Ibovespa hoje renova recorde aos 148,7 mil pontos, com Vale (VALE3) e acordo EUA-China; dólar sobe
Foi o 4º dia seguido de recorde. Mercados repercutiram o corte de tarifas dos EUA à China, enquanto investidores aguardaram a decisão do BCE e o balanço da mineradora, que sai esta noite
Exterior mostra cautela após acordo EUA-China e balanços; fiscal fica no foco do Ibovespa hoje. (Foto: Adobe Stock)
OIbovespa hoje voltou a atingir um patamar inédito nesta quinta-feira (30), alcançando 148.780,22 pontos, após subir 0,1% no pregão. Durante a sessão, o índice chegou a superar os 149.234,05 pontos, máxima intraday, mas acabou perdendo fôlego na reta final das negociações.
O movimento ocorreu em meio à divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, com maior geração de vagas em setembro do que a mediana das expectativas. “É um resultado bom, a economia está gerando vagas, tem emprego. No entanto, é inflacionário”, ressalta o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.
As atenções do mercado também seguiram no acordo para reduzir tarifas dos Estados Unidos à China. presidente norte-americano, Donald Trump, disse que reduzirá as tarifas de importação sobre produtos chineses de 57% para 47%, após se reunir com o líder da China, Xi Jinping. No Brasil, os dados de emprego e o balanço da Vale (VALE3) ganharam destaque. As ações da mineradora foram beneficiadas pelo avanço do minério de ferro na China. Já o petróleo beirou estabilidade, enquanto os índices de ações norte-americanos fecharam em baixa.
Também ficaram no foco questões fiscais. O mercado acompanhou a votação da mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para isenção do Imposto de Renda (IR) e repercutiu a notícia de que a Câmara aprovou o projeto de lei que institui o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp) com um ‘jabuti’ que ressuscita parte da MP Alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Outro ponto de atenção foi o sinal de alívio na inflação e expectativa de aceleração no Caged de setembro. O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) caiu 0,36% em outubro, após subir 0,42% em setembro, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda foi mais intensa do que a mediana das estimativas do Projeções Broadcast, de recuo de 0,23%.
No câmbio, o dólar e o euro subiram 0,4% e 0,11% frente ao real na sessão, atingindo os R$ 5,38 e R$ 6,22, respectivamente.
Ibovespa hoje: os assuntos que movem o mercado de ações nesta quinta-feira (30)
Bolsas globais reagem à redução de juros do Fed e acordo EUA-China
“As perspectivas para o emprego e a inflação não mudaram muito desde nossa reunião em setembro. As condições no mercado de trabalho parecem estar esfriando gradualmente, e a inflação permanece um pouco elevada”, disse o presidente do Fed, Jerome Powell, ao justificar a decisão de outubro, em coletiva de imprensa, na quarta-feira.
Com a decisão da quarta-feira, o Fed cortou os juros em 25 pontos-base, levando o intervalo-alvo para 3,75% a 4,00% ao ano. Essa é a segunda queda consecutiva no atual ciclo de flexibilização monetária do banco central americano.
As ações da Meta recuam 11% no dia após a empresa reportar queda de 83% no lucro líquido do terceiro trimestre. Já os papéis da Microsoft perdem 2,9%, enquanto os da Alphabet (Google) chegaram a dispasrar mais de 7% após os resultados, mas fecharam o dia com uma alta de 2,45%.
Os mercados também reagiram ao acordo comercial entre China e EUA, que aparentemente não empolgou os investidores. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que reduzirá as tarifas de importação sobre produtos chineses de 57% para 47%, após se reunir com o líder chinês, Xi Jinping.
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As bolsas asiáticas fecharam em queda, refletindo o ceticismo com o sinal de trégua entre os dois países. O dólarhoje se fortaleceu frente ao iene após o Banco do Japão (BoJ) manter as taxas de juros.
Na Europa, a cautela prevaleceu antes da decisão do BCE e diante da divulgação dos números do PIB regional e dos balanços de companhias como AB Inbev, Société Générale, Crédit Agricole e Shell.
Vale (VALE3) divulga balanço do 3º tri
Balanço da Vale será conhecido após o fechamento dos mercados. (Foto: Adobe Stock)
A Vale deve apresentar lucro líquido entre US$ 2,01 bilhões e US$ 2,61 bilhões no terceiro trimestre de 2025 (3T25), dizem analistas das corretoras Ágora, Ativa, Genial e XP Investimentos em relatórios – veja a reportagem completa.
