Com Selic elevada, restituição do IR pode gerar rendimento extra mesmo em aplicações de curto prazo. (Imagem: Luciano Luppa em Adobe Stock)
A declaração do Imposto de Renda 2026 deve ser entregue até o dia 29 de maio. Entretanto, enviar a documentação mais cedo não só aumenta as chances de receber a restituiçãonos primeiros lotes – veja aqui o calendário – como também abre espaço para fazer o dinheiro trabalhar por você, mesmo que por pouco tempo. Em um cenário de juros ainda elevados no Brasil (Selic em 14,75% ao ano), esse ganho pode não ser desprezível, especialmente para valores maiores.
Segundo o planejador financeiro CFP Henrique Soares, para visualizar esse potencial basta o contribuinte olhar para aplicações conservadoras ao longo de apenas um mês. “Uma forma simples de entender o potencial de retorno ao investir o valor da restituição é simular quanto ela pode render em aplicações conservadoras ao longo de um mês”, explica. Considerando o cenário de juros de 14,75% ao ano, isso equivale a aproximadamente 1,15% ao mês bruto.
Na prática, isso significa que mesmo um período curto já gera algum ganho. Para uma restituição de R$ 1 mil, por exemplo, o retorno ficaria na casa de R$ 11 a R$ 12 em um mês. Já valores mais altos começam a mostrar um impacto maior no bolso.
“Para R$ 5 mil, o rendimento mensal ficaria próximo de R$ 55 a R$ 60. Já uma restituição de R$ 10 mil poderia gerar algo em torno de R$ 110 a R$ 120 no período”, detalha Soares.
Esse tipo de estratégia faz sentido principalmente porque a restituição costuma cair de uma vez só e, muitas vezes, acaba parada na conta corrente, sem render nada. Direcionar esse valor rapidamente para um investimento simples e seguro já evita essa perda de oportunidade.
Quanto rendem R$ 10 mil na renda fixa com a Selic a 14,75%? Veja as simulações
Quero usar o dinheiro rápido: vale a pena?
Para quem pretende usar o dinheiro no curto prazo, a recomendação é dar prioridade à liquidez, que é a velocidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro vivo.
“Para prazos mais curtos, faz sentido dar prioridade a investimentos com alta liquidez, como CDBs com liquidez diária ou o Tesouro Selic, que permitem acesso rápido ao dinheiro sem grandes oscilações”, afirma.
Por outro lado, quem não precisa resgatar o valor imediatamente pode dar um passo além no planejamento financeiro. A restituição pode funcionar como um gatilho para organizar melhor as finanças, seja começando uma reserva de emergência ou reforçando a carteira de investimentos.
Soares ressalta que o destino ideal depende da situação de cada investidor. “Para quem pode deixar esse valor investido por mais tempo, a restituição pode ser uma oportunidade de organizar melhor a vida financeira“, diz. Se ainda não houver uma reserva de emergência, esse pode ser um bom ponto de partida. “Caso o investidor já tenha essa reserva estruturada, o valor pode ser direcionado para a carteira de investimentos, respeitando o perfil de risco e a estratégia definida”, acrescenta.
O planejador explica que, mesmo sendo um prazo curto, o principal ponto não é apenas o rendimento em si, mas o hábito de não deixar o dinheiro parado. “Ao direcionar a restituição para investimentos, o contribuinte começa a transformar um valor pontual em parte de uma estratégia financeira mais consistente”, defende.
Como receber a restituição antes das outras pessoas?
A Receita Federal estabelece uma ordem de prioridade para o pagamento da restituição do IR, que é dividido em cinco lotes. Os primeiros a receber são os idosos com 80 anos ou mais, seguidos pelos contribuintes com 60 anos ou mais, pessoas com deficiência e aqueles que possuem doenças graves. Na sequência, têm prioridade os contribuintes cuja principal fonte de renda é o magistério.
Depois, entram na fila aqueles que utilizaram a declaração pré-preenchida e optaram por receber a restituição via Pix, optando pela utilização de ambos os recursos. Logo após, são contemplados os que utilizaram a declaração pré-preenchida ou escolheram o Pix como forma de recebimento, utilizando somente um dos recursos. Por fim, os demais contribuintes recebem a restituição conforme a disponibilidade nos lotes seguintes.
Dentro de cada um desses grupos, a prioridade é determinada pela ordem de entrega da declaração, ou seja, quem declarar primeiro recebe antes. Veja a tabela resumida:
Assim, para receber a restituição antes de outras pessoas, o contribuinte ou deve se encaixar nos grupos de prioridade por idade, deficiência ou profissão ou deve utilizar a declaração pré-preenchida, disponível a partir do dia 1º de abril, e solicitar o recebimento da restituição via Pix.
Onde a restituição é depositada?
A restituição só pode ser creditada em uma conta bancária (corrente, poupança ou pagamento) que esteja vinculada ao Cadastro de Pessoa Física (CPF) do titular da declaração. Caso o contribuinte opte por receber via Pix, a chave utilizada obrigatoriamente deve ser o CPF. Não serão aceitas chaves de e-mails, telefones ou aleatórias.
Publicidade
“Se você informar uma conta bancária com CPF diferente do titular da declaração, a restituição não será paga e você terá de reagendar o crédito da restituição com a Central de Atendimento do Banco do Brasil (4004-0001 para capitais ou 0800-729-0001 para demais localidades), informando uma conta válida”, informa a Receita.
O que acontece com a restituição se a minha declaração cair na malha fina?
Se forem identificadas inconsistências na declaração, ela será retida na malha fiscal – popularmente conhecida como malha fina – para uma análise detalhada. Enquanto estiver nessa situação, a restituição não será paga.
No entanto, se a Receita concluir que não há pendências, a declaração do Imposto de Renda 2026 será liberada e seguirá para a fila de pagamento, obedecendo os mesmos critérios de prioridade na restituição, deixando o contribuinte livre para investir o dinheiro.