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Mercado

O que fez as ações da Oi caírem para R$ 0,51, menor patamar desde 2020

Dívida da companhia e pessimismo generalizado nos mercados globais prejudicam os papéis

Por Jenne Andrade

14/06/2022 | 3:30 Atualização: 14/06/2022 | 8:17

Especialistas têm recomendação de manter o papel na carteira. Foto: Nacho Doce/Reuters
Especialistas têm recomendação de manter o papel na carteira. Foto: Nacho Doce/Reuters

Em 20 de junho de 2016, a Oi (OIBR3) entrava com pedido de recuperação judicial. Naquele momento, a empresa acumulava uma dívida de R$ 65,4 bilhões, enquanto os papéis concentravam uma desvalorização de mais de 90% na Bolsa de Valores.

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Segundo levantamento feito por Einar Rivero, da TC/Economatica, em 2011 a ação ordinária chegou a ser negociada por mais de R$ 200. Na data do pedido de recuperação, o papel estava cotado em R$ 0,94 (-99,5%).

Seis anos depois do início do processo de reestruturação, a recuperação judicial da Oi se encaminha para o fim. Nesse período, a empresa de telecomunicações decidiu focar em fibra óptica e enxugar operações não-core.

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Com isso, vendeu a Oi Móvel para Tim, Vivo e Claro, por R$ 15,9 bilhões. Além disso, se desfez de data centers, torres de telefonia e mais recentemente vendeu parte da participação na V.tal (antiga Infraco) para o BTG Pactual. Ainda assim, as ações da empresa vêm sendo severamente penalizadas.

Somente na segunda-feira (13), a OIBR3 caiu 7,27%, aos R$ 0,51 – o menor patamar desde 2020, quando o coronavírus provocou uma queda generalizada nas bolsas globais. Somente em junho de 2022, o ativo cai 32,89%.

Para Matheus Jaconeli, analista de investimentos da Nova Futura Investimentos, a queda dos papéis na reta final da recuperação judicial acontece na esteira do pessimismo generalizado nos mercados globais. O aumento da inflação no mundo e expectativa de juros mais altos, principalmente nos EUA, azedou o humor dos investidores. “No caso da Oi, passamos por um período de forte aversão ao risco. Assim, os ativos mais arriscados são os que mais sofrerão. OIBR3 entra nessa cesta”, afirma.

Já Gabriel Tinem, analista do Setor de Telecomunicações da Genial Investimentos, enxerga outros dois pontos mais específicos que estão pressionando os papéis da companhia de telecomunicações. O primeiro seria a revisão da dívida com a Anatel, agência reguladora do setor.

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Segundo ele, o valor divulgado da dívida em 2020 era de R$ 14,3 bilhões. Contudo, de acordo com fato relevante divulgado pela empresa no final de maio deste ano, esse montante é de R$ 20,2 bilhões. Ou seja, mais R$ 6 bilhões em passivos. “O mercado ficou muito receoso, questionando se esse valor fazia sentido”, afirma Tinem.

No dia seguinte à divulgação do fato relevante sobre a dívida com a Anatel, a OIBR3 chegou a cair 10,96% – o que foi uma reação exagerada, na visão do analista.

Isso porque a Oi tem direito a 54,99% de desconto sobre a dívida, de acordo com a Lei das Falências. Aplicando esse desconto, o débito total cai para R$ 9,1 bilhões, de acordo com fato relevante divulgado pela companhia.

Deste montante, ainda serão deduzidos os valores já quitados pela Oi por meio de depósitos judiciais apropriados pela Anatel. No final, o valor fica em R$ 7,3 bilhões.

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O BTG Pactual também foi pego de surpresa pelo aumento dos passivos. “O novo acordo inclui R$ 6 bilhões adicionais em passivos que estavam em discussão na esfera administrativa à época das negociações originais, e que a maioria (incluindo a Oi e o mercado) acreditava que jamais seria incluída na dívida total com a Anatel”, afirma o banco em relatório.

Apesar do susto, as perspectivas são positivas. “Estimamos que a empresa deva quitar a maior parte das amortizações nos últimos 5 anos, melhorando bastante as saídas de caixa nos primeiros anos”, completou o BTG no documento.

O segundo ponto que puxou para baixo os papéis da empresa nos últimos dias, segundo Tinem, foi justamente a venda do controle da V.tal para o BTG Pactual. No final das contas, o banco poderá ficar com até 65,3% da companhia de redes neutras de fibra ótica, enquanto a Oi deve ficar com 34,7%. A configuração foi anunciada na última quinta-feira (9) e não agradou os investidores.

“Hoje os dois grandes ativos da Oi são justamente a participação na V.tal e os serviços. Portanto, quando você tem uma participação reduzida em um dos seus principais ativos (V.tal) é inevitável que o mercado penalize”, afirma Tinem. “Para a Oi, então, só sobra a parte de serviços de nuvem, plataforma digital, pagamento, atendimento ao cliente e etc. Dento do escopo de uma empresa de telecomunicações, a Oi fica muito restrita.”

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Este também é um fator negativo apontado por Fabiano Vaz, analista da Nord Research. “No final, a participação da Oi na V.tal ficou bem abaixo do que a empresa colocava no guidance”, diz Vaz. “A V.tal tem um potencial de resultados muito bons e a Oi poderia ter uma participação mais interessante nisso. Deu a impressão que eles não tiveram poder de barganha para negociar com o BTG.”

Os especialistas consideram OIBR3 um papel de alto risco, mas a recomendação da Nord Research e da Genial Investimentos é de ‘manter’ o ativo na carteira. Isso significa que para o investidor que não tem as ações não é indicada a compra. Para quem já tem os papéis, por outro lado, a melhor opção é mantê-los no portfólio.

Tinem, da Genial, acredita que a companhia conseguirá finalizar o processo de recuperação judicial. Entretanto, ainda não está totalmente claro em quais condições. “Vai depender muito do que for acontecendo ao longo dessa transição. O ano de 2022 e 2023 será muito mais para a Oi remodelar seus negócios e buscar uma saída do setor de telecomunicações. Eu particularmente acho bastante desafiador”, diz.

O preço-alvo estabelecido pela Genial para os papéis é de R$ 1,20, o que significa um potencial de alta de 118%. Entre os analistas que cobrem o papel, o preço-alvo da Genial é um dos mais conservadores. Tinem aponta alguns fatores que devem chamar a atenção do mercado nos próximos meses.

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“O investidor deve ficar atento à data do fim da recuperação judicial, que ainda não está muito bem definida. Era para ocorrer no final de maio, mas foi adiada. Então teremos que aguardar”, afirma Tinem. “Também estamos aguardando os resultados do 1° trimestre de 2022.”

É importante relembrar que a divulgação do balanço do 1° trimestre de 2022 da Oi foi adiado do dia 12 de maio para 21 de junho.

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