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Investimentos

Dividendos de commodities em 2026: Vale, Petrobras e outras empresas cíclicas prometem retorno de até 16%; vale o risco?

Em um cenário de opções mais restritas, empresas ligadas a commodities seguem entregando dividendos de dois dígitos, mas uma companhia de shoppings foge do padrão

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Katherine Rivas
Editado por Wladimir D'Andrade

23/01/2026 | 5:30 Atualização: 22/01/2026 | 20:54

Em um cenário de opções mais restritas, empresas ligadas a commodities seguem entregando dividendos de dois dígitos em 2026, mas uma companhia de shoppings foge do padrão. (Imagem: Adobe Stock)
Em um cenário de opções mais restritas, empresas ligadas a commodities seguem entregando dividendos de dois dígitos em 2026, mas uma companhia de shoppings foge do padrão. (Imagem: Adobe Stock)

As commodities, por natureza, carregam uma dose maior de volatilidade nas carteiras de investimentos. Ainda assim, companhias desses segmentos figuraram entre as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa de Valores nos últimos anos. A Vale (VALE3) serve de exemplo: liderou o ranking de maiores distribuidoras em 2025. Já a Petrobras (PETR3; PETR4), embora tenha reduzido o ritmo de remuneração, ainda pode oferecer dividend yield (rendimento de dividendos) superior a 9% em 2026.

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Para 2026, o cenário inspira cautela. O ambiente externo segue incerto, com tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e outros países, enquanto o mercado doméstico enfrenta volatilidade eleitoral e risco fiscal. Mesmo assim, a expectativa do mercado financeiro sobre a continuidade das commodities como boas pagadoras de proventos é positiva, ainda que com menos opções e algumas ressalvas. Levantamento do E-Investidor mostra que o investidor ainda encontra dividend yields entre 7% e 16% neste tipo de empresa.

A lógica funciona de forma semelhante a de um regime alimentar: não é o doce, em si, que engorda, mas a quantidade dele. No caso das commodities, o risco não está na volatilidade, mas no nível de exposição da carteira a estes ativos. Assim defende João Ascoli, especialista da Amplus Capital, que vê espaço para o setor seguir se destacando na geração de renda em 2026.

“O investidor precisa ter clareza sobre sua tolerância ao risco ao incluir commodities na carteira de investimentos, sobretudo no curto prazo, quando o ruído político e macroeconômico pesa mais nas cotações”, afirma.

Em momentos de maior instabilidade, distorções de preço tendem a surgir, principalmente em empresas de commodities menos sólidas. Por isso, a recomendação é dar prioridade a companhias já consolidadas, com histórico consistente ao longo de diferentes ciclos econômicos.

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O câmbio também entra nessa equação. Pelas projeções do Boletim Focus, o dólar deve encerrar 2026 em R$ 5,50, levemente acima do patamar de 2025, quando fechou em R$ 5,48. A percepção de risco fiscal, com possibilidade de reeleição do atual governo, pode manter a moeda valorizada, favorecendo empresas com receitas majoritariamente dolarizadas.

“Dólar alto gera caixa e, sem grandes projetos no horizonte, a tendência das empresas aponta para usar esses recursos para reduzir dívida ou distribuir dividendos”, explica Hugo Queiroz, analista da L4 Capital.

Mesmo após as fortes antecipações de proventos no fim de 2025 para evitar tributação, companhias consistentes devem seguir pagando bem o acionista. “Podemos ter menos anúncios em 2026, mas o dividend yield acumulado não deve mudar. Até agora, nenhuma empresa sinalizou alteração na política de proventos”, afirma Lucas Lima, analista-chefe da VG Research, que ressalta a importância de acompanhar, no longo prazo, outras formas de remuneração, como recompras e bonificações, aplicadas pelas empresas.

7 ações cíclicas para dividendos em 2026

 

Petrorecôncavo e Petrobras

Victor Bueno, analista e sócio da Nord Research, explica que no curto prazo, diante dos conflitos entre EUA e Venezuela, houve até um aumento nos preços do barril do tipo Brent, que chegaram a subir, diante de uma possível redução de circulação das vendas clandestinas de petróleo. Contudo, para o longo prazo a tendência é de normalização com a Venezuela podendo aumentar novamente a oferta da commodity.

  • Petróleo volta ao centro da geopolítica global após ação dos EUA na Venezuela: o que muda nos mercados

Já recentes conflitos no Irã também fizeram o petróleo ultrapassar os US$ 65, mas novamente a commodity voltou a cair, após o presidente dos EUA, Donald Trump, amenizar o tom do seu discurso sobre o regime político do país do Golfo Pérsico – com isso, o Brent recuou mais próximo dos US$ 63 o barril. Para Bueno, esta volatilidade sinaliza a necessidade de cautela com efeitos de curto prazo, porque, no longo, ainda há um conflito entre demanda menor e oferta global maior, que pode reduzir o preço da commodity.

