O dia é misto para as ações do setor petroleiro. Prio (PRIO3) sobe 0,83% a R$ 55,58, enquanto Brava Energia (BRAV3) cai 0,32% a R$ 18,55 e Petrorecôncavo (RECV3) tem alta de 0,57% a R$ 12,37. Em contrapartida, o barril do WTI para abril avança 0,67% a US$ 75,06, enquanto o do Brent para maio sobe 0,38% a US$ 81,71.
Na sessão de terça-feira (3), os papéis de petroleiras haviam encerrado em queda, com destaque para a Prio, que tombou 3,77%. A aversão ao risco, diante do acirramento dos conflitos no Oriente Médio, tem efeito particular em papéis de maior liquidez, como os da Petrobras, que passaram por um rali nos meses de janeiro e fevereiro por causa da entrada do capital estrangeiro.
“O que vemos agora é um contrafluxo de curto prazo”, diz Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos. “O conflito que acontece no Oriente Médio naturalmente adiciona incerteza e o ponto principal é o petróleo”, acrescenta.
Segundo ele, se o petróleo seguir em alta, há efeitos para a inflação global e brasileira, o que pode alterar as expectativas de corte de juros por aqui. “Não quer dizer que os juros não serão cortados, mas talvez eles caiam em uma intensidade menor”, avalia.
Os efeitos para as petroleiras
Em relatório, a Ágora Investimentos e o Bradesco BBI apontaram riscos em investir no setor petroleiro apenas pelo conflito geopolítico. “Em nossa avaliação, ampliar exposição ao setor com base em um evento cuja duração ainda é incerta — e que pode se encerrar rapidamente — representa um movimento taticamente arriscado”, pontuaram os analistas Vicente Falanga, do BBI, e Ricardo França, da Ágora.
A principal incerteza, segundo eles, reside na duração e na intensidade do conflito. Caso o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, permaneça comprometido e o prêmio geopolítico se sustente, há espaço para preços de petróleo mais altos no curto prazo.
Para as empresas sob a cobertura das casas, o impacto dependerá da relação entre a alta do Brent e o aumento dos custos de frete e seguro. “Companhias mais expostas ao preço à vista e com menor proteção, como Petrobras, Prio e Petrorecôncavo, tendem a capturar melhor eventuais altas adicionais do petróleo. Já empresas com maior cobertura de proteção, como Brava Energia, devem sentir um efeito mais moderado no curto prazo”, afirmam os analistas.
Como mostramos aqui, a alta do petróleo pode turbinar o caixa das petroleiras, nos cálculos da XP Investimentos . Para cada aumento de US$ 10 por barril do Brent, a corretora estima que o rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE yield) aumente aproximadamente 10 pontos percentuais para a Brava, 6 pontos percentuais para a Petrorecôncavo e 5 pontos percentuais para a Prio e a Petrobras. Esse indicador sinaliza quanto caixa uma empresa gera para os acionistas proporcionalmente ao preço da ação.