O lucro líquido proforma é, de acordo com a mineradora, uma métrica que oferece uma visão mais clara do desempenho do resultado ao longo dos períodos. Ela exclui itens não recorrentes, bem como os respectivos efeitos de Imposto de Renda (IR).
Já o prejuízo líquido atribuível aos acionistas da Vale somou US$ 3,8 bilhões, aprofundando as perdas em relação ao resultado já negativo de US$ 694 milhões registrado um ano antes.
A empresa informou que a queda no indicador aos acionistas refletiu um impairment (uma reavaliação que reduz o valor de ativos no balanço) de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da divisão de Metais Básicos no Canadá.
No 4T25, o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) proforma foi de US$ 4,8 bilhões, avanço anual de 17% e trimestral de 10%. Já no conceito ajustado, o indicador somou US$ 4,588 bilhões, com alta anual de 21% e trimestral de 5%.
A receita líquida de vendas, por sua vez, foi de US$ 11,06 bilhões nos últimos três meses de 2025, com alta de 9% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2025, o crescimento da receita foi de 6%.
A prévia operacional da Vale, divulgada no final de janeiro, já havia sido bem recebida pelo mercado. No 4T25, a companhia produziu 90,4 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro, uma alta anual de 6% e um recuo de 4,2% na base trimestral. No ano de 2025 inteiro, a produção foi de 336,075 milhões, avanço de 2,6% sobre o registrado em 2024.
Com esse número, a mineradora superou, pela primeira vez desde 2018, a produção da empresa Rio Tinto em Pilbara, na Austrália, que foi de 327,3 milhões de toneladas. A Vale retomou, então, o posto de maior produtora mundial de minério de ferro.
Investimentos da Vale têm alta anual de 15% no 4T25
A Vale realizou no quarto trimestre US$ 2,030 bilhões em investimentos, um avanço de 15% ante igual período de 2024 e de 62% ante o trimestre imediatamente anterior.
Os investimentos em projetos de crescimento totalizaram US$ 287 milhões, 11% a menos do que um ano antes, com a aceleração da produção (ramp-up) do projeto de minério de ferro Capanema e do projeto do Segundo Forno de Níquel de Onça Puma.
Os investimentos de manutenção totalizaram US$ 1,7 bilhão, 21% mais altos na comparação anual, devido a maiores investimentos planejados em equipamentos e frota de mineração, incluindo veículos autônomos, em operações de minério de ferro e na Vale Metais Básicos.
A companhia pontuou ainda que, em janeiro de 2026, a licença de instalação do projeto de cobre Bacaba foi concedida e as obras de construção foram iniciadas. O Bacaba foi concebido para estender a vida útil do complexo de Sossego, contribuindo com uma produção anual média de aproximadamente 50 quilotoneladas por ano de cobre, com um investimento total de US$ 290 milhões e início previsto para o primeiro semestre de 2028.
A dívida líquida expandida da companhia foi de US$ 15,6 bilhões, queda de 5% ante o mesmo período de 2024. Na comparação trimestral, o indicador diminuiu 6%.
Geração de fluxo de caixa livre sobe 107%
A geração de fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,7 bilhão, avanço anual de 107%, principalmente como resultado de um desempenho mais forte do Ebitda e menores despesas financeiras líquidas.
Segundo a empresa, o capital de giro positivo no trimestre foi influenciado pela entrada de caixa das vendas de minério de ferro do terceiro trimestre e menores volumes de minério de ferro acumulados.
Já a posição de caixa da Vale foi impactada pela maior geração de fluxo de caixa livre, resultando em um aumento de US$ 1,5 bilhão em caixa e equivalentes de caixa durante o trimestre.
Ações da Vale deslancham em 2026
Em 2026, as ações da mineradora já sobem mais de 24%, atingindo nesta quinta-feira a máxima histórica de R$ 91,62. Nos últimos 12 meses, a valorização do papel corresponde a mais de 83%. Como mostramos aqui, o ativo tem sido beneficiado pela entrada de fluxo estrangeiro na Bolsa de Valores brasileira, que se dirige sobretudo às blue chips – ações de maior liquidez e maior peso na composição do Ibovespa.
Diante da alta recente, analistas revisaram as suas projeções para o papel VALE3. A Genial Investimentos rebaixou o papel para “manter” no final de janeiro, com preço-alvo de R$ 90, após mais de três anos com indicação de compra. A corretora não vê fragilidade na tese de investimento da empresa, mas considera que ela já se materializou nos preços da ação.
O BB Investimentos também rebaixou a recomendação da empresa para neutra no último mês, com preço-alvo de R$ 75. Embora espere resultados robustos à frente para a mineradora, a casa optou por se reposicionar após o rali das ações.
A Ágora Investimentos, por outro lado, manteve recomendação de compra e ampliou o preço-alvo da Vale de R$ 83 para R$ 102 em relatório divulgado na quarta-feira (11). A corretora avalia que a companhia continua atraente sob a ótica de geração de caixa. O rendimento estimado de fluxo de caixa livre para 2026 é de 8%, acima da média de 5% observada entre os concorrentes.
As projeções da Vale para 2026
Em seu Vale Day, a mineradora destacou que espera entregar em 2026 entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro. A empresa deve investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, em medidas para crescimento e manutenção: em 2026, a divisão prevista é de US$ 1,1 bilhão para crescimento e US$ 4,5 bilhões em manutenção.
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A Vale (VALE3) estima ainda um retorno do fluxo de caixa livre para o acionista variando de 6% até 14% em 2026.