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Moody’s eleva nota e país fica perto do grau de investimento

Brasil está um degrau abaixo do selo de "bom pagador". Agência, porém, ressaltou que a credibilidade do arcabouço fiscal ainda é "moderada"

Por Gustavo Nicoletta

01/10/2024 | 19:23 Atualização: 01/10/2024 | 21:43

Moody's elevou a nota de crédito do Brasil. Foto: Adobe Stock
Moody's elevou a nota de crédito do Brasil. Foto: Adobe Stock

A agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota de crédito do Brasil de Ba2 para Ba1, deixando o país apenas um degrau abaixo do chamado grau de investimento, equivalente a um selo de bom pagador. A perspectiva para o rating brasileiro foi mantida em positiva.

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“A elevação reflete melhoras materiais no crédito, que esperamos que continuem, incluindo um crescimento mais robusto do que o anteriormente estimado e um histórico crescente de reformas fiscais e econômicas que emprestam resiliência ao perfil de crédito“, disse a Moody’s em comunicado.

A agência, porém, ressaltou que a credibilidade do arcabouço fiscal ainda é “moderada”, e que isso se reflete no custo “relativamente elevado” da dívida do Brasil. “Um crescimento mais robusto e uma política fiscal consistentemente aderente ao arcabouço permitirão que a dívida se estabilize no médio prazo, ainda que em níveis relativamente elevados”, acrescentou.

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A perspectiva positiva para o rating brasileiro, segundo a Moody’s, reflete a possibilidade de o crescimento econômico aliado ao cumprimento das regras fiscais melhorar a credibilidade institucional e diminuir os custos de empréstimos a um ritmo mais acentuado do que o previsto no momento.

“Um custo menor teria um impacto positivo sobre a trajetória da dívida do Brasil, especialmente se combinada com um crescimento mais robusto do que o previsto atualmente”, acrescentou.

A Moody’s disse também que o teto dos ratings brasileiros mudou. O limite para a nota da dívida em moeda local passou para A3, de Baa1, ou quatro níveis acima do rating soberano. O teto para a nota de crédito em moeda estrangeira subiu para Baa1, de Baa2.

Haddad: governo não pode “baixar a guarda”

Após a Moody’s elevar a nota de crédito soberano do Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que se o governo continuar “sem baixar a guarda” em relação às despesas e às receitas, será possível conquistar o grau de investimento ainda no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Eu penso que se o governo, como um todo, compreender que vale a pena esse esforço, que esse esforço que está sendo feito produz os melhores resultados, e continuarmos sem baixar a guarda em relação às despesas, em relação às receitas, fazendo o nosso trabalho, eu acredito realmente que nós temos a chance de completar o mandato do presidente Lula reobtendo o grau de investimento”, disse o ministro à imprensa.

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O ministro reconheceu que a obtenção do grau de investimento não está dada e nada está “assegurado”. Ele reiterou que ainda há um trabalho a ser feito no campo das receitas e despesas e um caminho a ser trilhado, mas reforçou que o grau de investimento já é uma “possibilidade concreta”.

“O crescimento é muito importante para a economia, sobretudo com a inflação controlada, porque é ele que permite você fazer um ajuste fiscal sem penalizar a população mais pobre, sem ter a necessidade de tomar medidas de austeridade que vão ceifar direitos estabelecidos. Mas há um trabalho a ser feito no campo da despesa e no campo da receita que pode nos permitir reequilibrar as contas, voltar a baixar a taxa de juros e conseguir o grau de investimento”, avaliou.

Haddad afirmou que o relatório divulgado pela Moody’s reconhece o trabalho que vem sendo feito pelo governo e está em linha com o que a equipe vem defendendo há algum tempo. Ele relembrou ainda que, faltando pouco mais de um ano e meio de governo Lula, o Brasil já conseguiu duas elevações em nota de crédito.

“Se nós continuarmos perseverando nesse caminho e ajustando o fiscal e o monetário, nós temos uma grande chance de conseguir estabilidade da relação dívida-PIB, dos gastos públicos, depois de muitos anos de desequilíbrio fiscal”, avaliou após o relatório da Moody’s. O ministro fez menção ainda às medidas que foram citadas pelo relatório e que, segundo ele, já sinalizam possibilidade de crescimento estável, como a reforma tributária e o plano de transformação ecológica. Haddad reforçou ainda a relevância das propostas tomadas no âmbito do crédito. “As pessoas falam de ajuste fiscal e esquecem que a economia é muito mais do que isso. As medidas de crédito que nós estamos tomando, elas estão refletidas na economia”, disse.

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(Com informações do Estadão Conteúdo)

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