A OIBR3 e a OIBR4 iniciaram o pregão desta quarta-feira (30) em queda. Às 14h, os papéis caíam 1,16% e 1,38%, respectivamente. No entanto, segundo analistas, a desvalorização dos ativos não está relacionada somente ao adiamento do fim do processo.
Vitorio Galindo, analista CNPI e head de análise fundamentalista da Quantzed, não acredita que a decisão judicial que prolongou a recuperação da Oi seja o motivo principal para as ações abrirem em baixa na B3. “É uma queda ‘pequena’ para refletir algum possível impacto da decisão de prolongar a recuperação judicial. Se o mercado tivesse uma impressão negativa sobre esta notícia/fato, possivelmente as ações estariam caindo muito mais do que estamos vendo no momento. Variações abaixo de 2% costumam ser normais na bolsa, ainda mais para um papel volátil como o da Oi”, explica.
Na visão de Galindo, o conteúdo da decisão judicial não é prejudicial à companhia, apenas cumpre um procedimento que pode trazer mais transparência ao processo.
A economista Ariane Benedito, da CM Capital, acrescenta ainda que a volatilidade nos papéis da Oi está relacionada também ao adiamento do balanço do quarto trimestre de 2021. A companhia comunicou, na sexta-feira (25), que os resultados do 4T21 só vão ser divulgados no dia 27 de abril, mas, para “garantir a estabilidade das expectativas do mercado”, liberou alguns dados preliminares.
Para Benedito, os números divulgados pela empresa também justificam o dia de queda. “Isso traz ainda mais incerteza para os tomadores do ativo. Diante desse atraso, a companhia precisou soltar umas prévias de receita e o Ebitda, o dado que o mercado mais olha, apontou uma continuidade de retração, levando a uma receita bem abaixo do esperado”, explica.
Relembre o processo
O processo de recuperação judicial da Oi – o mais longo da história do País – começou em 2016, depois que a empresa acumulou R$ 65 bilhões em dívidas com 55 mil credores.
Um plano de recuperação foi aprovado e, posteriormente, aumentado para incluir mais vendas de ativos, descontos nos pagamentos a credores e prorrogação de prazos. Inicialmente, a conclusão do processo estava prevista para outubro de 2021, mas foi estendida até 2022.
O prazo extra também dá mais tranquilidade para a Oi concluir a venda da sua rede móvel para a aliança entre TIM, Vivo e Claro, um negócio de R$ 16,5 bilhões essencial para a tele dar sequência à quitação de suas dívidas e suportar investimentos em fibra.
*Com Estadão Conteúdo