O BB Investimentos reduziu a recomendação das ações da SLC Agrícola (SLCE3) de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 24,90 para R$ 18,40 ao final de 2026, queda de 26%. A revisão foi elaborada pela analista Georgia Jorge, em relatório publicado na quinta-feira (28).
A analista observa que, embora os resultados do primeiro semestre de 2025 tenham vindo melhores que o esperado, o cenário para 2026 é de pressão.
“Nossas projeções atuais de receita, margem Ebitda (lucro antes de juros, depreciação, amortização e impostos) e margem líquida são superiores às projeções anteriormente estimadas para 2025. Para o ano de 2026, contudo, nossas projeções vieram abaixo das estimativas anteriormente divulgadas, em um cenário de maior pressão sobre os preços das commodities e custos mais elevados”, afirmou.
No 1º semestre de 2025, a SLC Agrícola apresentou incremento de 80% no resultado bruto unitário da soja, favorecido pelo aumento de 54% na quantidade faturada e pela redução de 23,5% no custo unitário, “como reflexo da recuperação de produtividade obtida na safra 2024/25 em comparação à safra anterior”, de acordo com o relatório. No milho, o resultado bruto unitário avançou 111%, puxado por alta de 13,5% no preço médio e queda de 14,3% no custo.
O algodão em pluma registrou retração de 22% no resultado bruto unitário, pressionado pela “redução dos preços faturados combinado com o aumento do custo unitário”. Já o caroço de algodão surpreendeu positivamente, com alta de 299% no resultado bruto unitário.
Para a safra 2025/26, que terá início em setembro, a SLC planeja expandir em 13% a área plantada, para 830 mil hectares, e aumentar em 21% a área irrigada, totalizando 19,4 mil hectares.
“A companhia também já sinalizou esperar poucas variações no custo de produção, apesar de já estimarem um incremento ante a safra anterior, com tendência de compressão de margens caso não haja elevação nos preços das commodities na próxima safra”, aponta o relatório.
O BB Investimentos avalia que a soja enfrenta preços pressionados pelo avanço da safra 2025/26 nos Estados Unidos e pelo clima favorável nas principais regiões produtoras. Para o milho, a forte produtividade da segunda safra brasileira e a ampliação da área americana devem aumentar a oferta global. No algodão, a projeção é de déficit de 1,4 milhão de toneladas em 2025/26, mas sem reação significativa de preços devido à demanda fraca da indústria têxtil.
O banco projeta margem Ebitda de 34% e margem líquida de 9,6% para 2026 da SLC Agrícola (SLCE3), abaixo dos 35,7% e 10,9% esperados para 2025. Com potencial de valorização de apenas 5,7% frente ao fechamento de terça-feira (27), em R$ 17,41, “rebaixamos nossa recomendação para neutra”, concluiu Georgia Jorge.