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Educação Financeira

Tesouro Direto: qual sua relação com a inflação?

Entenda como o aumento nos preços dialoga com o Tesouro Direto e como proteger seu patrimônio

Por E-Investidor

29/11/2021 | 14:48 Atualização: 29/11/2021 | 14:48

A relação entre inflação e os títulos do Tesouro Direto vai além da remuneração. (Fonte: Shutterstock)
A relação entre inflação e os títulos do Tesouro Direto vai além da remuneração. (Fonte: Shutterstock)

(Por Carlos Pegurski, especial para o E-Investidor) – A inflação tem assustado os brasileiros. Mesmo quem não sabe o que ela é ou como funciona percebe que os preços nas padarias, postos de combustível ou supermercados sobem a cada dia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), produtos e serviços ficaram 10,67% mais caros nos últimos doze meses.

Leia mais:
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Por isso, é crescente o número de investidores que optam por fazer da inflação sua aliada para reduzir danos. É o caso de quem investe em Tesouro IPCA+: trata-se de uma modalidade de Tesouro Direto que paga uma taxa fixa acrescida do valor do índice de inflação. Assim, é possível proteger seu patrimônio de forma segura.

Mas a relação entre inflação e os títulos do Tesouro Direto vai além da remuneração. Ela também passa por aspectos ligados à alta dos preços e pela política monetária formulada diante desse cenário.

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Quer saber mais sobre a relação entre Tesouro Direto e inflação? Então confira este artigo!

Por que a inflação aumenta?

Relação tesouro direto e inflação
Alta generalizada nos preços tem uma série de causas. (Fonte: Andrey Popov/Shutterstock;reprodução)

Existe uma série de razões pelas quais a inflação pode ocorrer (e elas podem ter impacto simultâneo nesse índice). Uma delas é o excesso de circulação de moeda em relação à produção. Se há muito dinheiro para pouca atividade econômica, isso tende a fazer com que os produtos se valorizem mais do que o esperado.

A elevação da demanda e a escassez de um produto também podem afetar esse equilíbrio. Vamos usar o trigo, principal ingrediente do pão, por exemplo. A plantação de trigo tem sido ameaçada pelo calor e pela falta de chuvas. A isso se somam mais dois fatores: a forte demanda pelo grão, sobretudo para ração animal, e a alta do dólar.

O valor do dólar pesa nessa balança porque o preço das commodities no mercado interno é atrelado às exportações. Se há compradores externos pagando em dólar (que oscila próximo a R$ 5,50), isso pressiona o mercado interno a remunerar o produtor em margens elevadas. Por isso, além de um grão de menor qualidade, o pãozinho do brasileiro é afetado pela dinâmica cambial.

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Esse é o mesmo mecanismo que explica porque a gasolina tem sido vista a R$ 6 e R$ 7 em postos por todo o Brasil. No caso dos combustíveis, ocorre um problema em cascata: como ele é vital para o abastecimento do País, que tem dimensões continentais e depende do transporte rodoviário, todos os setores repassam ao consumidor a alta na logística.

Outra razão para a inflação é o aumento do custo de produção. Isso pode ocorrer pelo aumento dos juros, que encarece o crédito, e pela própria inflação, retroalimentando esse ciclo. Assim, se uma padaria precisar pagar mais caro na farinha e nas parcelas da compra de um forno, o cliente sente ainda mais o efeito na hora da compra.

Por fim, é importante considerar que o mercado tem um comportamento inercial, ou seja, mesmo que o preço do trigo e do combustível diminuam, o dono da padaria pode achar mais prudente não abaixar o preço do quilo do pão. Afinal, ninguém sabe como esses e outros elementos estarão em um futuro próximo. E isso também é sentido pelo Tesouro Direto IPCA.

Como a política monetária combate a inflação?

Taxa selic é a resposta à inflação
Uma das principais respostas à inflação é a taxa Selic, regulada pelo Banco Central. (Fonte: Jo Galvão/Shutterstock/reprodução)

Uma das prerrogativas dos Estados é criar políticas monetárias. Isso é feito por uma série de instrumentos que objetivam criar cenários interessantes à economia do País e tentar remediar problemas, como a inflação. É isso que tem ocorrido no Brasil.

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A pandemia está completando 18 meses e o efeito financeiro só não é maior que as perdas humanas. Muitos negócios se tornaram inviáveis ou, ao menos, estão tendo que permanecer em stand by. Ruim para o empresário, que perde receita; péssimo para os funcionários, muitos deles demitidos; e ruim também para a receita do País, que agrava seu problema fiscal.

Do ponto de vista dos caixas públicos, o desemprego diante da crise sanitária é um cenário ainda mais grave, já que o Estado precisa oferecer uma política de proteção social mínima, como o Auxílio Emergencial. Isso ocorre em um momento de explosão nos gastos em saúde pública, que torna o déficit fiscal ainda mais grave. Ao mesmo tempo, se a economia não colapsou completamente foi graças a esse tipo de política redistributiva, que ajudou a empurrar a demanda e a produção.

Para garantir que o Estado e a economia continuem funcionando (operação de serviços de saúde, pagamento do Auxílio Emergencial e o restante dos gastos públicos), o governo optou por emitir mais moeda. Junto aos tributos e aos títulos públicos, essa é uma forma que ele tem de fazer caixa. Mas isso também tem lá seu impacto. Com mais dinheiro circulando, já sob a pressão de desvalorização causada pelo dólar, pode-se ter uma inflação crescente e endividamento do Estado.

Para remediar o aumento no custo de vida médio, que está em 10,67% no acumulado dos últimos doze meses, o Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom) optou por aumentar a Selic, que está em 7,75% e pode terminar o ano em 9,25% ao ano.

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Em tese, essa medida poderia retrair um pouco o consumo e diminuir a inflação, mesmo que isso signifique aumentar os custos de produção, em razão de algumas premissas: há menos estímulo ao crédito e, assim, ao consumo; e se torna mais interessante adquirir títulos públicos, entre outros investimentos.

Como a inflação afeta o Tesouro Direto?

Títulos com lastros no IPCA
Os títulos com lastro no IPCA podem ser resgatados a curto, médio e longo prazo. (Fonte: Tesouro Direto/reprodução)

É aí que entra novamente o Tesouro Direto. Além de gerar caixa para o Estado, ele tira dinheiro de circulação e oferece uma alternativa de investimento interessante.

Quando a Selic sobe, os títulos de renda fixa se tornam mais atrativos. Alguns analistas apontam que a taxa básica pode chegar a 9,25% até o fim do ano. Se isso ocorrer, significa que esse será o rendimento anual do depósito.

Porém, a curto e médio prazo, os títulos IPCA+ ainda parecem ser mais interessantes, já que devem proteger o patrimônio diante da escalada de preços.

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Portanto, vale a pena considerar seriamente os títulos híbridos, como o IPCA+. Ao menos no cenário próximo, em que a inflação deve continuar alta, esse ativo deve remunerar no mínimo 10% (como os títulos Selic remuneravam há alguns anos).

Deve-se ter em mente, no entanto, que essa é uma opção válida para quem já tem uma reserva de emergência e tem paciência para esperar o vencimento do papel. Se esse for o seu caso, aproveite: essa é uma forma muito interessante de investir com segurança e boa rentabilidade.

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