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Ibovespa hoje fecha em alta com Lula descartando retaliação a Trump; dólar cai a R$ 5,46, menor nível desde julho

O apetite por risco no exterior suavizou os impactos no Ibovespa hoje em meio ao tarifaço dos EUA

Por Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

06/08/2025 | 8:31 Atualização: 06/08/2025 | 19:16

Tarifas de Donald Trump devem entrar em vigor nesta quarta (Foto: Adobe Stock)
Tarifas de Donald Trump devem entrar em vigor nesta quarta (Foto: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje fechou em alta, de olho em novas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tarifaço do presidente americano, Donald Trump. Pela manhã, o índice chegou a retomar o nível dos 135 mil pontos, que não era atingido há quase duas semanas. No fechamento, porém, terminou o dia em valorização de 1,04%, aos 134.537,62 pontos. As atenções do mercado estiveram nas tarifas de 50% dos Estados Unidos aos produtos brasileiros, que entraram em vigor nesta quarta-feira (6).

Leia mais:
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Os investidores monitoraram uma conjunção de fatores, como a queda dos preços do petróleo e balanços corporativos melhores do que o esperado.

“O apetite por risco está grande no exterior, com os investidores dispostos a colocar o dinheiro para trabalhar. Além disso, balanços fortes, como o do Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4), surpreenderam o mercado”, diz João Piccioni, CIO da Empiricus Asset.

Quanto à taxação dos produtos brasileiros, o especialista afirma que o mercado mostra menor sensibilidade ao noticiário, enquanto aguarda novos desdobramentos do caso e os impactos do evento na balança comercial e na inflação.

Lula afirmou nesta quarta-feira que poderia retaliar o tarifaço imposto ao Brasil por Trump, com a taxação de produtos americanos. Ele disse, porém, que não irá fazê-lo porque “não quer ter o mesmo comportamento”. O petista sinalizou que o Brasil irá “gastar tudo o que for possível de negociação” antes de medida de retaliação aos EUA.

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Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia afirmado pela manhã que o texto com as medidas previstas no plano de contingência para mitigar os efeitos da sobretaxa deveria ser enviado ainda hoje ao Palácio do Planalto. Ele disse também que terá uma reunião com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Besset, na próxima quarta-feira (13).

  • Tarifa de 50% dos EUA: o impacto em preços, emprego, dólar e no bolso do consumidor brasileiro

Ibovespa hoje: os principais destaques da quarta-feira (6)

As maiores altas do dia

O grande destaque do dia foi a RD Saúde (RADL3), que avançou 18,67% a R$ 17,8. A empresa publicou seu balanço do segundo trimestre de 2025, no qual reportou um lucro líquido ajustado de R$ 402,7 milhões, alta anual de 12,9%. A receita líquida de vendas e serviços, por sua vez, somou R$ 10,8 bilhões no período. Veja o que agradou o mercado nesta matéria. A RADL3 está em alta de 32,15% no mês. No ano, porém, acumula uma desvalorização de 18,24%.

Completando o pódio, estiveram MRV (MRVE3) e Minerva (BEEF3), que subiram 7,24% e 6,28%, respectivamente, atingindo R$ 6,37 e R$ 5,25. A segunda deve divulgar seu balanço do segundo trimestre nesta quarta, após o fechamento do mercado.

As maiores baixas do dia

As ações do GPA (PCAR3) lideraram as perdas do dia e fecharam em queda de 10,36% a R$ 3,03, após a empresa divulgar seu balanço do segundo trimestre. Para o Citi, o resultado não dá motivos para comemorar, pois a elevada alavancagem e as despesas financeiras substanciais persistem. Já a Ativa considerou os números fracos, com a receita líquida abaixo do esperado, assim como a margem bruta. Confira os detalhes aqui.

Outros destaques negativos do dia foram a Raízen (RAIZ4), que cedeu 2,9% a R$ 1,34, e SLC Agrícola (SLCE3), que caiu 2,43% a R$ 17,65. A RAIZ4 está em baixa de 5,63% no mês e acumula uma desvalorização de 37,96% no ano. Já a SLCE3 cede 3,71% no mês, mas sobe 3,76% em 2025.

Itaú avança após balanço

As ações do banco subiram 1,26% após os resultados do segundo trimestre. O lucro líquido recorrente gerencial de R$ 11,5 bilhões no período, uma alta de 3% em relação ao trimestre anterior e de 14,3% na comparação anual, veio em linha ou levemente acima das expectativas das principais casas de análise, como mostramos nesta reportagem.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE, na sigla em inglês), por sua vez, atingiu 23,3%, superior aos 22,5% do primeiro trimestre e aos 22,4% do mesmo período de 2024.

