O conselho aprovou a minuta do acordo em reunião extraordinária realizada em 1º de março. No entanto, Trígono e GPT não chegaram a um consenso sobre o chamado compromisso de voto, instrumento por meio do qual acionistas se comprometem previamente a votar a favor de determinada operação em assembleia. Sem esse alinhamento, a condição estabelecida pela compradora não se concretizou dentro do prazo, o que levou à retirada da oferta.
Em nota, a Trígono afirmou que, na condição de gestora fiduciária de recursos de terceiros e sujeita à Lei 6.385/76 e à regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), não poderia assumir obrigação irrevogável de voto antes da convocação formal de assembleia e da análise definitiva da proposta. Segundo a gestora, compromissos dessa natureza poderiam contrariar o dever de avaliar cada deliberação de forma independente e no melhor interesse de cada fundo sob sua administração.
Em fato relevante, a Kepler ressaltou que adotou todas as medidas ao seu alcance para viabilizar a transação. A companhia contratou assessores financeiros e jurídicos, conduziu rodadas de negociação com a GPT e obteve uma fairness opinion – parecer técnico independente que avalia se as condições econômicas propostas são justas para os acionistas. Segundo a empresa, o conselho analisou detalhadamente os termos antes de aprovar a assinatura da minuta.
A Trígono também informou que as tratativas duraram cerca de quatro meses e envolveram discussões sobre cláusulas típicas de operações dessa natureza, como confidencialidade, não concorrência e não aliciamento. Segundo a gestora, a exigência de compromisso teria sido apresentada na etapa final das negociações, com escopo distinto do inicialmente discutido
A gestora sustenta ainda que a GPT tinha conhecimento prévio de sua impossibilidade jurídica de firmar compromisso vinculante de voto quando condicionou a assinatura do acordo a esse instrumento.
Com a retirada da oferta, a operação não terá continuidade e as deliberações relacionadas perdem efeito. Apesar do revés, a administração afirmou que a companhia mantém elevada solidez econômico-financeira e operacional, mesmo diante de um ciclo setorial mais adverso.
Por volta das 11h, as ações da Kepler Weber (KEPL3) chegaram a cair mais de 15% no pregão desta terça-feira, em meio à frustração dos investidores com o cancelamento da transação. Às 14h30, os papéis recuavam 13,40%, cotados a R$ 8,34, e figuravam entre as maiores perdas do Ibovespa hoje.
Com informações de Cecília Mayrink, da Broadcast.