

O Ibovespa hoje ampliou ritmo de queda para 1,12%, aos 131.667 pontos às 13h33 desta sexta-feira (28). Com isso, o índice perde a pontuação de 133 mil pontos da véspera. As atenções do mercado estão concentradas em indicadores de emprego no Brasil e na guerra comercial nos Estados Unidos – veja aqui a agenda completa do dia.
O movimento acompanha a desvalorização das bolsas de Nova York, que pioraram após a pesquisa final da Universidade de Michigan mostrar queda do sentimento do consumidor a 57 em março, mais intensa do que o esperado.
A cautela nos mercados internacionais na última sexta-feira de março e antes de anúncios sobre as “tarifas recíprocas” dos Estados Unidos na semana que vem pode instigar uma realização de lucros no principal índice da B3 hoje. Na véspera, o Índice Bovespa fechou em alta de 0,47%, aos 133.148,75 pontos – pela primeira vez nesta marca em 2025.
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Na avaliação de Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, os ruídos gerados por Donald Trump criam um panorama de permanente instabilidade e maior incerteza, o que tende a penalizar ativos de maior risco.
A fraqueza das commodities hoje tende a corroborar essa expectativa, antes das divulgações do Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) nos Estados Unidos. Trata-se do índice de inflação predileto do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Fica no foco a deflação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em março. O IGP-M registrou queda de 0,34% no fechamento deste mês após alta de 1,06% em fevereiro. O recuo foi mais intenso do que o piso das estimativas do mercado financeiro em pesquisa Projeções Broadcast, de baixa de 0,32%.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de fevereiro, que mostrou taxa de desemprego em 6,8%, igual à mediana encontrada na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast.
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À tarde, será divulgado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês passado. A mediana das expectativas indica criação líquida de 225 mil vagas com carteira assinada, acelerando o ritmo na comparação com janeiro.
O dólar hoje se ajustar à alta da divisa americana frente moedas principais e várias emergentes pares do real em meio a quedas das commodities e preocupações com os impactos da política tarifária dos EUA – leia mais aqui. Nesta sexta-feira, o dólar avança 0,22%, a R$ 5,7616.
- Confira aqui a agenda econômica das empresas nesta sexta-feira
Ibovespa hoje: os destaques desta sexta-feira
Tarifas dos EUA acendem cautela internacional
As preocupações com os impactos das tarifas dos EUA pesam sobre as bolsas internacionais. O presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, afirmou que a política monetária americana está sendo conduzida sob uma “névoa densa”, comparando a situação a uma “visibilidade zero”. Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, reforçou que a manutenção dos juros por mais tempo é apropriada.
A consultoria Capital Economics avalia que as tarifas de 25% sobre as importações de veículos podem reduzir as vendas alemãs no mercado americano em até 50% e levar o Canadá à recessão.
- Leia também: Ações de montadoras caem no mundo todo após anúncio das tarifas de Trump sobre veículos
Como operam as bolsas globais hoje?
Apesar da cautela gerada pela guerra comercial, as bolsas de valores europeias e a brasileira acumulam ganhos no ano, enquanto os mercados de Nova York operam no vermelho. Inclusive, nesta sexta-feira, os índices futuros das bolsas de Nova York e os rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) recuam.
Na Europa, a libra se fortaleceu frente ao dólar hoje após uma alta inesperada das vendas no varejo do Reino Unido e o crescimento de 0,1% da economia britânica, conforme esperado. Já na zona do euro, o índice de sentimento econômico caiu em março, frustrando a expectativa de alta.
Pnad Contínua: como está a desocupação no Brasil?
A taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O resultado foi idêntico à mediana das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam taxa de desemprego entre 6,6% e 7,0%. Em igual período do ano anterior, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 7,8%. No trimestre encerrado em janeiro de 2025, a taxa de desocupação estava em 6,5%.
Commodities: minério recua e petróleo beira estabilidade
O petróleo mostra estabilidade após acumular ganhos nas duas últimas sessões, enquanto investidores seguem monitorando desdobramentos da política tarifária do governo Donald Trump e avaliam a possibilidade de aperto na oferta da commodity. No início desta manhã, o barril do petróleo WTI para maio subia 0,13%, enquanto o do Brent para junho avançava 0,04%.
Entre as commodities hoje, o minério de ferro fechou em queda de 0,19%, cotado a 785,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 108,1 nos mercados de Dalian, na China.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) caíam 0,49% no pré-mercado de Nova York. Já os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) mostravam estabilidade na manhã desta sexta-feira.
O que esperar para o Ibovespa hoje?
O viés negativo dos futuros de Nova York pode limitar um avanço do Ibovespa hoje. O EWZ, principal fundo de índice (ETF, fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação) brasileiro negociado em Nova York, subia 0,49% no pré-mercado no início da manhã.
Fernando Haddad afirmou na quinta-feira (27) que o governo mantém sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,3% para 2024, apesar da revisão do Banco Central, que reduziu sua projeção de 2,1% para 1,9% no Relatório de Política Monetária (RPM). O ministro reiterou que o governo tem o mesmo objetivo do BC: cumprir o regime de metas de inflação.
O mercado financeiro hoje também acompanha os dados do emprego, o IGP-M e a repercussão da indicação do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o Conselho Fiscal da Eletrobras (ELET3; ELET6) – veja mais aqui.
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*Com informações de Daniela Amorim e Gabriela Jucá, do Broadcast