Vellani, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast