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Juros: taxas sobem com exterior mesmo com arrecadação acima do consenso

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 fechou em 10,02%

Juros: taxas sobem com exterior mesmo com arrecadação acima do consenso
(Foto: Envato Elements)

Os juros futuros fecharam a sessão em alta, mais pronunciada nos vencimentos longos, configurando à curva algum ganho de inclinação. O ambiente internacional novamente prevaleceu sobre a dinâmica do mercado, mas a influência foi limitada pelas perspectivas mais positivas para o cenário fiscal doméstico, após dado da arrecadação acima da mediana das estimativas.

O leilão de prefixados com maior risco para o mercado contribuiu para pressionar as taxas. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 fechou em 10,02% (máxima), de 9,97% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 subiu de 9,77% para 9,86%. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa em 10,03%, de 9,93% ontem. A taxa do DI para janeiro de 2029 terminou em 10,46%, de 10,36%. “Apesar do avanço da discussão fiscal aqui, os juros estão olhando para o exterior, acompanhando os Treasuries, que ainda sofrem os efeitos da ata do Fed, de ontem”, resumiu a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese.

De acordo com ela, a mensagem da ata, somada aos dados de inflação dos EUA na semana passada, sugere que o Fed deve mesmo postergar o início do processo de distensão monetária. “O cenário traçado lá atrás pelo Fed está se desenhando. Agora, mais do que nunca, é esperar os dados. Mas a reunião de junho parece factível”, afirma. Indicadores fortes do mercado de trabalho e do setor imobiliário acima do esperado divulgados pela manhã pressionaram a curva americana.

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À tarde, o avanço ganhou fôlego após um leilão de US$ 9 bilhões em TIPS com juros máximos de 2,20%. No fim da tarde, o avanço da taxa da T-Note de dez anos arrefeceu, mas ainda estava na casa de 4,32%, enquanto a da T-Note de 2 anos rompia 4,70%. No Brasil, a arrecadação de R$ 280,6 bilhões no mês passado superou o consenso das estimativas (R$ 277 bilhões), com crescimento de 6,67% em janeiro em termos reais ante janeiro de 2023.

Veronese, da B.Side, diz que a arrecadação não conseguiu fazer muito preço nos ativos, mas é importante para o governo ganhar tempo no meio da discussão da meta de primário zero em 2024. “E também fortalece a Fazenda nas negociações de medidas.” Durante evento nesta manhã, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, disse que o mercado pode reagir positivamente se a meta não mudar ou mudar menos do que se espera. Da mesma forma, acredita que investidores tendem a reagir positivamente se o déficit for inferior ao previsto pelo mercado para o ano: 0,8% do PIB.

Na inflação, o mercado operou em parte do dia à espera da retomada do julgamento da questão da incidência do ICMS sobre as tarifas de transmissão (TUST) e de distribuição (TUSD) de energia, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que poderia ocorrer hoje, mas acabou sendo adiado para 13 de março. O tema tem concentrado as atenções pelo potencial impacto de alívio inflacionário se a cobrança for considerada ilegal, tendo influenciado nos últimos dias o comportamento das taxas de inflação implícita.

No PicPay, o economista-chefe Marco Caruso calcula queda de até 40 pontos-base no IPCA de 2024. A quinta-feira teve leilão do Tesouro com aumento expressivo da oferta e risco em DV01 34% maior para o mercado ante os anteriores. O lote da LTN foi de 11 milhões, de 9 milhões na semana passada. O lote de NTN-F foi de 2 milhões, ante 1 milhão na semana passada. A instituição vendeu integralmente o lote de LTN e quase tudo (1,950 milhão) da NTN-F.