Dólar fecha no menor nível desde 8 de julho

O dólar hoje opera perto da estabilidade ante outras moedas de economias desenvolvidas (Foto: Adobe Stock)

No câmbio local, o dólar hoje abriu em estabilidade, mas passou a cair à tarde e fechou em baixa de 0,78% a R$ 5,4632, no menor preço desde 8 de julho – confira aqui as notícias sobre a moeda ao longo do dia.

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Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, mesmo com a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, o mercado de câmbio local vem absorvendo relativamente bem o impacto inicial. “No cenário externo, as expectativas renovadas de uma reprecificação nos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vem fortalecendo outra moedas diante do dólar, em especial o real”, acrescenta.

Na avaliação de Arthur Barbosa, analista da Aware Investments, a expectativa por cortes de juros nos EUA também tem auxiliado a Bolsa brasileira. “Isso tem reduzido os prêmios de risco para investimentos em mercados emergentes, como o Brasil, atraindo fluxos de capital que beneficiam as bolsas locais, visto que os investidores buscam alternativas mais rentáveis fora dos mercados tradicionais”, avalia.

Bolsas da Europa e de Nova York terminam o dia em alta

Na Europa, as bolsas fecharam em alta, com expectativa pela decisão de juros de quinta-feira (7) pelo Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), quando é amplamente esperado um novo corte de taxas. Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,24%, a 9.164,31 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,25%, a 23.904,53 pontos. Já em Paris, o CAC 40 ganhou 0,18%, a 7.635,03 pontos.

Em Nova York, os índices também subiram com expectativas de corte de juros pelo Fed em setembro e a repercussão de balanços corporativos. Dow Jones avançou 0,18%, enquanto Nasdaq e S&P 500 registraram ganhos de 1,21% e 0,73%, respectivamente.

Os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) voltaram a operar sem sinal único, mas com queda nos juros curtos e avanços nos longos. O destaque foi um leilão de T-notes de 10 anos na tarde que teve uma demanda fraca pela primeira vez desde fevereiro, com investidores buscando maiores rendimentos para emprestar ao governo do americano.

  • Veja também: E se Trump demitir Powell? Deutsche Bank alerta sobre caos nos mercados

Commodities hoje: petróleo inverte sinal e fecha em queda

Após quatro pregões em baixa, o petróleo voltou a ceder hoje, refletindo as expectativas pela reunião de Trump com a Rússia nesta quarta para discutir cessar-fogo no conflito com a Ucrânia. O presidente americano afirmou que a sobretaxa sobre países que compram petróleo russo pode chegar a 100%, mas que a decisão será tomada depois da conversa.

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Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro recuou 1,24% (US$ 0,81), a US$ 64,35 o barril. Já o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), teve baixa de 1,11% (US$ 0,75), a US$ 66,89 o barril.

Entre as commodities hoje, o minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para setembro de 2025, fechou em queda de 0,06%, cotado a 794,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,58.

Agenda econômica do dia

Entraram em vigor nesta quarta-feira (6) as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros exportados para o mercado americano. Assim, temas ligados à política monetária e tarifas comerciais permanecem no foco dos investidores.

Além disso, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, discursou pela manhã no evento Blockchain Rio 2025. Ele afirmou ser necessário garantir recursos, estrutura e um arcabouço legal e institucional para permitir que a autarquia continue entregando inovação e serviços com excelência. “Todas essas inovações, tudo isso que o Banco Central fez, são conquistas do Brasil”, disse.

  • Confira: Pix é sucesso “estrondoso” e leva mais brasileiros ao uso de cartões, diz Galípolo

Na agenda de dados, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 7,075 bilhões em julho de 2025, após saldo positivo de US$ 5,889 em junho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), o valor foi alcançado com exportações de US$ 32,310 bilhões e importações de US$ 25,235 bilhões.

Já nos EUA, investidores acompanharam falas de dirigentes do Fed. A diretora Lisa Cook disse que o relatório de vagas de emprego dos EUA, o payroll, abaixo do previsto de sexta-feira (1º) foi “preocupante”, afirmando que grandes reconsiderações podem ocorrer em pontos de virada econômica. “Devemos ser cautelosos e humildes ao analisar os dados. Taxa de desemprego ainda é um bom indicador de fraqueza econômica”, comentou Cook.

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Por sua vez, a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, afirmou que a incerteza é notável em áreas onde investimentos de longo prazo estão ocorrendo, mas que os dados tem demonstrado diferentes níveis dessa instabilidade. “A incerteza pode até acelerar alguns tipos de atividade econômica”, comentou.

Esses e outros dados mexeram com o Ibovespa hoje e ficaram no radar dos investidores.

*Com informações de Paula Dias, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast

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