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Investimentos

Deflação e depressão econômica devem levar Selic para abaixo de 2,25%

Em semana de reunião do Copom, veja quais fatores devem influenciar a decisão sobre a taxa de juros

Por Ernani Fagundes

14/06/2020 | 19:26 Atualização: 30/12/2020 | 10:20

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A confirmação de uma depressão econômica com efeito de queda da inflação pode levar a taxa básica de juros (Selic) para um patamar abaixo de 2,25% ao ano, segundo consenso de mercado publicado pela última pesquisa Focus do Banco Central.

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De acordo com especialistas consultados pelo E-Investidor, três fatores de risco contribuem para uma visão mais pessimista sobre a economia brasileira para justificar uma queda mais forte da Selic no segundo semestre: uma segunda onda da pandemia de coronavírus no mundo, depressão econômica global e deflação no Brasil.

Para a economista-chefe da gestora de investimentos do BNP Paribas, Tatiana Pinheiro, a deflação de 0,38% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio confirma que as pessoas estão mais pessimistas com a economia brasileira.

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“Há um efeito deflacionário da covid-19. Tivemos o auge do distanciamento social em abril, e isso mudou um pouco em maio. Temos uma alguma reabertura agora em junho, mas há sempre o risco de uma segunda onda global do coronavírus”, argumenta ela.

A especialista observa que o IPCA acumulado em 12 meses está em apenas 1,88%. “Isso é muito abaixo do piso inferior da meta de inflação, que é de 2,5% para este ano, uma situação muito propícia para o corte de 0,75 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), como espera o mercado”, diz Tatiana.

Atualmente, a Selic está em 3% ao ano, mas a economista-chefe prevê que a Selic não vai ficar em apenas 2,25% neste ano. “Há uma contração relevante da atividade econômica. Dados de confiança e de índices de incerteza, todos esses indicadores antecedentes mostram uma recessão profunda, o que abre espaço para um outro corte de 0,75 ponto porcentual na reunião de agosto”, prevê Tatiana. Nesse cenário traçado por ela, a taxa Selic fechará 2020 em 1,5% ao ano.

Não há recuperação em V

Em linha semelhante sobre a questão da retração da atividade, Marco Harbich, estrategista da Terra Investimentos, diz que não espera uma recuperação rápida da economia mesmo com os vultosos estímulos monetários e fiscais pelo mundo.

“Não vejo esse crescimento em V que se espera na economia. Recuperação em V nas Bolsas até é possível, pois os mercados antecipam. Mas na economia isso é diferente, porque tem o ciclo”, diz ele. “O que vejo é uma queda muito maior da produção e o aumento do desemprego. E com isso, o consumo cai e a produção cai ainda mais, o que leva a crer que há mais espaço para cortes na Selic”, argumenta.

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Na previsão do estrategista da Terra, depois que a Selic atingir os 2,25% (conforme o consenso), haverá ainda um outro corte de 0,25 ponto porcentual para 2% ao ano.

Ele ressalta que no Brasil houve um programa para minimizar os efeitos da crise, mas que os impactos sobre o consumo estão presentes. “Quem foi demitido não está consumindo. Quem teve redução de carga horária e redução de salário está consumindo menos. E tem aquele que não teve redução da renda, mas está inseguro, não sabe do futuro, consome menos, poupa mais”, diz Harbich.

O estrategista diz que a saída da crise passa pela ciência encontrar uma cura ou vacina e a equipe econômica utilizar ferramentas adequadas para conceder crédito barato às empresas. “Tem que injetar dinheiro na economia para salvar milhões de empregos, e fazer com que a liquidez, o crédito chegue na ponta às empresas”, afirma.

Só mais um corte

Para o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, a taxa Selic deverá mesmo ficar em 2,25% ao ano, na mediana das expectativas da Pesquisa Focus.  “Muitos analistas estão vendo abaixo de 2%. Entendo que temos um segundo trimestre bastante comprometido, mas ainda fico com os 2,25% ao ano”, diz.

Bertotti afirma que os resultados ruins do segundo trimestre vão se materializar e trazer a realidade para os mercados globais. “Vamos ter um PIB muito ruim, o que permite reduzir os juros em 0,75 ponto porcentual. Mas, na minha visão, a recuperação em V dos Estados Unidos é um risco, e tem sim um clima de euforia com a reabertura econômica, o que é um risco”, conclui.

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