Os ativos da companhia já sobem 63,96% nos últimos 12 meses, enquanto os American Depositary Receipts (ADRs) têm alta de 70,76% no mesmo período. Os ativos são apoiados por um movimento mais amplo de desvalorização de moedas fortes e pela rotação de capital dos Estados Unidos para mercados emergentes. “Nesse ambiente, a Vale tem sido uma clara beneficiária de fluxos estrangeiros. Esse desempenho contrasta com um cenário mais fraco para o minério de ferro”, diz a XP.
Embora as expectativas para o minério sejam negativas, a corretora vê um momentum positivo para a Vale por três motivos: entradas persistentes de capital estrangeiro no Brasil, atratividade relativa em comparação aos concorrentes e uma rotação crescente de investidores para ativos expostos ao cobre.
A XP encara a estratégia da Vale no cobre como motor de crescimento cada vez mais “crível”, com aumento da produção e projeções de preços de longo prazo mais favoráveis ajudando a compensar a percepção de um ambiente estruturalmente mais fraco para o minério de ferro.
Isso se reflete no modelo de avaliação da casa: o preço-alvo de US$ 16,50 por ADR para o fim de 2026 considera um múltiplo EV/EBITDA –indicador que relaciona o valor da companhia (EV) e o seu Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) – de cerca de 8,2 vezes para a Vale Metais Básicos (que inclui a operação de cobre) em 2027, frente a 4,9 vezes para a frente de minério de ferro.
O minério é a “pedra no sapato” da Vale. A XP projeta que os preços da commodity recuem de cerca de US$ 100 por tonelada em 2026 para aproximadamente US$ 90 por tonelada a partir de 2028. “No curto prazo, os fundamentos continuam fracos, com estoques elevados na China, ritmo mais lento da demanda por aço e sentimento de mercado ficando atrás do movimento observado em outros metais”, afirma a XP.
Segundo a corretora, estruturalmente, a entrada de novas minas e um ciclo declinante do aço na China mantêm as perspectivas de longo prazo moderadas.
No conjunto, a XP avalia que o preço atual da Vale indica potencial de alta limitado. “Embora a empresa ainda negocie com desconto em relação aos pares – com rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) estimado em 7,2% para 2026, acima dos cerca de 4% a 5% observados entre empresas comparáveis do setor – avaliamos que os retornos absolutos já não são tão atraentes”, destaca.