Os papéis da Raízen chegaram a abrir o pregão com queda de 13,46%, refletindo a reação inicial dos investidores ao anúncio da reestruturação financeira. Com o passar da manhã, porém, os papéis RAIZ4 reduziram as perdas e passaram a oscilar em alta. Às 13h, RAIZ4 subia 1,92%, a R$ 0,53, em um movimento de ajuste após o tombo inicial.
Os papéis da Cosan (CSAN3), controladora da Raízen, recuavam 1,64% no mesmo horário, para R$ 6,02.
O processo de recuperação faz parte de uma tentativa de reorganizar a estrutura financeira da Raízen após um período de forte pressão sobre os resultados.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a uma empresa renegociar suas dívidas diretamente com os credores. Diferentemente do processo judicial tradicional, que envolve maior intervenção da Justiça e costuma atingir toda a operação da companhia, a modalidade extrajudicial funciona como uma espécie de acordo coletivo estruturado previamente entre as partes e depois submetido à homologação judicial.
A companhia afirmou ainda que, clientes, fornecedores, revendedores e parceiros comerciais não serão afetados e que as operações continuam normalmente.
O que levou a Raízen à recuperação extrajudicial?
O plano apresentado pela empresa aponta que a deterioração financeira ocorreu por uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais. Entre eles estão ciclos recentes de menor produtividade agrícola, compressão das margens do setor e, principalmente, a forte alta do custo do crédito nos últimos anos.
O documento destaca o comportamento da taxa básica de juros no País, que saiu de cerca de 2% em 2020 para 15% em 2026, movimento que, segundo a sucroalcooleira, elevou de forma significativa o custo do endividamento das empresas do grupo e pressionou sua estrutura de capital.
O plano reúne nove empresas do conglomerado, incluindo subsidiárias que atuam na produção de açúcar e etanol e na comercialização de combustíveis. Entre elas estão Raízen Energia, Raízen Trading, Raízen North America e outras companhias ligadas à estrutura operacional e financeira do grupo. A ideia é conduzir a renegociação de forma coordenada entre as empresas que emitiram ou garantiram dívidas ao longo dos últimos anos.
A Raízen é controlada pela Cosan (CSAN3) em parceria com a Shell e se consolidou como um dos maiores grupos de energia integrada do País, com atuação que vai da produção agrícola até a distribuição de combustíveis. A Cosan informou ao mercado financeiro que a recuperação extrajudicial não afeta suas próprias operações nem as de outras controladas.
Segundo a holding, o processo tem escopo restrito às obrigações financeiras específicas das empresas envolvidas no plano da Raízen (RAIZ4) e não altera a estrutura de capital ou os compromissos das demais companhias do grupo.
Com informações da Broadcast.