    “Projetar o preço do petróleo no curto prazo é complexo, mas para o longo é possível considerar um Brent entre US$ 60 e US$ 65 o barril, muito parecido ao cenário atual”, destaca Bueno.

Lima, da VG, aposta em preços do petróleo em torno de US$ 60. Diante disso, companhias que surfam melhor neste contexto são aquelas que têm custo de produção reduzido, o que fortalece a capacidade de gerar caixa e, portanto, podem continuar entregando bons resultados e dividendos.

Produção de barris: RECV3 x PETR4

Operações da PetroRecôncavo em Mossoró, no Rio Grande do Norte. (Foto: Divulgação/PetroRecôncavo)

Bueno explica que a Petroreconcavo (RECV3) tem uma produção bem menor do que a Petrobras, com cerca de 27 mil barris diários, enquanto a estatal produz 2 milhões por dia. Segundo o analista da Nord, a Petroreconcavo possui um bom histórico de execução elevada no setor de óleo e gás, acima de concorrentes como Brava (BRAV3) e Prio (PRIO3).

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A companhia trabalha com desenvolvimento de campos maduros e tem gerado caixa de forma regular – o crescimento têm sido graças a essa produção. “Pode ser que façam alguma aquisição no meio do caminho, mas o aumento de produção já tem gerado queda nos custos e as perspectivas são positivas, com um endividamento controlado”, diz Bueno, que acredita na continuidade dos proventos e projeta dividend yield de 9% em 2026.

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Lima, da VG, destaca que a Petroreconcavo não tem dívidas para vencer em 2026 nem em 2027, o que dá folga para investimentos e dividendos. “Mas obviamente o investidor precisa entender os riscos associados ao preço do petróleo na hora de estabelecer o porcentual da ação na carteira”, reforça.

Ele lembra ainda que a Petroreconcavo não possui uma política de dividendos formal em estatuto e tem como regra distribuir o mínimo de 25% do seu lucro, embora tenha superado este patamar em anos passados.

Segundo Lima, a companhia fez uma antecipação de proventos em 2025, diante da corrida da tributação distribuindo 9% de dividend yield aos investidores, que será pago em 3 anos. Isso equivale a 3% de retorno em dividendos em 2026, além de outros 7% que o analista projeta que a companhia deva entregar este ano. “É um retorno de 10% em dividendos para 2026, bastante elevado”, diz.

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Já em relação a Petrobras (PETR3; PETR4), Lima destaca que apesar da empresa estar com investimentos e dívida acima do esperado, o custo de extração de petróleo segue muito baixo, o que favorece dividendos. A expectativa é de proventos também de 10%, mas há o peso do risco político.

Renato Reis, da Blue3 Research, destaca os riscos de investir em Petrobras, inclusive o eleitoral, por se tratar de uma empresa estatal, que pode sofrer forte oscilação no preço da ação – que até elevaria o dividend yield, mas reduziria o ganho de capital do investidor. Outro, na visão dele, vem das oscilações do petróleo, que também tendem a puxar para baixo as cotações de PETR4.

“Apesar da incerteza, quando olho para Petrobras ainda considero que está bem precificada e não barata, mas é a única opção do setor mais focada na remuneração do acionista”, aponta Reis.

Vale

Para o minério de ferro, as perspectivas são mais positivas, pois a commodity surpreendeu e tem permanecido negociando acima de US$ 100, o que favorece o caixa das mineradoras.

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Regis Chinchila, head de Research da Terra Investimentos, estima que em 2026 o minério oscile entre US$ 100 e US$ 120 a tonelada, equilibrando oferta robusta global e demanda da China e do setor industrial. Com isso, mineradoras robustas como Vale se beneficiam com forte geração de caixa, além de diversificar em outros metais, como ferro, cobre e níquel.

“Mesmo assumindo preços de minério e metais menos agressivos, a Vale (VALE3) projeta retorno de fluxo de caixa livre entre 6% e 14% em 2026, um retorno em dividendos de cerca de 10%”, diz.

Para Ascoli, da Amplus, é o custo de produção controlado que salva a Vale, além do cenário favorável para cobre e níquel em 2026. “O desconto atual é menor do que as mínimas do passado, mas ainda vale a pena ter essa ação para o longo prazo”, avalia.

Allos

Fora do universo das commodities, a empresa de shopping Allos (ALOS3) vem se destacando como favorita para proventos em 2026, após anunciar pagamentos mensais para 2026 entre R$ 0,28 e R$ 0,30 no final do ano passado, triplicando o valor praticado da sua remuneração.

Lima explica que shoppings não costumam pagar dividendos elevados e que concorrentes como Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTM11) entregam no máximo 3% ou 4% de dividend yield, enquanto Allos, deve entregar até 12%.

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