A companhia adquirida atua nos segmentos de fundos, banking, riscos e seguros, oferecendo soluções que vão desde plataformas de gestão até o negócio de banking, análise de crédito, canais digitais e processamento de cartões. Atualmente, atende mais de 15 mil clientes e conta com aproximadamente mil colaboradores em todo o Brasil.
Esta é a quarta compra de empresas brasileiras pela Evertec no Brasil. No ano passado, a companhia adquiriu 75% da fintech TecnoBank, que atua em registro de contratos de financiamento de veículos. Em 2023, a Sinqia e a PaySmart foram compradas.
Em fato relevante, a Totvs aponta que na criação da Dimensa, em 2021, a visão já era a de que os negócios não tinham sinergias com o negócio central da companhia, de softwares de gestão. Aponta ainda que, em vários momentos, deixou claro que “no futuro a Dimensa não teria a Totvs como acionista”.
Com a venda, a Totvs aponta que o retorno em relação ao capital investido nos ativos que deram origem à Dimensa ficou estimado em 7,4 vezes, uma taxa interna de retorno de 18,3% ao ano desde 2008.
Para viabilizar a venda, a Totvs informa que comprou a participação de 37,5% que a B3 tinha na empresa pelo montante de R$ 665 milhões. O fato relevante explica que “a Totvs consolidou sua participação como única acionista e, ato contínuo, possibilitou a venda da integralidade das ações à Evertec”.
A venda da Dimensa é o desfecho da história de um ativo visto como complexo para a Totvs. A joint venture com a B3 – a Bolsa de Valores brasileira – piorava as margens da companhia. No terceiro trimestre de 2025 (3T25), os negócios maduros na unidade de gestão tinham margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 29%. Com a Dimensa e outras aquisições realizadas após 2023, a margem Ebitda ficou em 27,6% no período.
A Totvs era dona de 62,5% da empresa adquirida pela Evertec. Com base nisso, deve ficar com aproximadamente R$ 593,7 milhões após a venda. A entrada em caixa pode ser utilizada para o pagamento da Linx. Em julho do ano passado a Totvs adquiriu a empresa de softwares para varejo por R$ 3,05 bilhões.
Criada em 2021 como um spin-off (empresa criada a partir de outra) da Totvs, a Dimensa surgiu com a B3 como dona de 37,5%. O valor de mercado da empresa era de R$ 1,6 bilhão, de acordo com anúncio das empresas à época.
Veja como mercado avalia a venda
De acordo com relatório do banco Citi, a venda da Dimensa para a Evertec pela Totvs por um valor patrimonial de R$ 1,4 bilhão pode trazer impacto líquido de cerca de R$ 285 milhões (antes dos impostos) no caixa da companhia.
Com isso, o banco espera uma ligeira melhora na relação entre a dívida líquida e Ebitda (ND/Ebitda) da companhia de software. Nesse cenário, o Citi estima uma queda nos lucros de R$ 34 milhões, o que equivale a 3% em relação ao projetado para 2026.
Para viabilizar a venda da participação integral da Dimensa, a Totvs concordou em adquirir a participação minoritária de 37,5% da B3 na Dimensa por R$ 665 milhões, conforme os termos da opção de venda definidos no acordo de acionistas, o que eleva o valor patrimonial da Dimensa para R$ 1,8 bilhão, destacam os analistas Leandro Bastos, Luís Felipe Terzariol e Renan Prata.
Como resultado, o banco calcula a avaliação implícita da participação de 62,5% da Totvs na Dimensa em R$ 735 milhões, sugerindo uma capitalização de mercado líquida para a Dimensa de R$ 1,2 bilhão.
Isso equivale a uma avaliação de 12,4 vezes o preço sobre lucro (P/L) projetado para 2026 da Dimensa, abaixo do índice principal da Totvs de 23,5 vezes, mas representa uma queda de aproximadamente 3% nos lucros consolidados projetados para 2026.
“De qualquer forma, acreditamos que a justificativa estratégica de otimizar as operações e aumentar a responsabilidade no negócio principal provavelmente compensará o desconto na avaliação”, observam os analistas.