“Por outro lado, estamos menos preocupados com as potenciais implicações de longo prazo tanto para Hapvida quanto para Rede D’Or, pois isso pode ser mitigado com aumentos de preços ao longo do tempo, sem mencionar a possível aprovação de subsídios fiscais”, avaliam os analistas Leandro Bastos e Renan Prata.
Na última sexta-feira (15), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) encaminhou o PL dos Enfermeiros para aprovação do presidente Jair Bolsonaro (PL), que agora tem prazo de 15 dias úteis para sanção ou veto. O projeto propõe um salário mínimo de R$ 4.750 por mês para enfermeiros brasileiros e um piso salarial correspondente de 70% e 50% desse valor para técnicos e auxiliares de enfermagem, respectivamente.
“As negociações são fluidas e a visibilidade, baixa, mas considerando o viés populista da medida e a próxima janela de eleições, a probabilidade de sua aprovação parece ser alta, e nossa visão é que a garantia de financiamento, incluindo subsídios para o setor privado, continua sendo fundamental para garantir sua constitucionalidade e evitar futura judicialização”, ponderam os analistas.
No início, segundo o Citi, os novos salários dos enfermeiros devem naturalmente pesar sobre a lucratividade dos prestadores de serviços, especialmente para instalações de UTI em hospitais. Com base em cálculos preliminares, Bastos e Prata estimam um impacto negativo potencial de 8% para Hapvida e 6% para Rede D’Or nas estimativas de lucros para 2023 – sem considerar qualquer compensação de subsídios fiscais e aumentos de preços.