A companhia passa por um trimestre marcado pela alta do preço do minério de ferro e pela conclusão da venda de 70% da Aliança Energia por US$ 1 bilhão. Ambos os fatores indicam injeção no caixa e redução do endividamento ao ponto de abrir espaço para dividendos extraordinários.
Caged deve registrar criação líquida de 169 mil vagas em setembro
O Caged deve continuar com o saldo positivo na criação de vagas formais em setembro, mas com indícios de perda de força, de acordo com economistas consultados pelo Projeções Broadcast.
A mediana das estimativas do mercado indica criação líquida de 169 mil vagas com carteira assinada no indicador em setembro, ganhando ritmo na comparação com agosto, quando houve saldo positivo de 147.358 vagas. As expectativas para esta leitura variam de 130.000 a 247.975 vagas.
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O economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, projeta criação líquida de 185 mil postos formais em setembro. Com o ajuste sazonal, a estimativa para o saldo de empregos com carteira assinada passa de 41,9 mil em agosto para 53,7 mil em setembro.
“Todos os cinco grandes setores devem gerar criação líquida de empregos em setembro, com destaque para o setor de serviços, representando em torno de 48% das vagas do mês”, detalha Imaizumi, que prevê 2,160 milhões de admissões e 1,975 milhões de desligamentos no mês.
A 4intelligence mantém a estimativa de criação líquida de 1,4 milhão de vagas.
As maiores altas do Ibovespa no dia
As três ações que mais valorizaram no dia foram Hypera (HYPE3), Ambev (ABEV3) e MRV (MRVE3).
Hypera (HYPE3): 4,95%, R$ 25,67
Os papéis da Hypera avançaram 4,95% no pregão e atingiram R$ 25,67, ainda refletindo a repercussão positiva do balanço do 3º trimestre, divulgado no início da semana. A companhia reportou um lucro líquido de R$ 456,1 milhões no período, alta de 23,1% em relação ao 3º tri de 2024.
A HYPE3 está em alta de 12,93% no mês. No ano, acumula uma valorização de 46,6%.
Ambev (ABEV3): 4,66%, R$ 12,59
As ações da Ambev subiram 4,66%, aos R$ 12,59, após divulgação de balanço com lucro líquido de R$ 4,8 bilhões. O montante é 36,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
A ABEV3 está em alta de 4,14% no mês. No ano, acumula uma valorização de 10,34%.
MRV (MRVE3): 4,22%, R$ 7,41
Os papéis da MRV foram a terceira maior alta do dia, com um salto de 4,22%, aos R$ 7,41. Na sessão, o BB-BI elevou o preço-alvo das ações da MRV&CO de R$ 12 para R$ 14 e reiterou a recomendação de compra dos papéis
A MRVE3 está em baixa de -0,54% no mês. No ano, acumula uma valorização de 39,55%.
As maiores baixas do Ibovespa no dia
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Bradesco (BBDC4 e BBDC3), Braskem (BRKM5) e Gerdau (GGBR4).
Bradesco (BBDC4): -3,88%, R$ 18,10
Bradesco (BBDC3): -3,56%, R$ 15,43
Os papéis preferenciais e ordinários do Bradesco foram as principais baixas do dia, com quedas de 3,88% e 3,56%, respectivamente, para R$ 18,10 e R$ 15,43. O balanço do banco não surpreendeu e os investidores decidiram embolsar os lucros recentes.
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A BBDC4 está em alta de 2,43% no mês e de 69,79% no ano. Já a BBDC3 está em alta de 1,38% no mês e acumula uma valorização de 57,13% no ano.
Braskem (BRKM5): -2,86%, R$ 6,79
Os papéis da Braskem caíram 2,86% no dia, aos R$ 6,79, após reportar uma queda de 2% nas vendas dos principais químicos comercializados no Brasil.
A BRKM5 está em alta de 3,35% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de -41,36%.
Gerdau (GGBR4): -2,75%, R$ 18,72
As ações da Gerdau cederam 2,75%, aos R$ 18,72, em um movimento de realização de lucros.
A GGBR4 está em alta de 12,7% no mês. No ano, acumula uma valorização de 5,41%.
*Com informações de Gabriela Jucá, Anna Scabello, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast