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Tempo Real

Juros fecham em queda, com Treasuries, petróleo e Congresso no radar

Apesar do destaque do Copom na agenda, a curva de juros continuou sendo conduzida pelos eventos no exterior

Por Denise Abarca

07/11/2023 | 19:36 Atualização: 07/11/2023 | 19:36

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Os juros futuros fecharam a terça-feira (7) em queda. Embora a ata do Copom tenha sido o destaque da agenda, a curva de juros continuou sendo conduzida pelos eventos no exterior. O recuo nos rendimentos dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) e o tombo do petróleo resultaram em queda para as taxas locais, sob influência ainda da expectativa positiva para as pautas econômicas no Congresso.

Leia mais:
  • Juros dos Treasuries recuam, com declarações do Fed em foco
  • Petróleo fecha em queda, com temor sobre redução da demanda global
  • Reforma tributária avança; veja os principais pontos e o que o mercado espera
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A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerrou em 10,820%, de 10,861% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 caiu de 10,71% 10,62%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 10,76% (10,91% ontem) e a do DI para janeiro de 2029 terminou em 11,13%, de 11,30%.

O retorno da T-Note de 10 anos voltou a rodar abaixo de 4,60% e o do T-Bond de 30 anos, abaixo de 4,80%. Vale lembrar que as taxas longas americanas foram destaque entre os fatores altistas citados no balanço de risco do Copom no comunicado da reunião de quarta-feira e hoje também na ata.

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A economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, porém, não vê sustentação para a queda da curva dos EUA enquanto o cenário fiscal por lá estiver nebuloso. “Só vai fechar para valer com uma percepção mais positiva sobre o fiscal, que deve voltar ao foco com a retomada da discussão sobre o teto da dívida”, afirma. O atual acordo fechado pelo Congresso americano expira no dia 17. “E se o juro nos EUA persistir nos 5%, não vai ter Selic a 9%”, completa.

O recuo dos yields se deu na esteira de comentários de dirigentes do Federal Reserve e no recuo de mais de 4% do petróleo. Apesar da queda da commodity, o real teve boa performance, com o dólar caindo para o patamar de R$ 4,87. A commodity e o câmbio são dois fatores importantes para o processo de desinflação no Brasil, que foi ressaltado hoje pela ata do Copom. O documento foi considerado “hawkish” pelos analistas, não pela avaliação do quadro local, mas sim pelos alertas com relação ao ambiente internacional, que podem limitar o tamanho do ciclo da Selic.

“O Copom avalia que o cenário doméstico lhe permite continuar com o ciclo de cortes iniciado em agosto ao ritmo de 50 pontos-base por reunião. Porém, a discussão sobre o cenário externo deixa claro também que o Comitê entende que pode colocar restrições na extensão desse ciclo”, comenta Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Wealth Management.

Na ata, o Copom repetiu a qualificação de “mais volátil e adverso” sobre o cenário internacional já trazida no comunicado, com “múltiplos mecanismos de transmissão da economia internacional para a economia doméstica, financeiros e econômicos, que devem ser incorporados na tomada de decisão”. Os diretores dão atenção especial à elevação das taxas de longo prazo nos Estados Unidos, que restringe as condições financeiras.

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Na seara fiscal, o avanço das matérias econômicas no Congresso hoje fez algum contraponto ao incômodo com a possibilidade de mudança da meta de primário no ano que vem. A CCJ do Senado aprovou por 20 a 6 o relatório da reforma tributária. A expectativa é de que seja apreciado ainda nesta semana em plenário. Ainda, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou o relatório preliminar da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com meta de déficit zero em 2024.

“Foi uma boa notícia para o ministro Haddad. A preservação do déficit zero para o ano que vem não garante que essa meta seja entregue, mas estimulará o encaminhamento das medidas de arrecadação pelo Congresso e reforçará o arcabouço, dando credibilidade ao governo na área fiscal”, afirmam Felipe Salto e Josué Pellegrini, economistas da Warren Rena. Lembram, porém, que as possibilidades de alteração seguem sobre a mesa.

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