O banco reservou US$ 1,21 bilhão no trimestre para cobrir possíveis perdas com empréstimos, em comparação com um valor de US$ 787 milhões no ano anterior.
Ainda assim, os resultados trimestrais vieram acima da expectativa. O lucro por ação de US$ 1,23 ficou acima do visto no ano passado, de US$ 0,91 e maior do que o estimado, de US$ 1.13.
Para William Castro Alves, Estrategista-Chefe da Avenue Securities, o banco já está se preparando para uma possível recessão nos EUA.
“O banco elevou suas provisões para perdas de crédito de US$ 787 milhões em 2022 para US$ 1.2 bilhões em 2023 – a provisão incluiu um aumento de US$ 643 milhões para perdas potenciais relacionadas a imóveis comerciais, cartões de crédito e empréstimos para automóveis, já antevendo uma desaceleração ou potencial recessão na economia americana”, disse.
Outro aspecto que preocupou os investidores foi que, apesar que a receita de juros subiu, o Wells Fargo disse que a receita não relacionada a juros diminuiu 13% no trimestre, impulsionada por menores números na área de private equity, venture capital e com declínio na receita de hipotecas.
“O Wells Fargo já foi o maior banco no segmento de hipotecas, mas vem reduzindo sua exposição a esse segmento e recentemente, demitiu centenas de funcionários de sua divisão de financiamento imobiliário como parte de uma ampla rodada de cortes decorrentes de mudanças estratégicas do banco”, destacou Alves.
A quebra do Silicon Valley Bank e do Signature Bank danificaram fortemente a estrutura de grande parte dos bancos americanos, incluindo o Wells Fargo.
O Wells Fargo contribuiu com US$ 5 bilhões como parte de um grupo de grandes que injetou um total de US$ 30 bilhões em depósitos no First Republic Bank em março, para tentar salvar a instituição financeira durante a crise bancária.