

O Ibovespa hoje fechou em queda, acompanhando o movimento negativo registrado nas principais bolsas internacionais. Os mercados reagiram ao anúncio de tarifas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta quinta-feira (3), a principal referência da B3 caiu 0,04% aos 131.140,65 pontos.
Na última quarta-feira (2), Trump anunciou uma nova leva de tarifas recíprocas a países que impõem impostos de importação a produtos dos EUA. O Brasil ficou no grupo dos países taxadas com o piso mínimo de 10%, junto ao Chile, Colômbia e Reino Unido. Já a China vai receber a alíquota de 34% – além dos 20% já anunciados anteriormente –, enquanto a da União Europeia será de 20%. Para o Japão, Coreia do Sul e Índia, as sobretaxas serão de 24%, 25% e 26%, respectivamente. Importações da Suíça terão uma tarifa de 31%, enquanto os produtos da Venezuela serão taxados em 15%.
“No relativo, o Brasil sai menos prejudicado. Na largada, parece que está se saindo melhor”, afirma Eduardo Carlier, co-diretor de gestão da Azimut Brasil Wealth Management, para quem, por ora, a atitude do governo brasileiro em sugerir que não vai retaliar é prudente. “O governo está assumindo uma postura pragmática, não querendo retaliar. Então, além de as tarifas impostas serem menores, a postura que tem adotado abre espaço para negociar”, avalia Carlier.
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Nesta sessão, as Bolsas de NY registraram quedas: enquanto o Nasdaq tombou 5,97%, o S&P 500 e o Dow Jones recuaram 4,84% e 3,98%, respectivamente. Na Europa, os índices fecharam em forte queda. Em Londres, o FTSE 100 recuou 1,55%, para 8.474,74 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 3,08%, fechando em 21.700,36 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, teve queda de 3,31%, encerrando a sessão em 7.598,98 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,08%, para 13.192,07 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, subiu 0,13%, para 6.967,03 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, recuou 3,60%, fechando em 37.070,83 pontos – veja detalhes sobre como estão os mercados internacionais hoje nesta matéria.
Para o Swissquote Bank, o tarifaço do republicano foi pior do que as expectativas e, como esperado, o presidente disse que os parceiros poderiam negociar com os EUA para reduzir essas taxas. Assim, o banco suíço defende que a tensão crescente do anúncio e o choque inicial “serão difíceis de digerir para muitos parceiros comerciais” e que, provavelmente, haverá retaliações. “A China já anunciou que restringirá os investimentos nos EUA, a Europa já alertou que haverá retaliações e o Japão disse que protegerá as indústrias e empregos nacionais”, acrescenta.
Por aqui, as ações da Auren (AURE3) dispararam 7,58% e lideraram os ganhos do Ibovespa hoje. Segundo o analista e sócio da Performa Ideias, Vitor Miziara, o setor elétrico se beneficia da queda nos juros futuros. Papéis de empresas como a Energia (ENGI11) e Engie (EGIE3) também se saíram bem na sessão e avançaram 4,23% e 4,74%, respectivamente.
Na ponta oposta, os ativos da Brava Energia (BRAV3) derreteram 7,18% e registraram a maior baixa do índice, diante da forte queda do petróleo hoje. Ações da Petrobras, de grande peso para a Bolsa brasileira, também sofreram no pregão e recuaram 3,53% (PETR3) e 3,23% (PETR4).
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No mercado de câmbio doméstico, o dólar hoje fechou em queda de 1,20%, a R$ 5,6281. Na mínima da sessão, perto das 11h, a cotação chegou a bater R$ 5,5980, sendo essa a primeira vez que a divisa americana alcança tal patamar desde meados de outubro de 2024.
*Com informações do Broadcast